Pedro Paulo Nascimento acredita que a mudança de governo influenciará o comércio.
Pedro Paulo Nascimento acredita que a mudança de governo influenciará o comércio.

Karen Novochadlo
Tubarão

O movimento dos últimos meses do comércio do centro de Tubarão pode ter sido abaixo do esperado. Mas os lojistas garantem que as vendas de dezembro já superaram as expectativas. Para 2011, entidades do setor ainda não arriscam nenhuma previsão.
A gerente da loja Toque de Pele, Lourdes Maria Cascaes Nunes, conta que as vendas em 2010 foram boas, mas poderiam ter sido melhores. “A gente sempre procura trazer novidades. Para o Natal, o movimento está dividido, muitos aproveitam para fazer as compras à noite”, revela.
 

As vendas entre os meses de setembro e novembro foram fracas, de acordo com o presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas), Fernando Nandi. Um dos motivos é o grande número de feriados durante a semana. Neste período, os clientes faziam compras em estabelecimentos que possuíam horário de expediente diferenciado. Para recuperar o tempo perdido, os comerciantes esperam um movimento ainda mais intenso nesta semana, na reta final para o Natal.
As consultas ao Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) aumentaram. Em comparação ao ano passado, houve uma queda de 12%. Contudo, na primeira quinzena deste mês, subiu em 15%. “Aproveitamos os períodos da vinda do salário e do 13º, e abrimos mais cedo este ano. Fiz um levantamento com alguns lojistas: nos primeiros dias, tiveram um aumento de até 50%”, relata Fernando.
 

Para 2011, o diretor executivo da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Pedro Paulo Nascimento, ainda não faz previsões. “Haverá uma mudança de governo, mesmo que seja continuação. Vamos ter que esperar para ver como o mercado e a inflação se comportam”, analisa. “Nós esperamos que se mantenha a mesma política econômica”.

Cresce o uso do cartão

O número de consultas realizadas ao Sistema de Proteção ao Crédito (SPC) diminuiu em uma média de 12% em relação 2009. As consultas indicam a quantidade de pessoas que realizam compras por crediário ou com talão de cheque. O diretor da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Pedro Paulo Nascimento, e o presidente dos Sindilojas, Fernando Nandi, são unânimes em afirmar que isto deve-se a uma nova tendência: o crescimento do uso do cartão de crédito.
 

Para Pedro Paulo, o cartão deve ser usado com cuidado. “Agora pode haver um aumento nas vendas, mas as pessoas se iludem com crédito fácil e se endividam. Depois não têm controle de quanto gastam. Com boleto, elas conseguem ver quanto gastam”, explica.
O presidente do Sindilojas tem a mesma opinião. “Acredito que o cartão de crédito torna o processo de venda mais frio. Quando o cliente retorna para fazer um pagamento, podemos fazer um pós-venda”, avalia Fernando. Na contramão, a inadimplência subiu 3% nos últimos três anos.

Disputas entre sindicatos

O ano de 2010 foi marcado por disputas entre o Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) e o Sindicato dos Comerciários. Para o próximo ano, nenhum acordo foi fechado quanto ao salário e o calendário do comércio.
 

Uma assembleia será realizada entre os membros do sindicato patronal (Sindilojas). O objetivo é tratar sobre o reajuste salarial e o calendário 2011. Na última reunião, em novembro, o Sindicato dos Comerciários não aceitou a proposta oferecida, de 5,3%, o mesmo percentual da inflação no período (o piso passaria para R$ 682,00). O reajuste desejado pela categoria era de 7%. Com isso, o salário passaria de R$ 647,00 para R$ 699,00. Para os trabalhadores que recebem um valor acima do piso, o aumento seria de 6%.
 

Os comerciários já entraram com um dissídio coletivo na Justiça do Trabalho, em Florianópolis, para rever a questão do salário. A orientação do Sindilojas é que as lojas paguem o reajuste da inflação.
Um dissídio coletivo foi impetrado pelos comerciários contra o Sindilojas este ano. A Justiça do Trabalho de Florianópolis foi a favor e requisitou o pagamento do piso dos comerciários para algumas lojas, que ainda não efetuavam. Os comerciários também protestaram quanto ao horário de Natal imposto este ano pelos patrões.