Cíntia Abreu
Tubarão

O endereço do canil em Tubarão, o melhor caminho para os animais de rua, continua em segredo. Porém, a construção do abrigo não significa a solução de todos os problemas. No bairro Vila Moema, por exemplo, o amor aos cães é motivo de preocupação entre os moradores.
O cão Pingo, que usa de sua ferocidade para demarcar território, tem causado dor de cabeça em sua dona e nos vizinhos que costumam passear com os seus animais pelo bairro. Pingo costuma atacar os cães machos que andam pelos arredores. Neusa Ghisi Bossle o adotou há algum tempo e diz que toma todos os procedimentos necessários para que ele tenha uma vida saudável.

A proprietária colocou uma tela na fachada de seu portão para evitar que o cachorro saia do pátio, mas não atingiu o seu objetivo com sucesso. “Ele fez um buraco para poder sair. Ele nasceu na rua e aqui dentro sente-se preso, por isso, o deixo livre. Fico muito chateada com as reclamações da vizinhança, eles não entendem que faço um trabalho que se todos fizessem não teríamos tantos animais sofrendo”, lamenta Neusa, que cria outros dois cães de rua, e afirma que, se fosse possível, cuidaria de muito mais.

A vizinha Ana Graciela Sestren, dona de duas cadelas da raça poodles e integrante da ONG Movimenta-Cão, defende o animal relatando que ele auxilia os vigias noturnos que trabalham no bairro. “Ele não deixa ninguém se aproximar dos guardas, funciona como um segurança. As minhas cachorrinhas nunca foram atacadas por ele, isso é sinal que ele só ataca porque está no seu instinto”, argumenta.