Ontem, cerca de 25 trabalhadores estavam no lote 25 (entre Capivari de Baixo e Laguna), um dos mais problemáticos da BR-101.
Ontem, cerca de 25 trabalhadores estavam no lote 25 (entre Capivari de Baixo e Laguna), um dos mais problemáticos da BR-101.

Karen Novochadlo
Tubarão

Apesar de o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ter apontado o consórcio Castellar/TV como vencedor da licitação para pavimentação e obras complementares de pistas da ponte sobre o Canal de Laranjeiras, em Laguna (lote 1), a verdade é que o processo licitatório ainda não encerrou. O próprio órgão admitiu ontem que ainda é analisado o recurso protocolado por um dos concorrentes. Esta obra faz parte da duplicação da BR-101.

Os trabalhos para as pistas complementares contemplam um viaduto no acesso norte a Laguna, com 14 metros de extensão, um viaduto no acesso sul à cidade, com 70 metros de extensão, uma passarela em Cabeçuda, uma passagem inferior para pedestres em Bentos e duas passa-fauna.

O consórcio Castellar/TV foi declarado vencedor com valor global R$ 63.298.372,31. Um deságio de 11,24% em relação ao valor máximo proposto na licitação: R$ 71.312.586,69. Contudo, a JM Terraplenagens e Construções, de Brasília, entrou com um recurso de última hora, que ainda não foi julgado. Esta empresa havia apresentado o menor valor: R$ 58.636.738,70, contudo, foi desclassificada por apresentar preços unitários maiores do que os do Dnit em diversos itens.

Um dos motivos apontado para o atraso do julgamento do recurso e de outras licitações relacionadas à BR-101 é a interrupção das licitações em julho. O processo licitatório só foi retomado no mês passado. No dia 5 de julho, em meio a denúncias de corrupção, foi determinada a suspensão de projetos e das licitações no Dnit e na Valec, estatal do setor ferroviário.

Túnel no Morro do Formigão

A licitação foi considerada fracassada em 20 de abril. Isso porque as duas únicas concorrentes – a Serveng Civilsan e o consórcio Sulcatarinense/Convap – foram consideradas inabilitadas a continuar no processo. Este túnel é o menor em toda a duplicação da BR-101 sul: tem apenas 900 metros. A licitação, orçada em R$ 57.308.398,33, compreende ainda a execução de duas faixas de rolamento, acostamento e passarelas para pedestres. A intenção do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) é liberar o edital ainda este ano.

Ponte sobre o Canal de Laranjeiras

Uma das obras mais bonitas da BR-101 será, sem dúvida, a da nova ponte sobre o Canal de Laranjeiras, na comunidade de Cabeçuda, em Laguna. O trabalho, a ser desenvolvido pelo consórcio Camargo Corrêa/M. Martins/Construbase, dará outro visual para o trecho da rodovia, além de se transformar em mais um ponto turístico do sul. A obra foi licitada por R$ 597.190.345,20 e a ponte terá 2.825 metros de comprimento, com quatro pistas e acostamentos nos dois sentidos. Os trabalhos devem iniciar assim que a Licença Ambiental de Operação for expedida ao consórcio, o que deve ocorrer até o fim do ano. Enquanto isso não ocorre, o grupo já começou a se instalar em Laguna, a contratar mão-de-obra e organizar toda a logística. A expectativa é de que a licença seja expedida este ano. Esta obra é o lote 2.

Estaqueamento de viaduto deve começar na próxima semana

Na próxima semana, se tudo ocorrer como o planejado, iniciará o estaqueamento onde ficará o viaduto duplo em Capivari de Baixo, onde hoje se localiza o trevo de acesso. As obras de duplicação da BR-101 no lote 25 (entre Capivari de Baixo e Laguna) são de responsabilidade do consórcio Araguaia/Blokos/Emparsanco, mas são executadas pela empresa Setep, de Criciúma.
Até esta sexta-feira, será aplicada mais uma camada de asfalto antes do desvio dos veículos que trafegam pela rodovia. De acordo com o engenheiro responsável pela terraplenagem, Elias Dipp, a empresa já agiliza a fabricação das vigas. A previsão é de que o viaduto fique pronto de seis a oito meses.

Ontem, cerca de 25 trabalhadores estavam no trecho, um dos mais problemáticos da BR-101. Os trabalhos já chegaram a ser paralisados em diversas ocasiões e o contrato com o consórcio sofreu ameaças de rescisão.
Em seis anos, apenas 35,95% dos trabalhos de duplicação estão prontos no lote 25 (o percentual não inclui obras-de-arte especiais). Foram investidos R$ 78.437.616,67 até o momento. Para concluir, são necessários mais R$ 44.299.910,49.