Quando se trata de internet e crianças, todo cuidado é pouco. Depois de desafios polêmicos, como Baleia Azul, Momo e até o estímulo à ingestão de produtos de limpeza em busca de visualizações, outra tendência na internet chama atenção e preocupa os pais: o fire challenge, no qual os jovens são incitados a passar produtos inflamáveis no corpo e atear fogo.

Esse desafio ganhou mais repercussão depois que uma menina de 12 anos teve cerca de 49% do corpo coberto por queimaduras de segundo e terceiro grau. A estudante americana Timiyah Landers estava com duas amigas tentando realizar a prova na cozinha de casa.

Segundo a mãe da jovem, Brandi Owers, contou em entrevista a um canal americano, ela acordou com o barulho de uma pequena explosão e encontrou a filha em chamas. Depois de colocá-la debaixo de um chuveiro frio, levou a menina para o hospital.

Para pagar as despesas médicas, Brandi começou uma campanha de financiamento coletivo. Segundo os médicos, Timiyah precisará de meses para se recuperar e passará por mais três cirurgias.

Apesar do caso da estudante americana ter chocado e chamado atenção recentemente, o fire challenge teve início em 2012, quando um usuário do YouTube publicou um vídeo ateando fogo nos pelos do peito. Desde então, versões diferentes foram espalhadas em diversas redes sociais.

Em 2014, outro jovem americano, em Kentucky, sofreu queimaduras de segundo grau ao tentar participar do desafio. E em agosto do mesmo ano, uma mãe foi presa por filmar o próprio filho de 16 anos realizando a “prova” de fogo.

E por que jovens põem a vida em risco por troca de visualizações? Segundo explicação da psicóloga Juliana Guilheri, em entrevista à rede Globo, “faz parte da personalidade do jovem querer firmar sua autonomia e desejar mostrar que está se tornando um adulto”.

Para evitar que mais crianças se machuquem em desafios virais, Guilheri aconselha aos pais acompanharem o que os filhos veem na internet e os orientarem sobre o perigos dessas correntes. As questões principais são a confiança e a comunicação.

Desde a repercussão do caso da Timiyah, o YouTube começou a retirar vídeos de pessoas realizando o desafio.