Amanda Menger
Tubarão

Um acidente de moto, na estrada geral de Congonhas. Resultado: uma vítima com traumatismo craniano encaminhada ao Hospital Nossa Senhora da Conceição. O caso ocorreu sábado, por volta das 17 horas. O que chama atenção neste caso é que o atendimento foi prestado pelo Corpo de Bombeiros de Capivari de Baixo. No momento, as unidades do bombeiro de Tubarão estavam ocupadas. A outra opção de socorro em Tubarão, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), nem chegou a ser acionado.

Este é um exemplo da falta de ‘diálogo’ entre os bombeiros e o Samu, em Tubarão. “Eles (bombeiros) não pedem auxílio para nós. Quando estão ocupados, preferem chamar uma unidade de outra cidade do que acionar o Samu. Não há conversa. Já tentamos um entendimento, mas não conseguimos estabelecer esta parceria”, revela o coordenador do Samu para o sul catarinense, Nehad Yusuf Nimer.

Segundo Nehad, como os atendimentos são semelhantes, em caso de urgências, não há por que não acionar a outra corporação. “Em Criciúma, temos esta parceria. Se os bombeiros estão ocupados, eles ligam para nós e fazemos o inverso. Em Tubarão, nós solicitamos ajuda a eles, mas não há reciprocidade”, afirma o coordenador do Samu.
O comandante do 8º Batalhão de Bombeiros de Tubarão, major Carlos Moisés da Silva, afirma que não há problemas com o Samu. “Temos um protocolo interno e o seguimos. Quando estamos em atendimento, acionamos a unidade da corporacão mais próxima, que é Capivari de Baixo”, explica o comandante.

O major rebate as críticas sobre possíveis benefícios financeiros. “Não há nenhuma taxa de deslocamento. Aliás, deveríamos receber repasses pelos atendimentos pré-hospitalares e isso não ocorre. A lei que regulamenta o Fundo Municipal de Reequipamento dos Bombeiros (2.792/2003) prevê esses recursos, mas não recebemos”, queixa-se Moisés.

Os recursos
• A lei 2.792/2003 que cria o Fundo Municipal de Reequipamento dos Bombeiros (Fumrebom), no artigo 2º, inciso 8º, afirma que uma das formas de arrecadação é por “recursos do repasse necessário e integral dos valores recebidos pelo município (secretaria de saúde), referentes à produção ambulatorial, pagos pelo Sistema Único de Saúde, às unidades ambulatoriais, quanto aos atendimentos pré-hospitalares prestados pelo Corpo de Bombeiros”.

• O comandante do 8º Batalhão de Bombeiros de Tubarão, major Carlos Moisés da Silva, afirma que, a cada atendimento pré-hospitalar, os bombeiros deveriam receber em torno de R$ 20,00. “Com uma média de 600 atendimentos por mês, isso daria algo em torno de R$ 12 mil. Porém, há pelo menos 15 anos não recebemos esse recurso”, afirma. Segundo ele, as ambulâncias dos bombeiros precisam ser cadastradas pela secretaria de saúde da prefeitura junto ao Ministério da Saúde. O repasse é feito mediante a apresentação de relatórios de atendimento.
• O secretário de saúde da prefeitura de Tubarão, Roger Augusto Vieira e Silva, disse que se informará sobre esses repasses. “Se isso é possível, faremos os convênios para que os bombeiros possam receber essa ajuda”, afirma.