Priscila Alano
Tubarão

A reclamação é geral. As pessoas já não sabem mais o que fazer. As donas de casas e faxineiras não conseguem colocar as casas em ordem. Os órgãos públicos elaboram cronogramas de trabalhos para a recuperação das rodovias, mas, há suspensão em função do mau tempo. E muitas pessoas enfrentam dificuldades para se locomover, inclusive ir trabalhar.

O engenheiro civil Mauro Ingracio, da Defesa Civil de Tubarão, analisa que são necessários pelo menos 15 dias de tempo estável para que o solo encharcado seque e os trabalhos de recuperação nas estradas possam ser iniciados. “A umidade ainda está alta, por isso, nada seca. É normal o mês de maio ser chuvoso. Porém, a precipitação foi além do esperado e atingiu toda a região. Foram muitos os estragos causados pela enxurrada”, explica Mário. A malha viária do município é extensa e os estudos apontam que, para recuperar todos os danos, são necessários de seis meses a um ano de trabalhos intensos.

No relatório elaborado pela Defesa Civil de Tubarão, a cidade teve um prejuízo estimado de R$ 6 milhões. O coordenador do órgão, José Luiz Tancredo, afirma que os técnicos monitoram os recursos que podem ser liberados em Brasília. “Precisamos de recursos externos para recuperar a cidade”, desabafa Tancredo.

Recuperação das SCs
O secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, Haroldo Silva, o Dura, garante que operações tapa-buracos são realizadas constantemente nas rodovias da região. Porém, na reunião do conselho político empresarial para o desenvolvimento da região, em Braço do Norte, nesta sexta-feira, o presidente da Acivale, Sílvio Bianchini, solicitou que o governo tenha um plano de manutenção constante de rodovias. Bianchini sugeriu no encontro que fosse marcada uma audiência com o Dnit para providenciar a manutenção das rodovias da região, principalmente a SC-438, que liga Braço do Norte a Tubarão.

Mau tempo não colabora com ações
Secretários esperam o tempo estabilizar para reiniciar os trabalhos de recuperação. O secretário de desenvolvimento urbano da prefeitura, Nilton de Campos, está de olho na previsão do tempo, e espera dar continuidade aos trabalhos emergenciais na próxima semana. “Não conseguimos retirar asfalto e nem saibro das barreiras para fazer a recuperação das estradas. O tempo não tem colaborado”, lamenta Nilton. O secretário destaca que são necessários recursos externos para dar agilidade no cronograma de atividades.

O secretário de desenvolvimento rural da prefeitura, José Antônio De Piere, destaca que os produtores de feijão, arroz e os pecuaristas da cidade amargam prejuízos com as chuvas. Na pecuária, o problema é a pastagem, que está escassa. “Cerca de 10% das culturas deixaram de ser colhidas. A pastagem apodreceu, morreu antes do tempo. Alguns pecuaristas já perderam cabeças de gado”, relata Zezinho, que também espera a chuva cessar para iniciar a recuperação de pontes, pontilhões e vias rurais.

Previsão do tempo é animadora
O climatologista Rafael Marques avalia maio como um mês foi típico de outono, com temperatura amena. Porém, o que chamou a atenção foi a precipitação pluviométrica. A chuva no último mês causou uma série de transtornos para a região. Os valores ultrapassaram a média histórica. A estimativa era de 77 a 110 milímetros de chuva, mas o valor ficou em torno de três a quatro vezes acima do esperado. “O último mês foi o segundo mais chuvoso desde 1940 em algumas localidades”, compara Rafael. Já as previsões climatológicas para os próximos meses sugerem que a chuva e temperatura fiquem dentro da média na região. As temperaturas devem girar entre 12º C e 14º C, e a chuva em torno de 70 milímetros.

Índice pluviométrico de maio
Localidade – Chuva (mm)
Orleans – 318
São João (TB) – 488
Rio do Pouso (TB) – 396
Pedras Grandes – 335
Monte Castelo(TB) – 396
Jaguaruna – 374
Braço do Norte (BN) – 366
São Martinho – 387
Vila Moema (TB) – 358
Grão Pará – 274
Armazém – 362
S. Ludgero – 304
Sta Rosa de Lima – 387
Anitápolis – 330
Pinheiral (BN) – 380