Tubarão tem 750 lojas que se preparam para receber os consumidores durante o período de maior movimento para o comércio local  -  Foto:Lysiê Santos/Notisul
Tubarão tem 750 lojas que se preparam para receber os consumidores durante o período de maior movimento para o comércio local - Foto:Lysiê Santos/Notisul

Lysiê Santos
Tubarão

O impasse continua. Até o momento, sindicatos patronal e trabalhista não entraram em acordo quanto ao horário especial de Natal no comércio de Tubarão. Nessa sexta-feira, profissionais reuniram-se, em assembleia, com o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio de Tubarão e Região para discutir as propostas apresentadas pelo Sindicato do Comércio e Atacadista de Tubarão e Região (Sindilojas). 

Para o Sindilojas, o horário especial deve iniciar na próxima sexta-feira, 2 de dezembro. A diretoria do Sindicato dos Comerciários não aceitou a data e apresentou a contraproposta formalmente: iniciar no dia 8 de dezembro e aguardar negociação. “Na assembleia apresentamos aos trabalhadores o resultado da reunião com o Sindilojas. Vamos tomar providências na próxima semana contra a decisão do patronal”, afirma o presidente do Sindicato dos Comerciários Rodrigo Machado Pickler. 

Segundo dados dos comerciários, Tubarão conta com cerca de 750 lojas envolvendo aproximadamente sete mil funcionários que aguardam a decisão e se preparam para iniciar o trabalho extra com o horário especial de Natal.

Trabalhadores reconhecem que horário antecipado causa desgastes
A proposta do Sindilojas é que os trabalhadores do comércio de Tubarão iniciem o horário especial de Natal no dia 2 de dezembro – de segunda a sexta das 9 às 22 horas, sábado das 9 às 17 horas, e domingo das 16 às 22 horas até o fim do ano, fechando apenas no dia 25 e 31 de dezembro e 1° de janeiro. Serão praticamente 22 dias de trabalho contínuo com pouco tempo de descanso. 

Há dez anos trabalhando no comércio, Gabriela Martins Medeiros, de 28 anos, afirma que todo o ano ocorre essa polêmica em função do início do horário especial de Natal. Ela relata que nos últimos dias o excesso de horas-extras causará cansaço e desgaste no trabalho. “É puxado. Tenho um filho de 2 anos e durante esses dias mal consigo vê-lo. Na última semana, já atenderemos no “automático” devido ao cansaço”, alerta. 

Para ela, não há necessidade de iniciar o horário especial de Natal na próxima sexta-feira, já que as vendas aumentam somente nas últimas duas semanas. “Não tem porque já começar o horário especial. As pessoas, por enquanto, só pesquisam preço, mas não compram. Todo o ano é assim. O movimento maior é só nas últimas semanas”, resume. 

Renata de Souza, de 24 anos, mora em Laguna e iniciou recentemente em um serviço temporário no comércio de Tubarão. Ela ressalta que com o horário estendido, o salário melhora, porém, nem todos os estabelecimentos pagam os valores corretos das horas-extras trabalhadas. “Venho todos os dias com o meu marido para trabalhar em Tubarão. Já atuei em algumas lojas de diferentes setores, onde era difícil receber as horas-extras. Esforçamo-nos para ter uma renda melhor no fim do ano, mas é necessário incentivo da parte dos empresários”, avalia.