Wagner da Silva
Braço do Norte

Os desabrigados das chuvas que ocorreram há quase um mês em Braço do Norte continuam em alojamentos e reclamam a falta de ajuda por parte da prefeitura e da Defesa Civil do município.
Dez famílias perderam as suas moradias. Cinco residências foram interditadas, em virtude dos riscos de novos desmoronamentos, e as famílias estão no Centro Comunitário do bairro São Basílio. O dia-a-dia é complicado, já que o ambiente é pouco reservado e não retorno das autoridades.

Uma das abrigadas, Albertina Lock, afirma que a situação fica mais complicada por estarem em um local de uso da comunidade. “Recebemos mantimentos da prefeitura, mas o que queremos é voltar para as nossas casas. A comunidade quer usar o centro e não pode. Pressionam, pois tiveram que cancelar eventos e isso nos deixa triste”, lamenta.

Ela queixa-se da falta de atenção das autoridades. “Gostaríamos da ajuda deles, já que, quando pediram voto, estavam a toda hora em nossas casas. Agora, nenhum deles apareceu para conhecer o problema”, reclama.
Loreni Alves de Souza, outra desabrigada, lembra que uma reunião foi solicitada por funcionários da administração, para a realização de um mutirão de reconstrução. “Os homens esperaram, perderam o dia de serviço e ninguém apareceu. É um descaso com a gente”, salienta.

Secretária diz que busca solução

A ajuda tão esperada pelas famílias desabrigadas esbarra na burocracia. Ao menos esta é a justificativa da administração municipal. O prefeito Evanísio Uliano, o Vânio (PP), solicitou atenção ao caso. A secretária de ação social da prefeitura, Francisca Leonel da Silva, a Quinha, diz que está desesperada em busca de uma solução.
“Já saímos atrás de casas para recolocar estas famílias, por pelo menos três meses, para que possamos retirá-las do Centro Comunitário do bairro São Basílio. Mas está difícil”, admite Quinha.

A secretária participou de reunião com representantes do setor de habitação da Caixa Econômica Federal, em busca de recursos, para a construção das casas. “O problema é que nenhuma família possui terreno. A prefeitura tenta disponibilizar, mas esbarra nas leis. Queremos resolver, mas as coisas não acontecem de uma hora para outra”, observa.

Outra proposta é firmar uma parceria com o a Cooperativa de Crédito com Interação Solidária (Cresol). A secretária se encontrará em breve com a chefia da cooperativa em Chapecó. “Se fizermos os procedimentos para enviar ao governo federal, estas famílias esperarão muito tempo. A Cresol está em expansão, chegando a Braço do Norte. Já desenvolve os trabalhos na cidade e existe uma possibilidade real de conseguirmos”, avalia.

O secretário de governo e cidadania da prefeitura, André Richter, diz que há terrenos em vista. “Já temos quatro lotes em vista que oferecem condições para realizar construções que contariam com esta parceria”, afirma André. Outra possibilidade é contar com o apoio de pessoas que tenham casas fechadas. “Pedimos as pessoas que tenham casas fechadas que nos procurem. Nos responsabilizamos pelas famílias e queremos o apoio da comunidade”, propõe a secretária.