Zahyra Mattar
São Ludgero

O preço do milho ao criador teve um aumento exponencial neste fim de ano. O valor da saca de 100 quilos passou de R$ 15,00 para R$ 27,00. O reflexo direto é o aumento do valor da carne de frango para o consumidor final. Isso porque o custo da produção também fica maior para os empresários do setor. O mesmo é observado nas carnes bovina e suína.

Mas nenhuma delas aumentou mais do que o frango. O reajuste já chega a 50%. Para a carne bovina, o percentual de reajuste ficou em 20% em Santa Catarina e o suíno em 30%. E não há previsão para queda de preço do frango nos próximos meses.

Contudo, o produto costuma ter o valor final mais estável do que a carne bovina e suína. Uma das maneiras para frear este aumento, sempre motivada pelo custo da produção, está no atendimento de uma antiga reivindicação dos três setores produtivos: o subsídio de no escoamento do milho do centro oeste do estado para o sul.

O governo do estado ainda não se manifestou a respeito disso. E provavelmente será algo para a gestão de Raimundo Colombo (DEM). Atualmente, o milho corresponde a mais de 60% da alimentação dos frangos. Santa Catarina tem um déficit entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas do produto por safra.

“Já fomos líderes na produção avícola do país e perdemos o título para o Paraná. O mesmo é observado nas exportações. Ainda assim, conseguimos crescer 6% este ano. Somente por isso merecemos um maior incentivo do estado”, valoriza o presidente da Associação Catarinense de Avicultura, Clever Pirola Ávila.

Exportações devem crescer pelo menos 3% em 2001

A avicultura em Santa Catarina vinha em crise há cinco anos. Tanto na modalidade de aves de postura (produção de ovos) quanto na de corte (produção de carne), produtores e indústria de processamento literalmente penaram para manter os seus negócios. A produção tem custo alto. O retorno é bom, mas, para conseguir lucro, é necessário investimento.

No ano passado, a queda econômica no setor foi menor do que o período entre 2005 e 2008: 1%. A crise mundial foi a vilã. As exportações diminuíram. Agora, o setor voltou a aquecer e deve fechar 2010 com produção recorde. Até agora, a avicultura catarinense já registra 6% de crescimento no comparativo com 2009.

A projeção para 2011 é ainda mais animadora porque é projetado um aumento significativo nas exportações, especialmente para países do Oriente Médio, Índia e China, e abertura de novos mercados, como Indonésia e Malásia.

Para o presidente da Associação Catarinense de Avicultura, Clever Pirola Ávila, somente esta hipótese representa um potencial de crescimento de 3% a 4% nas exportações brasileiras. O segmento fechou 2009 com 3,6 bilhões de toneladas vendidas para o mercado externo.

São Ludgero dos ovos de ouro

Diferente do observado no ano passado, quando a avicultura catarinense fechou o ano com déficit de 1%, desta vez os produtores e empresários do setor têm muito o que comemorar. A projeção do setor é fechar 2010 com crescimento real de pelo menos 6%.
No Vale do Braço do Norte, São Ludgero é destaque estadual quando o assunto é a produção é ovos. Das aproximadamente 800 mil aves de postura espalhadas por granjas do sul do estado, 600 mil estão divididas nas propriedades 50 produtores do município.

Com uma produção de ovos de 85% a 90% por lote, a cidade dos ovos de ouro deverá ter um crescimento acima da média. “Não gosto de falar em percentuais porque as coisas mudam, mas pelo que observo junto aos produtores, passaremos do índice de 6%. Isto deve ser creditado a modernização das granjas”, destaca o secretário de agricultura da prefeitura, Matias Weber.

A atividade tem expressiva contribuição econômica para o município e deve tornar-se uma das principais no próximo ano. O empresário do setor de insumos Eli Roettgers, da Nutricenter Agropecuária, divide a mesma opinião. Há 35 anos no mercado, Eli analisa que mesmo o aumento do preço do insumo não deverá incidir como nos outros anos sobre o valor do produto final.

Atualmente, o produtor de ovos de São Ludgero lucro uma média de R$ 1,70 por dúzia do alimento. Para o consumidor, o valor final chega em R$ 3,00 aproximadamente. “Tudo depende do tipo, da classificação. Mas a atividade voltou a ser rentável”, valoriza Roettgers.

Produção de ave de corte é expressiva

Braço do Norte, Rio Fortuna e Grão-Pará também estão na rota avícola de Santa Catarina. Os três municípios são destaque no setor de aves de corte (produção de carne). O segmento tem participação expressiva na economia dos três municípios.
No frigorífico Ave de Ouro, em Braço do Norte, o fim de ano foi antecipado. O crescimento da atividade deste ano já reflete nos negócios. Além disso, a procura pelo produto, garante o proprietário da empresa, João Batista da Silva, está maior.

“Acredito que desta vez vamos deixar a crise para trás. O crescimento da avicultura no setor de aves de corte é reflexo da melhor qualidade nos produtos e da fiscalização, muito mais rígida hoje”, valoriza João Batista.
A estimativa do secretário de agricultura da prefeitura de Braço do norte, Adir Engel, é que a cidade tenha cerca de 700 mil frangos alojados a cada ciclo (entre o nascimento e o abate).

Cada ciclo gera uma renda aproximada de R$ 7 mil por aviário ao produtor. Uma propriedade tem média de dois a três granjas.
“Em Braço do Norte, a avicultura tem despontado. Vamos dar ainda mais condições em 2011, quando implantarmos a Fundação de Meio Ambiente”, anuncia o secretário.