Tubarão

Em tom alto ao telefone, o presidente da Associação Cultural da Região de Laguna, Wanderlei Vargas Fausto, diz estar indignado com as acusações que lhe foram imputadas. Garante ter como provar cada centavo enviado pela secretaria estadual da fazenda, via fundo social.

Conforme denuncia feita no Ministério Público de Tubarão, um montante de R$ 176.030,00, recebido pela associação no ano passado, para o desenvolvimento de três projetos, não teria sido aplicado nas ações propostas.
Wanderlei reforça que possui notas fiscais e canhotos de depósitos, entre outros documentos, que comprovam o investimento feito.

“O único erro que cometi foi ter mudado o local do evento e não ter informado”, explica, em referência à subvenção de R$ 84,8 mil, adquirida para promoção do projeto Natal Solidário. O espetáculo, agendado para o dia 20 de dezembro, no Estádio Anibal Costa, ocorreu, segundo Wanderlei, no dia 24, no Dingo’s Point Ball.
“Trabalhei a vida inteira com grandes empresas e nunca, mas nunca, faltou uma moedinha. Por que isso agora? Começaram a atacar minha família na internet. Para quê?”, indaga Wanderlei, em tom alterado.

O presidente também afirma que o MP não encontrará uma prestação de contas mais detalha do que a da entidade. “Não devo nada e vou provar isso”, assegura. E diz ainda que o endereço de registro da associação (na casa da mãe dele, no bairro São Martinho) não é irregular. “Precisávamos de um lugar para os encontros. É a casa da minha mãe sim e eu nunca escondi isso”, desabafa.

Associação Tubaronense de Músicos: R$ 147.037,28

Conforme o cadastro de pessoa jurídica, a entidade é de caráter privado e criada no dia 2 de março do ano passado para promover “atividades de organizações associativas ligadas à cultura e à arte”. Está localizada na rua Engenheiro Annes Gualberto, 2445, bairro Oficinas, em Tubarão.

Das quatro subvenções conseguidas pela entidade no ano passado, junto ao Fundo Social (juntas, referem-se ao envio de R$ 147.037,28), duas não tiveram as respectivas prestações de contas aprovadas.

A primeira, cujo pagamento de R$ 36,7 mil foi feito em 19 de outubro do ano passado, seria para a execução do projeto “Som na Praça 2”, a ser realizado no dia 24 do mesmo mês e ano, na comunidade da Madre, em Tubarão.

A outra, no valor de R$ 42.240,00 (enviado em 26 de outubro do ano passado), tinha como finalidade o projeto “Planeta Música Solidária”, no dia 31 do mesmo mês e ano. O evento, constituído em um misto de atrações musicais, culturais e artísticas, seria gratuito e realizado na praça central de Tubarão.

O outro lado
A Associação Tubaronense de Músicos também é implicada na investigação do Ministério Público de Tubarão. A acusação é a mesma: suposto desvio de verba de subvenção do fundo social. O Notisul tentou fazer contato com o responsável pela entidade, mas não conseguiu localizá-lo.

Associação Cultural da Região de Laguna: R$ 176.030,00

Conforme o cadastro de pessoa jurídica, a entidade é de caráter privado e criada no dia 7 de setembro de 2009 para promover “atividades de organizações associativas ligadas à cultura e à arte”. Está localizada na rua Nestor Pedro dos Santos, 116, bairro São Martinho, em Tubarão.

As três subvenções conseguidas pela entidade, no ano passado, junto ao Fundo Social (juntas, referem-se ao envio de R$ 176.030,00), não tiveram as respectivas prestações de contas aprovadas.

A primeira, no valor de R$ 45.080,00, cujo recurso foi enviado em 3 de novembro do ano passado, versa sobre a efetivação do projeto “Seja Craque, Não Use Drogas”. O objetivo era a impressão de dez mil cartilhas de prevenção ao uso do crack e outras drogas e 300 camisetas. O material seria distribuído para crianças e adolescentes.
A segunda subvenção, no valor de R$ 46.150,00 (enviado em 13 de novembro de 2009), seria para o projeto “Alegrar é Viver”. O evento cultural seria realizado no dia 28 de novembro, em Tubarão.

A última subvenção, cujo repasse de R$ 84,8 mil foi feito em 7 de dezembro de 2009, seria para a promoção do projeto Natal Solidário, na data de 20 de dezembro. Na justificativa, os organizadores prometiam a montagem de uma megaestrutura no estádio Anibal Costa para a apresentação, gratuita, de corais, bandas locais e outros grupos artísticos. A entrada seria um quilo de alimento não perecível. O arrecadado seria doado a instituições de caridade do município.