Diante da incerteza gerada pela pandemia, o Notisul entrevistou psicólogos para saber o que fazer para evitar que o isolamento cause ansiedade, depressão ou síndrome do pânico e religiosos, que colaboram com mensagens de otimismo, amor e fé para que os fiéis sigam confiantes na sua trajetória.

A psicóloga de Tubarão, Juliana Mendes, pontua que o isolamento pode contribuir para o agravamento tanto da depressão, quanto da ansiedade e também da síndrome do pânico de alguém que já tenha e também, pode surgir devido ao estresse gerado com essa situação. “Precisamos ficar atentos, principalmente com aqueles que já possuem algum histórico e em um momento da vida, já sofreram com essas patologias precisam de uma atenção maior dos familiares”, observa Juliana.

Ela conta que desde a última semana, profissionais de psicologia já estão atendendo, alguns online e outros presencialmente. Sobre a depressão, a profissional destaca que ela pode surgir com a falta de vontade de realizar as atividades regulares. Dentro do possível as atividades que se deve fazer dentro de um isolamento. Ela deve procurar formas de pensar positivamente e não ter pensamentos negativos”, avalia.

Ela também observa que a ansiedade vem muito neste período. O principal componente dela vem acionado pelo medo e esse medo vem acionado pela perda financeira, quanto a própria confusão de informações, o do contágio ou contágio de pessoas queridas. Deve-se ficar atento aos sinais de taquicardia, sudorese, insônia e dificuldade de dormir.

A profissional explica que a síndrome do pânico apresenta um processo mais crítico, geralmente a doença vem acompanhada de uma crise, onde a pessoa tem a sensação que vai morrer, tem falta de ar ou que vai ocorrer algo ruim. A pessoa pode ter tontura ou vir a desmaiar. É necessário estar atento e procurar um profissional para ser assistido.

Em Tubarão, a Catedral Diocesana tem feito trabalhos para ajudar a população. Segundo o padre Willian Fernandes de Jesus, foi implantado o centro de escuta na paróquia, ele expõe que a iniciativa tem uma única finalidade, o da acolhida. “Estamos vivendo um momento muito dramático. A pandemia trouxe uma crise sanitária, que gerou consequências para toda à sociedade. Ela trouxe incertezas para o futuro, a respeito da economia e as pessoas acabaram por entrar um nível de estresse muito grande. Pensamos em mecanismos de escuta e acolhida. Procuramos dar um sinal de esperança. Precisamos oferecer respostas concretas. Ajudamos as pessoas o significado das relações. Como posso aprender a estar com o outro novamente. A conviver com o outro. O desafio é fazer com que as famílias redescubram a beleza da comunhão e do amor, de estar próximo a comunhão. Fazer desse ócio um momento criativo. Estamos aqui para ouvi-las e amá-las. Se o discurso é insuficiente, que a nossa presença possa ser calorosa e garanta o conforto que elas precisam”, constata.

O presidente do Conselho dos Pastores de Santa Catarina e coordenador da Aliança Evangélica, o pastor da Igreja Assembleia de Deus Independente, em Tubarão, Carlos Augusto Lopes, também relata que trabalhos de acolhida são realizados pela ADI da Cidade Azul acredita. “As pessoas nos procuram para ter uma palavra de conforto. Colaboramos por meio do WhatsApp. Sabemos que é um momento difícil, queremos e devemos cooperar com o isolamento”, observa.

Cenário propício

A psicóloga Manuela Costa Dutra do Nascimento, de Tubarão, pontua que a falta de informações confiáveis cria um cenário difícil e que propicia as doenças mentais. Ela explica que quem ainda não sentiu irá sentir em algum momento um desconforto emocional, que não chega a ser uma doença. Esse desconforto é a angustia, tristeza, insegurança e o medo. Neste período de pandemia se o desconforto permanecer, ele pode gerar um quadro de ansiedade e depressivo.

“Há os ataques e as crises de ansiedade. Muitas pessoas estão experimentando esses sintomas neste momento. As crises são os apertos no peito, uma falta de ar e vontade de chorar, um medo do que vai vir ou do que vai ocorrer. Elas se caracterizam porque são passageiras. As vezes vou acordar triste, angustiada vou ler uma notícia de alguém que conheço ou que não está em uma situação mais confortável, isso vai gerando uma angustia e ela tem os seus picos. Conseguimos trabalhar para que não ocorra um transtorno de ansiedade e uma doença mental. Se alguém nessa pandemia ainda não experimentou uma crise de ansiedade, uma angustia ou tristeza há algo errado”, assegura.

Ela afirma que a pandemia veio para mexer com todas as estruturas, a de sociedade porque não há mais como viver em comunidade por estarmos isolados, a financeira porque há impactos para todas as pessoas, a biológica, a questão de vida. É um momento de se reinventar, mas não há uma receita pronta. Tudo isso é muito angustiante. Como lidar?

“Essas reações são resolvidas de acordo com a minha personalidade. O primeiro ponto dependendo das minhas possibilidades é importante manter uma rotina, uma agenda. Isso é primordial para manter o mínimo de normalidade possível. A rotina é ter horários para se alimentar, dormir e estudar, por exemplo. Devo organizar o meu dia. A rotina é um dos principais pontos que nos ajudam a manter o mínimo de sanidade. Não há modelo pronto”, destaca.

Ela observa que o segundo ponto é viver um dia de cada vez. “Não temos que nos antecipar ou fazer cenários. Daqui uma semana morrerá tantas pessoas ou nos próximos dias será o pico da doença, isso gera um desespero coletivo. No início as pessoas pensavam que iriam fazer aquilo que gostavam ou não fariam nada. Isso é bom, mas com o passar do tempo ficamos isolados, o não fazer nada começa a incomodar também. Não preciso fazer tudo num dia. É importante ter um objetivo por dia. Nos cria a sensação de estarmos fazendo alguma coisa”, aconselha.

Manuela expõe a atividade física também é importante nesta época. Ela relata que cada pessoa sabe o seu limite e qual o exercício está disposto a fazer. “A atividade física é boa para tudo: estresse, ansiedade, questão biológica e obesidade. Há algumas questões: eu gosto de fazer? Tenho ambiente para isso? Não gosto de dança, mas na internet existe o aplicativo de ioga. O bom é experimentar até encontrar algo que gosto. O isolamento social fez com que ficássemos muito mais ligados em redes sociais do que já éramos. Ficamos vendo o que outras pessoas realizam e nos cobramos. Estamos em um momento de olharmos o que nos cabe e o que não nos cabe”, lembra.

Neste período há pessoas que sabem muito bem usar a tecnologia. Por exemplo, na adolescência, jovens e adultos conseguem utilizar aulas onlines, home oficce e isso é considerado maravilhoso. “Chegamos a um ponto que muitas pessoas que estavam postergando o uso da internet ou questão online nos seus trabalhos estão revendo isso. Muitas funções que não adotavam a questão do delivery ou atendimento online precisaram se adaptar para sobreviver. Uma estratégia que pode ter sido utilizada agora, mas que depois que esta pandemia se estabilizar devem continuar porque há vários benefícios. Porém, há pessoas que não se adaptam e devem continuar com o telefone, por exemplo”, constata.