Pelo menos cinco mil professores disseram não à proposta apresentada pelo secretário estadual de educação, Eduardo Deschamps (detalhe), nesta quarta-feira. Fotos: Daniel Queiroz/Notícias do Dia/Notisul.
Pelo menos cinco mil professores disseram não à proposta apresentada pelo secretário estadual de educação, Eduardo Deschamps (detalhe), nesta quarta-feira. Fotos: Daniel Queiroz/Notícias do Dia/Notisul.

Zahyra Mattar
Tubarão

Ao que tudo indica, o embate entre professores e o governo do estado está só no começo. Ontem, cerca de cinco mil docentes lotaram o Centro Sul, em Florianópolis. Por unanimidade, eles rejeitaram a proposta de pagamento do piso nacional do magistério, feita pelo governo quarta-feira. Na pauta, também a prospecção de uma nova greve.

Muitos votaram por iniciar o movimento já. Mas venceu a maioria e a paralisação está agendada: dia 17 do próximo mês. Nesta data, ocorrerá a segunda assembleia estadual da categoria.
“Se até esta data não houver uma proposta decente, entremos em greve por tempo indeterminado”, confirma uma das coordenadoras do Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) em Tubarão, professora Tânia Fogaça.
Neste tempo, serão realizadas ações nas cidades, para organizar a categoria. Assembleias regionais também estão previstas. As datas ainda não estão agendadas. A proposta apresentada nesta quarta-feira pelo secretário estadual de educação, Eduardo Deschamps, visa pagar o piso com o reajuste de 22,22% (R$ 1.450,87), mas apenas para os professores em início de carreira.

O reajuste do piso para estes educadores já constará na folha deste mês. O retroativo a janeiro e fevereiro será pago em duas parcelas (julho e setembro). Para os educadores com graduação e especialização, a intenção é dividir o pagamento do reajuste em três parcelas: uma este ano e as outras em 2013 e 2014.
“A proposta do estado achata ainda mais a tabela salarial e não valoriza o profissional. A lei é clara: o reajuste é para todos e não para um determinado grupo”, destaca Tânia.

Professores de Laguna fazem manifestação

Ainda que a prefeitura de Laguna tenha antecipado-se, e já anunciado que os professores da rede municipal receberão já na folha salarial deste mês o reajuste de 22,22% no piso, os docentes ganharam as ruas ontem em manifesto.
Uma das representantes da categoria, professora Sônia Clarindo, explica que o ato visa chamar a atenção para como será feito o pagamento do piso.
Segundo ela, conforme a negociação do ano passado, os educadores aceitaram abrir mão de 10% da regência de classe para que o piso fosse cumprido.
Agora, detalha, a prefeitura quer dar apenas 12% de aumento, porque julga que os outros 10% foram pagos em 2011. Hoje, uma reunião entre docentes e o prefeito Célio Antônio será feita para esclarecer o assunto.

Governo propõe diálogo para não prejudicar estudantes

Aline Torres*
Florianópolis

Hoje, na rede estadual catarinense, 640 mil estudantes dependem de um acordo entre professores e governo do estado para que as aulas não sejam paralisadas. Preocupado, o secretário da educação Eduardo Deschamps diz que aguarda a contraproposta dos educadores. “Queremos dialogar sem radicalismo. Para que os estudantes não sejam novamente prejudicados”, reiterou Deschamps.
No ano passado, a greve dos professores durou 62 dias. E obrigou que as aulas se estendessem até o dia 6 de janeiro, para o cumprimento das 800 horas exigidas pelo Ministério da Educação. O motivo do embate entre os manifestantes e governo é o mesmo do ano passado: a cumprimento da lei do piso do magistério.

Para Deschamps, o governo cumpre a lei. Ele considera que se a folha salarial for reajustada imediatamente, com os 22,22% de aumento para os 60.861 professores na ativa hoje, o governo gastará R$ 34 milhões por mês.
E é nesta conta que a proposta do estado esta baseada. Segundo Deschamps, para que o impacto nos cofres públicos seja amenizado, foi proposto o aumento integral para os professores em início da carreira.
Para o restante da categoria, a sugestão é pagar o valor em três parcelas iguais de 8%. A primeira este ano, e as outras em 2013 e 2014. Os docentes recusaram a proposta e entregarão uma nova discussão ao estado até o fim deste mês.

* Do Notícias do Dia, de Florianópolis, especial para o Notisul.