Carolina Carradore
Tubarão

Em uma corrida desenfreada, os partidos políticos tiveram que sair à ‘caça’ de candidatas para compor as chapas proporcionais às assembleias legislativas e câmara dos deputados. Embora mais da metade da população do país seja do sexo feminino, não foi tão fácil assim encontrar aspirantes à política.

Em Santa Catarina, tantas as coligações, como os partidos de chapa pura, cumpriram a exigência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas, para isso, alguns tiveram que cortar nomes de candidatos. A legislação eleitoral determinava que 30% das vagas para algum cargo eletivo deveriam ser reservadas às mulheres. A partir da minirreforma, aprovada no fim ano passado pelo congresso nacional, o preenchimento da fatia dos 30% das vagas às mulheres tornou-se obrigatório. O partido que não cumprir a determinação deve ter a chapa indeferida pelo TRE.

Em todo o estado, dos 350 candidatos ao legislativo estadual, 88 são mulheres. Resta saber se todas irão entrar na briga política, ou se boa parte irá apenas ajudar os partidos a cumprir a lei. O PMDB lidera o número de candidatas parlamentares, com registro de dez mulheres. Em seguida, vem o PDT, com nove nomes. O PT é representado por sete mulheres e o PP com quatro. O mesmo número de mulheres concorrem a uma vaga na assembleia legislativa pelo PSDB.

Região
Na região, entram na disputa política três mulheres. Para a assembleia legislativa, registraram candidatura a advogada Ada De Luca (PMDB) e a comerciante Keli Cordeiro Oliveira (PSDB), ambas com domicílio eleitoral em Laguna. Para a câmara federal, a candidata é a pastora Gilsara Dias Hansen, de Tubarão.

Homens de fora

A nova interpretação da lei não é vista com bons olhos por presidentes de partidos que tiveram que suar a camisa par encontrar tantas mulheres. “Isso gerou uma série de problemas para os partidos, pois fomos pego de surpresa. Em vez de contribuir para chamar as mulheres à política, vai dificultar a situação”, afirma o presidente estadual do PP, Joares Ponticelli, candidato a deputado estadual que representa a coligação PP/PDT/PT do B. Ele admite que muitas mulheres que se candidataram pelo partido progressista não estavam preparadas para enfrentar uma campanha.

A mesma opinião tem o coordenador da campanha da majoritária da coligação DEM/PMDB/PSDB, Beto Martins. “Temos candidaturas femininas sólidas, mas sabemos que essa exigência deixou de fora muitos homens que de fato queria encabeçar uma campanha”, diz. O partido dos trabalhadores, que tem a tradição de envolver mulheres na disputa, também encontraram dificuldades para cumprir os 30% de candidaturas femininas. “Conseguimos cumprir a lei, mas foi trabalhoso. Devemos estimular as mulheres a entrar na política e não forçá-las”, argumenta o presidente do PT, José Fritsch.