Brasília (DF)

Um integrante da rede terrorista Al Qaeda exortou ativistas islâmicos a receberem com bombas o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em sua visita ao Oriente Médio nesta semana.

“Vocês devem recebê-lo não com flores ou aplausos, mas com bombas e atentados”, disse Adam Gadahn em um vídeo de 50 minutos postado na internet ontem. O conteúdo do vídeo, transmitido em inglês, dirigia-se ao público americano. A autenticidade da gravação ainda não foi comprovada.

Bush inicia amanhã uma viagem pelo Oriente Médio que inclui a sua primeira visita como presidente a Israel e escalas na Cisjordânia, Kuwait, Barein, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Egito.

Gadahn, também conhecido como Azzam, o Americano, disse que a jihad (guerra santa) contra os Estados Unidos continuará até o país libertar os muçulmanos de suas prisões.

Ele reclamou do tratamento dispensado ao prisioneiro islâmico americano John Walker Lindh – preso em 2001 no Afeganistão por lutar ao lado do grupo fundamentalista Taleban – e outros.

Em uma cena teatral, Gadahn pegou o seu passaporte americano do bolso da camisa, mostrou as suas páginas às câmeras e o rasgou, em protesto contra a prisão de muçulmanos.

“A jihad contra vocês continuará como nossa tarefa, enquanto houver um muçulmano em prisão americana”, disse. “Por isso, vocês (o povo americano) estão incumbidos de tomar as medidas necessárias para forçar o regime de Washinton a libertar cada um deles, onde quer que eles estejam e seja qual for a acusação que enfrentam”.

Gadahn dedicou boa parte do vídeo, intitulado Um Convite à Reflexão e Penitência, a uma detalhada explicação das deficiências da política externa dos Estados Unidos e da civilização ocidental cristã.

“A primeira questão é: a América realmente foi derrotada? A resposta é ‘sim’, e em todas as frentes”, disse Gadahn, que usa uma longa barba, óculos e tem uma cicatriz. “Os americanos e as forças de coalizão já declararam que são incapazes de enfrentar a resistência no Iraque e no Afeganistão”.

Gadahn, nascido na Califórnia, converteu-se ao islamismo e é o primeiro americano a enfrentar acusações de traição desde a Segunda Guerra Mundial. Acredita-se que ele esteja no Paquistão.