Wagner da Silva
Braço do Norte

A questão da instalação da Indústria Fosfateira Catarinense (IFC) em Anitápolis foi a pauta principal de uma reunião realizada na tarde de ontem na Associação Empresarial de Tubarão (Acit). A IFC pretende explorar uma mina de fosfato por 33 anos no município serrano. A empresa está sob controle de duas multinacionais, a americana Bunge e a norueguesa Yara. A reunião foi solicitada pelo vereador tubaronense Haroldo de Oliveira Silva (PSDB), o Dura, ao Comitê da Bacia do Rio Tubarão.

A maioria das lideranças políticas, comunitárias e ambientais do Vale do Braço do Norte, de Tubarão e Laguna é contrária à instalação da IFC. Há cerca de um mês, várias entidades iniciaram uma mobilização para discutir os benefícios e riscos da atividade. Na reunião de ontem, um dos pontos debatidos diz respeito ao risco de rompimento das barragens de 80 metros de altura que serão construídas em Anitápolis.
A obra será feita com rocha ao lado do Rio dos Pinheiros, um dos principais efluente da bacia do Rio Tubarão. O vereador tubaronense enfatizou os riscos e os danos silenciosos que podem ser trazidos com a atividade. Para ele, a atividade poderá causar um desastre ambiental sem precedentes e afetar toda a produção regional e a saúde da população em todos municípios que margeiam o Rio Braço do Norte e complexo Lagunar.

“Somos excluídos deste debate. Temos que analisar se é isso que queremos para nosso futuro. Vamos silenciar após os fatos e lutar depois de um desastre, ou vamos nos mobilizar e ouvir as partes?”, questionou Dura. As questões hídricas, como o rompimento e poluição de córregos e rios foram apresentados pelo professor Ismael Bortoluzzi, uma das maiores autoridades sobre o assunto no estado. Para ele, o perigo pode ser maior do que se imagina. “Lembrem do que ocorreu em Imbituba, com a poluição por flúor. Estão se apegando no menor dos problemas, quando as questões químicas são as mais perigosas”, alertou.

O vereador Dionísio Bressan Lemos (PP), membro da comissão consultiva do comitê, sugeriu a criação de uma câmara de técnica, com especialistas em várias áreas – como químicos, geólogos e hidrólogos – para apurar as informações. “O objetivo é suspender de imediato e temporariamente a homologação das licenças ambientais para que possamos analisar os documentos já existentes a fim de embasar um parecer aos órgãos competentes”, sugeriu Dionísio.