Wagner da Silva
Braço do Norte

O ano começou com boas notícias para os suinocultores do Vale do Braço do Norte. Especialmente após o Chile anunciar a retomada das exportações de carne brasileira, suspensas desde 2005. Porém, o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Adir Engel, sugere cautela aos produtores.

Embora o país tenha batido o recorde histórico de exportação de carne suína no ano passado (cerca de R$ 3,46 bilhões, 20% a mais que em 2007), desde 2000 os criadores vivem sobre pressão constante. A suspensão de alguns mercados e a oscilação no valor da carne – afetado pelo preço do dólar – e a crise internacional são fatores que tornam o mercado oscilante.

Outro aspecto negativo que afetou as vendas do produto foi as chuvas, em novembro do ano passado, em Santa Catarina. Com a destruição de parte do Porto de Itajaí, responsável por 55% da exportação da carne suína do estado, aproximadamente 20 mil toneladas do produto (42,5% dos embarques do mês) deixaram de ser comercializadas.

Para o presidente da associação, a crise é constante, mas cresceu em 2006, quando a Rússia – principal exportador do produto catarinense – suspendeu a compra da carne devido a casos de febre aftosa registrados no Mato Grosso e Paraná. Esta situação ganhou força com a crise econômica mundial, quando outros mercados suspenderam as exportações. “Os navios tiveram que retornar carregados e a carne teve que ser estocada. Como a produção não parou, o estoque ficou alto e o mercado não absorveu. Aos poucos, a carne acumulada voltou a ser comercializada”, explica Adir.

Mudanças podem afetar o setor a curto prazo
Algumas mudanças na lei ambiental podem afetar os suinocultores do Vale do Braço do Norte. A ideia do governo, conforme explicação do presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suíno (ACCS), Adir Engel, não é isentar o produtor, mas desburocratizar a atividade. “Como o setor é grande poluidor, medidas são tomadas para amenizar o problema. Mas precisam ser coerentes. Além disso, os produtores têm que estar conscientes dos problemas que a atividade traz e obedecer as regras”, sugere Engel.

Ele afirma que as mudanças dependem de audiências públicas. O processo chegou a ser iniciado em Santa Catarina, mas foi suspenso devido à tragédia no norte do estado, em novembro do ano passado. “Não há data para a retomada das negociações”, informa o presidente.

Exportações
Adir Engel considera o clima na Europa, especificamente na Rússia – o maior consumidor do produto catarinense – como o principal aspecto para a baixa na exportação. “No inverno, o consumo é menor. Com isso, as exportações diminuem consideravelmente, tanto que a Rússia importou duas vezes menos”, explica.

Para ele, o país ainda não soube explorar o reconhecimento que Santa Catarina obteve, de ser o único estado a estar livre da febre aftosa. “Temos qualidade e preço, mas pouco retorno na prática”, ressalta Adir, ao comparar os preços do produto: chegou a R$ 3,30 o quilo antes da suspensão da Rússia, em 2006, e está, hoje, em um patamar de R$ 2,00. “Antes, esta situação preocupava principalmente os criadores independentes, mas hoje até mesmo o integrado sofre com os baixos preços que não cobrem o valor da produção”, lamenta o presidente.

Apostas nos novos mercados
O crescimento do Brasil no cenário mundial poderá aquecer as exportações e trazer novos mercados para os produtores catarinenses de carne suína. Há negociações em andamento para a abertura dos portos da China, África do Sul, Indonésia, Filipinas e México. A aposta nestes novos e promissores mercados é confirmada pelas grandes empresas que atuam na área, como a Sadia, a Pamplona, a Seara, a Perdigão e a Aurora. Todas voltaram a investir no aumento de plantel suíno justamente por esta estimativa do crescimento da exportação.

Embora estas notícias já circulem, nada é confirmado. Por este motivo, o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suíno (ACCS), Adir Engel, recomenda cautela aos produtores. “O primeiro trimestre deste ano deverá ser difícil para o setor. Há negociações com vários países, mas o produtor deve ser cuidadoso ao receber alguma notícia ou concretizar investimentos”, sugere.

Engel leva em conta o custo momentâneo da produção. Com a entressafra, o preço dos insumos subiu. Consequentemente, o suinocultor paga mais por cada quilo produzido. “A dica é manter a calma e aguardar. Logo teremos uma nova safra e poderemos analisar melhor a situação”, indica o presidente da associação. Para ele, o governo deve intervir e liberar o milho da Conab, abrir espaço para negociação de dívidas e impostos. “Acreditamos nesta ação do governo catarinense para minimizar a dor de cabeça dos produtores”, completa Engel.