O empresário Rafael Wekerlin, CEO da Brazilian International Business, confirmou à comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa que investiga a compra dos 200 respiradores pelo Estado que houve pedido de comissão, no valor de R$ 3 milhões, para que sua empresa fosse contratada pelo governo catarinense para fazer a importação dos equipamentos da China. O depoimento dele encerrou a reunião da CPI dos Respiradores, já na tarde da quinta-feira (18).

A Brazilian International Business é uma empresa de Joinville especializada em comércio exterior. Conforme Wekerlin, ela pode fazer a importação ou exportação de vários produtos. Ele explicou aos deputados que foi procurado por seu representante, chamado Cauê Martins, que ficou sabendo por meio de um amigo chamado Germano do interesse do Estado em trazer da China 200 respiradores artificiais.

“O Samuel [de Brito Rodovalho, representante da Cima, que também seria ouvido pela CPI nesta quinta] seria o fornecedor [dos respiradores], e precisava de uma trade para fazer a importação. Disse que faríamos, esse é um procedimento comum para a nossa empresa”, disse o empresário.

O depoente afirmou à CPI que o primeiro contato sobre os 200 respiradores ocorreu no dia 25 de março, por volta das 19 horas. Cauê Martins lhe disse que o Estado tinha urgência e já pretendia fazer o pagamento no dia seguinte (26 de março). Wekerlin, então, preparou uma pré-proposta, encaminhada ao Estado, no e-mail da Superintendência de Gestão Administrativa (SGA) da Secretaria de Estado da Saúde. Segundo ele, a pré-proposta foi enviada por volta das 21h30 do dia 25.

A testemunha disse aos deputados que avisou que os R$ 33 milhões não seriam suficientes para pagar todo o procedimento, pois esse montante não levaria em conta os impostos, que seriam cobrados posteriormente. Conforme Wekerlin, a pré-proposta de sua empresa foi aprovada, mas para fechar negócio, ele solicitou o edital do processo de compra dos respiradores. “Nós não teríamos lucro nesse processo de importação, faríamos para a ajudar o Estado”, disse.

Para tratar da proposta, segundo a testemunha, foi criado um grupo de Whastapp. Foi nesse grupo que surgiu o pedido de pagamento de comissão pela compra dos respiradores. Na tarde do dia 26, enquanto discutiam os custos da importação, Samuel Rodovalho teria perguntado a Wekerlin sobre os “R$ 3 milhões de comissão dela”, sem especificar quem seria a pessoa que teria pedido ou receberia a tal comissão.

“Na hora, disse que não trabalhava dessa forma e me retirei a negociação. O compliance já tinha sido quebrado. Não quis nem saber de quem ia receber a comissão”, disse o empresário. “Descartei na hora, não quis saber quem era, deveria ter perguntado, mas vi que aquele negócio era muito sério.”

Proposta copiada

O empresário também confirmou à CPI que a pré-proposta que encaminhou ao Estado foi copiada na proposta utilizada pela Veigamed. “Utilizaram toda a formação, igual a nossa. Na parte dos valores, no cabeçalho, o número da cotação, que é do nosso sistema de controle, é o mesmo. Não foram nem capazes de tirar o número da nossa proposta. Vamos tomar as providências. Foram descarados”, disse.

Sobre o pagamento antecipado pelos respiradores, a testemunha afirmou aos membros da CPI que esse é um procedimento normal na importação, mas que o correto é exigir alguma garantia, como uma carta-fiança, algo que não foi feito pelo Estado. Ele também considerou que o procedimento de compra foi errado. “Um estado da federação tem que comprar direto dos fornecedores, sem intermediários”, disse.

Wekerlin afirmou, ainda, que não sabia da existência da Veigamed. Também garantiu que nunca teve contato com Douglas Borba, Marcia Pauli, Fabio Guasti ou Helton Zeferino, envolvidos na investigação.

O deputado Felipe Estavão (PSL) afirmou que vai solicitar a convocação de Cauê Martins e de Germano para prestarem depoimento à CPI. Já Samuel Rodovalho será ouvido, de forma presencial, na próxima terça-feira (23).

 

Fonte: Alesc