Gravatal/Jaguaruna

Recentemente uma análise de amostras da água consumida em diversas cidades catarinense, entre elas em Jaguaruna e Gravatal, mostrou que os moradores recebem em suas casas água com resíduos de agrotóxicos. O estudo foi realizado a pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC) e divulgado na última sexta-feira. Os agrotóxicos são desenvolvidos para eliminar pragas e doenças que atacam plantações, são considerados produtos eficientes nesta função. Porém, a sua utilização ininterrupta traz resultados graves para o meio ambiente e também para a saúde humana.

Conforme o MP/SC, nas substâncias encontradas na análise de alguns municípios havia produtos que estão proibidos em muitos países, a maioria por serem suspeitos de causar danos à saúde e também por não ter legalidade no Brasil. As amostras foram coletadas entre março e novembro do ano passado, em um programa do Centro de Apoio ao Consumidor do MPSC, em parceria com a Agência Reguladora Intermunicipal de Saneamento (Aris). A Aris baseada nos resultados obtidos, esclarece que a água distribuída pela Atlantis está apta para o consumo humano.

Procurados pelo Notisul, os representantes das Concessionárias do Grupo Atlantis na Amurel, a Jaguaruna Saneamento, Águas de Jaguaruna e Gravatal Saneamento, informaram que são feitas análises a cada 2 horas nas unidades de tratamento e ainda há análises mensais, trimestrais e semestrais conforme a portaria do Ministério da Saúde. Uma vez que o histórico demonstra que a água fornecida para população está dentro dos parâmetros exigidos.  “A concessionária ainda faz periodicamente uma vistoria no entorno das captações para verificar se há algum tipo de irregularidade no uso e ocupação da bacia que possa prejudicar o abastecimento de água”, destaca.

Após a divulgação do estudo pedido pelo MP/SC, moradores de Gravatal e também de Jaguaruna procuraram o Notisul e afirmaram que estão receosos na utilização da água. “Após esta divulgação não tem como utilizarmos a água fornecida pela Concessionária. Enquanto não for comprovado que está tudo certo não há como ficar tranquilos”, enfatiza João Anacleto, morador da Cidade das Praias. Júlia Almeida, que reside em Gravatal afirma que ela e seus familiares também estão preocupados com o resultado da análise.

Excesso de agrotóxicos pode causar várias doenças

Os agrotóxicos são produtos tóxicos nocivos para a saúde. Pesquisas desenvolvidas pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e Ministério da Saúde – Fundação Oswaldo Cruz mostram que agrotóxicos podem causar várias doenças, como problemas neurológicos, motores e mentais, distúrbios de comportamento, problemas na produção de hormônios sexuais, infertilidade, puberdade precoce, má formação fetal, aborto, doença de Parkinson, endometriose, atrofia dos testículos e câncer de variados tipos.

Eles se esvaem pelos rios, impregnam o solo e alcançam às águas subterrâneas. Nesse caso, rios e lagos podem entrar em contato com o produto mediante o lançamento intencional e por escoamento superficial a partir de locais onde o uso de agrotóxicos é realizado. Isso também vale para o ar e os seres vivos que estão em volta. É possível medir o nível de contaminação dos rios pelo fato da agricultura ser a maior consumidora de água doce do mundo, chegando ao patamar de 70% de sua totalidade.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, entender o comportamento dos agrotóxicos na natureza é complexo, já que a seu uso pode contaminar a água e o solo e seus componentes podem ser levados por meio da chuva e dos ventos, dificultando a avaliação dos seus efeitos. Além disso, ao longo do percurso, o agrotóxico sofre processos químicos, biológicos e físicos, que podem alterar o seu comportamento.

Isso quer dizer que, se as propriedades desses produtos podem ser alteradas, as consequências e riscos desses novos subprodutos serão desconhecidas.Os agricultores que trabalham com a aplicação desses produtos e a população que vive próximo às plantações se tornam as mais vulneráveis, pois estão em contato direto com os produtos. Mas esse risco não se restringe a eles, toda a população brasileira está exposta à contaminação quando consome esses alimentos.

Agrotóxicos no Brasil

Segundo a Anvisa, um terço dos alimentos consumidos diariamente por nós, brasileiros, estão contaminados e dentre esses alimentos contaminados, 28% apresentam componentes não autorizados ou em quantidade que excede o limite autorizado.

O Brasil possui uma lei que regulamenta a utilização de agrotóxicos, chamada Lei de Agrotóxicos nº 7.802/1989. Essa lei é considerada bastante permissiva se comparada a leis de outros países, como a da União Europeia, por exemplo. Isso significa que, por aqui, a utilização desses produtos é muito maior e mais livre que nos países europeus.