Zahyra Mattar
Tubarão

Uma denúncia formulada por vários moradores das proximidades da rua Laguna, no bairro Oficinas, em Tubarão, levou a Vigilância Sanitária do município a interditar uma casa utilizada por uma funerária, conforme o relato dos cidadãos, para ‘arrumar cadáveres’.

Segundo o chefe da Vigilância Sanitária, Elias Gonçalvez, no local, era praticada a tanatopraxia, uma técnica onde os líquidos corpóreos são removidos e, no lugar, injetada substância que garante melhor aspecto e “durabilidade” ao cadáver.

Na primeira denúncia feita pelos moradores, na semana passada, uma equipe da vigilância foi até a casa indicada, mas ninguém foi encontrado. “A residência foi alugada. Porém, não existia registro junto à vigilância de que se tratava de uma ‘extensão’ da funerária. Como não era um estabelecimento comercial, não podíamos entrar sem autorização judicial”, explica o chefe da vigilância.

Ontem, os moradores protocoloram nova denúncia. A equipe foi novamente no local e flagrou o momento em que um corpo era submetido à prática da tanatopraxia. O local foi interditado. Hoje, serão lavrados os autos e os relatórios. Tudo será encaminhado para o Ministério Público. Uma filmagem feita por um vizinho da casa também fará parte do material à promotoria.

O chefe da vigilância explica ainda que uma ordem judicial deverá ser emitida para que o restante da casa possa ser vistoriado. No momento do flagrante, a equipe foi impedida de entrar. “O local onde era feita a tanatopraxia fica nos fundos da casa alugada, como se fosse um puxadinho. A funerária não tem alvará sanitário para isto. Eles têm autorização apenas para efetuar velórios e para o comércio de urnas”, esclarece Elias.

A prática da tanatopraxia é permitida por lei. No entanto, apenas pode ser feita por um técnico especializado e credenciado junto ao Instituto Médico Legal (IML). A Fatma também precisa emitir uma autorização, já que os resíduos corpóreos não podem ser despejados diretamente na rede de esgoto.