Zahyra Mattar
Tubarão*

É certo que o ‘convercê’ entre os membros de partido, para definir os nomes às eleições municipais em outubro deste ano, iniciou já em 2007, mas é a partir de agora que o papo começa a ficar mais claro e ‘toma as formas’ de disputa. Pipocam previsões, análises, especulações. Todos querem saber ‘quem é quem’ na “corrida às cadeiras do poder”. Dentro dos partidos, a mobilização inicia propriamente esta semana. Democratas e peemedebistas, por exemplo, reúnem-se hoje e quinta-feira, respectivamente, para os primeiros diálogos do ano.

Alguns nomes estão bem cotados e definidos (pelo menos é o que se imagina até agora). Um exemplo é o médico Manoel Bertoncini, do PSDB. Ao que tudo indica sua candidatura é certa para comandar a prefeitura em favor dos tucanos. O teste em 2006 confere plenas condições ao doutor. Em Tubarão, ele foi o segundo mais votado para ocupar uma cadeira na assembléia.

Para o legislativo, os tucanos também dispõem de um time de peso: Jefferson Brunatto (atual vereador), Nilton de Campos (secretário de desenvolvimento urbano, rural e serviços públicos), João Batista de Andrade (secretário de segurança e trânsito), Haroldo Silva, o Dura (diretor da Cosip). E isto só para citar alguns poucos.

Democratas faz
reunião ordinária hoje

Desvinculado dos coronéis que fizeram o então PFL perder espaço em muitos municípios, o remodelado Democratas quer exatamente aquilo conquistado com a mudança de nome da sigla: renovação. Para o executivo, quatro nomes de peso incontestável são lançados: o médico Otto Feuerschuette, o atual vice-prefeito de Tubarão, Ângelo Zabot, o Con, o vereador Jairo Cascaes e o secretário articulação do estado, o médico Geraldo Althoff.

Os quatro têm história na política da cidade e grandes números de votos. A escolha por um deles é difícil. Seja quem for, garante o presidente do partido Dalton Marconi, terá que ser consenso. “Essa história de racha não pode existir. Mesmo porque o pensamento de todos é que este ano vamos para a cabeça-de-chapa na majoritária. Claro que podemos coligar, mas para vice. Tanto que a vaga ficará aberta para futuras discussões. Queremos tirar este estigma de noiva, de vice e, principalmente, de partido de elite”, adianta Marconi.

Na câmara, a lista de nomes se multiplica. Os mais cotados são: Jairo Cascaes, Gelson Bento e Cristiano Mariano. Entre as mulheres, são sete nomes, uma quantidade histórica dentro da sigla. E é provável que todas disputem uma vaga ou, pelo menos, que metade tente a câmara. São elas: Eliane Mendes, Estela Vitoratti, Mari Bressan, Salete Cristoti, Eza Zabot, Susana Nunes e Jacira Móro.

Hoje, às 19h30min, o Democratas reúne-se em uma sessão ordinária para discutir os nomes à prefeitura de Tubarão. Segundo Marconi, as conversas com Cascaes e o Con já ocorreram. Agora, o diretório buscará entendimento junto aos médicos Althoff e Feuerschuette.

No PT, o candidato já está
definido desde o ano passado

Enquanto nada se concretiza para a maioria das siglas, em outras o candidato já foi escolhido e anunciado. Caso do petista Olávio Falchetti. Seu nome é consenso no partido desde que não haja coligações. Se isso ocorrer, o próprio candidato garante que pula fora do barco.

“Esta é minha exigência e o partido aceitou. Meu desligamento é automático se houver qualquer chance de coligação. Acredito que somente desta forma haverá transformação na política. Quando os partidos se unem, a administração fica comprometida. Há brigas por cargos”, avalia Falchetti.

Ainda sobre esta questão: o candidato exigiu do partido que não ocorra compra de voto, distribuição de combustível e cestas básicas. A contração das formiguinhas (pessoas que ficam geralmente nos semáforos munidas de bandeiras e santinhos) está proibida. “Não sou melhor que ninguém. O PT não é melhor que os outros partidos. Mas isto é inaceitável para mim. Sei que a eleição é difícil, mas vou concorrer como os outros. Se não der, pelo menos terei a chance de soltar uma semente no vento. Uma hora ela vai encontrar um solo fértil”, decreta.

Para o legislativo, o PT sairá com o advogado Matuzalém dos Santos e o médico Aquilson Machado. Outros nomes estão cotados e algo mais concreto poderá ser definido já esta semana. O partido deve se reunir nesta quinta-feira para iniciar o planejamento das eleições.

PMDB decide o candidato à prefeitura nesta
quinta. Maurício e Genésio são os favoritos

Talvez por ser o maior partido de Tubarão em número de inscritos, o PMDB tem grande dificuldade em buscar plena união, principalmente quando o assunto são as eleições municipais. Uma prévia disto pôde ser observada no ano passado, quando ocorreu as eleições para a presidência do partido. Inicialmente, quatro chapas inscreveram-se.

Nesta quinta-feira, às 20 horas, os nomes para a prefeitura serão lançados aos membros votantes e eles terão a difícil missão de escolher um. Os mais cotados são o do vereador Maurício da Silva e o do deputado estadual Genésio Goulart. Se não houver problemas, é muito provável que o nome seja oficializado ainda na quinta-feira.

Porém, há sinais claros de fumaça e o circo pode pegar fogo. O edital para a pré-convenção foi publicado no dia 2 deste mês (sábado de Carnaval). Isto despertou o desgosto de muitos peemedebistas. “Alguns membros votantes do diretório receberam ontem a convocação. Eu recebi no dia 7 (última quinta-feira). Isto inviabiliza a discussão em torno dos nomes. Esta pré-convenção é legal, mas ilegítima. E vou argumentar isso na quinta-feira. Não sou contra a convenção, sou contra o processo de andamento do debate. Esta é a primeira reunião do ano e já vamos votar em nomes?”, indaga o pré-candidato Maurício da Silva.

Para o vereador, a única maneira de o partido sair completamente unido nesta eleição municipal é uma chapa pura. “Minha opinião é que não haja coligação. Podemos até buscar apoio de outros partidos, mas que seja só isso”, defende.

O estilo ‘mineirinho’ do PDT
Verdade que ainda é muito cedo para qualquer tipo de definição. No PDT, a “ordem” é pela preferência do “estilo mineirinho”. “Pela minha experiência, tem que ser mineiro. Então, estou mineiro. Tudo será apresentado no momento certo. Este ano, o PDT não quer número, mas qualidade. Por enquanto, só posso adiantar que vamos vir muito organizados e bem articulados”, despista o presidente da sigla, vereador Ronério Cardoso.

No legislativo pela terceira vez, Ronério reforça ainda que não participará do pleito de outubro. “Quero continuar no partido, continuar ativo na política. Mas sem disputar cargos”, confessa. A decisão veio já no ano passado. Mas ainda existem muitos que tentam convencê-lo do contrário. O ex-presidente da câmara, porém, é convicto e garante: “Não há chance de eu mudar de idéia”.