Apoiadores de Vitorassi tentavam espiar a reunião entre os funcionários da Coorsel e alguns conselheiros. Os funcionários pediam a realização de uma auditoria externa.
Apoiadores de Vitorassi tentavam espiar a reunião entre os funcionários da Coorsel e alguns conselheiros. Os funcionários pediam a realização de uma auditoria externa.

Karen Novochadlo
Treze de Maio

Uma multidão reuniu-se em frente à Cooperativa Regional Sul de Eletrificação Rural (Coorsel), em Treze de Maio, ontem. O conselho administrativo tentou realizar uma reunião para destituir o atual presidente da entidade, Ivanir Vitorassi, eleito este ano. O conselho está descontente com as políticas adotadas por Ivanir.
A reunião estava marcada para 15 horas. Por volta das 14 horas, já havia uma movimentação em frente à cooperativa. Quatro viaturas da Polícia Militar e sete policiais ficaram de prontidão. Felizmente, não precisaram entrar em ação. Eles foram acionados pela própria comunidade.

O conselho foi impedido de fazer a reunião por funcionários e partidários favoráveis a Vitorassi. Ainda tentaram reunir-se dentro da delegacia de polícia, que está fechada devido à paralisação da categoria, e em uma casa vizinha à cooperativa. Também foi levantada a possibilidade de se encontrarem em Orleans.

De acordo com o atual presidente, Ivanir Vitorassi, a reunião precisa ser dentro da cooperativa ou, caso contrário, não tem valor.
Também participaram alguns vereadores em favor do atual presidente. O Notisul tentou entrar em contato pessoalmente e por telefone com alguns integrantes do conselho. Nenhum deles se manifestou. Dos 45 funcionários da Coorsel, 38 participaram de um abaixoassinado onde reivindicam a permanência de Ivanir no cargo.

Presidente alega perseguição política

Ivanir Vitorassi, atual presidente Cooperativa Regional Sul de Eletrificação Rural (Coorsel), em Treze de Maio, alega ser vítima de uma perseguição política. Isso porque, depois que assumiu, começou a fazer uma investigação nas finanças da Coorsel e descobriu inúmeras irregularidades.

Ele aponta que as compras estavam superfaturadas entre 20% a 172% pela gestão anterior. Segundo Vitorassi, o salário de um integrante da gestão foi aumentado em 100% sem aprovação do conselho. Foi de R$ 7 mil para R$ 14 mil.
“Pedi ao conselho uma auditoria externa para apurar e esclarecer dúvidas. Mas isto foi negado”, conta Vitorassi. O presidente conta que um dos entraves é que os conselheiros fazem parte da gestão anterior e muitos apoiam o ex-presidente Geraldo Knabben.

Knabben foi demitido da função de engenheiro este ano por Vitorassi. O vereador Gilson Vitoretti explica que os parlamentares enviaram um oficio para solicitar, também, uma auditoria externa na empresa.
Ontem, acionistas da empresa acionaram o Ministério Público em Jaguaruna para pedir uma investigação nas finanças da empresa. Vitorassi suspeita que, nos últimos quatro anos, foram feitos desvios de mais de R$ 500 mil.

Vitorassi mostra a convocação para a reunião dos conselheiros. Ela só pode ser realizada dentro da sede da Coorsel, do contrário não terá validade