Wagner da Silva
Braço de Norte

A sessão da câmara de vereadores de Braço do Norte, realizada segunda-feira, entrará para a história. Um tumulto fez com que o presidente da sessão, Laércio José Michels Junior (PSDB), encerrasse o encontro antes do tempo previsto, durante as explicações pessoais.

A discussão iniciou após o presidente informar ao tucano Salésio Meurer a mudança na sequência dos vereadores que utilizariam a tribuna para explicações pessoais. O regimento interno afirma que o uso da palavra para explicações pessoais deve ser solicitado com antecedência de quatro horas e a sequência de entrada organizada pelo secretário da mesa, por ordem de agendamento. Mas o presidente do legislativo poderá decidir em casos não previstos pelo regimento, como na formação da sequência, assim, pode inverter a ordem, os últimos podem ser, literalmente, os primeiros.

Com a mudança feita pelo presidente, Salésio alterou-se e reclamou do posicionamento de Junior. “Fui o último a ser inscrito e tenho o direito de ser o último a me explicar. Se não for assim, a sessão não continuará”, declarou na ocasião.
Durante a sessão, Junior explicou que o regimento interno abre mão da sequência devido ao uso das explicações. “Quando uma pessoa usa em demasia sempre por último a palavra, há a possibilidade de mudança. Você usou por último na última sessão e compete a mim interpretar e tomar a decisão que achar melhor”, esclareceu.

Mais discussões com
vereador progressista

Após as explicações do presidente da sessão, Laércio José Michels Junior (PSDB), o clima voltou à normalidade na câmara de vereadores de Braço do Norte. Mas não durou muito. Isso porque as palavras do vereador Cleber Manoel (PP) não foram toleradas pelo vereador tucano, que interrompeu por duas vezes as explicações.

Cleber falava sobre a veracidade das informações levantadas por Salésio e pelo vereador Antonio Bittencourt de Souza (DEM), no processo de distrato, no pagamento de R$ 1 milhão feito pela Cooperativa de Eletrificação Rural de Braço do Norte (Cerbranorte) dias antes da eleição, à empresa Itatrix. “Fui esclarecer esta situação e percebi que eram infundadas as denúncias. Precisamos antes conhecer os fatos, para depois questionar. Não como o posicionamento tomado por alguns vereadores, de forma politiqueira e irresponsável. O espaço para explicações pessoais é nobre e deve ser utilizado para coisas boas, não para difamar pessoas de família”, enfatizou Cleber.

Em seguida, Cleber foi novamente interrompido pela investida de Salésio. A sessão ficou tumultuada. A bancada do PMDB retirou-se do plenário em protesto. O vereador Salésio chegou a retirar o microfone do presidente. E Junior, para evitar maiores danos, encerrou a sessão. Os vereadores saíram do plenário ao som de vaias do público que acompanhava os trabalhos do legislativo.

População protesta contra
atuação de vereadores

A discussão entre os vereadores durante a sessão do legislativo municipal ganhou as ruas e as rodas de bate-papo em Braço do Norte. Para a empresária Marlene de Souza De Bona, que esteve presente nas últimas sessões, o fato foi revoltante. “Acompanho para conhecer o funcionamento do legislativo e também do trabalho dos vereadores, mas os atos da última sessão foram inesperados”, declara.

O funcionário público Valmício Salvalagio diz que quase foi agredido pelo vereador Lauro Beckauser (PMDB). Isso porque o servidor manifestou a sua inconformidade com a ação dos vereadores do PMDB, que, em apoio a Salésio Meurer (PSDB), deixaram o plenário. “Repudio esta ação de se retirar do plenário. É uma falta de respeito com o cidadão que sai de casa para assistir tais fatos. Tenho tanto direito de estar no local quanto ele, e respeito os vereadores. Quando ele está no plenário, eu o respeito. Mas achar que pode agredir a pessoa fora do espaço é lamentável. Fora do plenário, temos os mesmos direitos”, protestou.