Tatiana Stock
Tubarão

Não é a primeira vez que tubaronenses baseiam-se no personagem carioca “João Buracão” para chamar a atenção das autoridades em relação a problemas de pavimentação. Os moradores da Rua Tereza Cristina, no bairro Oficinas, além do boneco, construíram uma placa escrita “pesque-pague”.

Com só uma boca-de-lobo, a água não tem por onde escoar. A via foi patrolada terça-feira e os moradores protestam que, em vez de melhorar, só piorou. “A rua foi patrolada de manhã. O problema é que choveu à tarde”, justificou o secretário de desenvolvimento urbano de Tubarão, Nilton de Campos.

O aposentado Valmor Correa esmeraldino mora há 40 anos na região e conta que ele mesmo desentope a boca-de-lobo de sua rua. “Já fizemos inúmeros pedidos para a prefeitura e nada até agora. Quando chove, alaga tudo. Se eu não vou lá desentupir, piora ainda mais”, relata.

O autônomo José Matiola vive há 12 anos na mesma rua e confessa ser difícil conviver com os problemas. “Se chove, vira uma lagoa. Quando esquenta, sobe a poeira. Pagamos o IPTU em dia, a prefeitura tem que nos ajudar”, avalia.
O secretário informou que esse ano não há mais cotas para pavimentações: “Estouramos a cota para o ano. Só as que estão programadas serão realizadas”.

Mesmo assim, Nilton analisa a possibilidade de uma parceria com a comunidade. “A obra é dividida em três partes iguais entre a prefeitura e os moradores de ambos os lados da rua. Isso foi feito em vários locais da cidade e o resultado foi positivo para ambos”, sugere.
A alternativa evita uma licitação, o que agiliza o resultado para os moradores e barateia para a prefeitura. Questionado sobre a hipótese da parceria, o morador José responde: “Nunca ofereceram acordo aqui, até gostaríamos”.