Tatiana Dornelles
Tubarão

A área escolhida para abrigar o futuro canil de Tubarão, ao lado do Horto dos Ipês, no bairro Monte Castelo, pode gerar ainda sérias discussões na cidade. Desta vez, o impasse gira em torno de um sambaqui, localizado exatamente onde deve ser construído o abrigo de animais de rua.
Segundo a coordenadora do Grupo de Pesquisas em Educação Patrimonial e Arqueologia (Grupep), a arqueóloga e integrante do Movimenta-cão, Deisi Scunderlick Eloy de Farias, o lugar escolhido é inadequado, pois é um sítio arqueológico datado de 3.240 e 3.370, ou seja, construído 1,5 mil anos antes de Cristo.

“O local é inadequado e a prefeitura deveria buscar outro ambiente para a construção do canil. Claro que não é impossível fazer lá, mas vários trâmites ambientais terão que ser realizados antes de iniciar a construção”, explica Deisi.
Para que a construção seja no local, será necessário fazer um estudo de impacto ambiental, um estudo arqueológico, além de algumas exigências do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). “Por isso, é mais complicado construir neste local. Teria que cercar a área de sambaqui. Seria mais fácil escolher outro lugar para a construção do canil. Mas também não é impossível, desde que seguidas as leis ambientais pertinentes. O município precisa ter esse cuidado”, orienta a arqueóloga.

De acordo com ela, um projeto sobre todos os locais mapeados (com sítios arqueológicos) foi entregue, há quatro anos, para as secretarias de agricultura, meio ambiente e turismo da prefeitura. “No documento, dizia que aquela área era um sambaqui e não cercaram o local. Além disso, o grupo de pesquisa está aberto para que a prefeitura possa entrar em contato e possamos unir forças em prol do canil, sem prejudicar os sítios”, ressalta Deisi.

Projeto deve ficar
pronto no fim da semana

De acordo com declarações do prefeito de Tubarão Manoel Bertoncini (PSDB), recentemente, o projeto do canil estaria pronto e, em cerca de seis meses, o prédio estaria concluído. Entretanto, o presidente do Movimenta-cão na cidade, engenheiro civil Francisco Beltrame, contesta as afirmações.

“Ouvi uma entrevista do prefeito em que ele dizia que o projeto estava pronto e o terreno definido. Mas há duas inverdades. Não existe projeto, no entendimento do Movimenta-Cão, pois nada foi mostrado à comunidade. Mandamos dois ofícios manifestando a nossa vontade de contribuir e até agora não obtivemos respostas. Há várias questões a serem debatidas. Por exemplo, não sabemos se o projeto contemplará os cães das cuidadores”, dispara Beltrame.

Quanto ao local onde será o canil, o engenheiro ressalta que é preciso planejamento. “Não se faz um projeto sem analisar a área em que será construído um prédio, se há ou não algum impedimento de ordem legal, ambiental”, argumenta Beltrame.

Segundo ele, se o projeto realmente existisse, deveria haver uma consulta quanto às questões ambientais. “Há laudos que comprovam haver um sambaqui no local. Lamentamos esta questão do terreno, mas, com união de forças, o canil sairá em breve. O Movimenta-cão está à disposição e com vontade de participar das ações”, acrescenta.

O chefe de gabinete da prefeitura e responsável pelo projeto do canil, Evaldo Tonelli, garante que a administração desconhecia o fato de haver um sambaqui no local. “Até agora, não sei nada. Pode ser que tenha. Se houver, será separado da obra e todos os cuidados serão tomados. Temos que delimitá-lo. O sambaqui terá o espaço isolado, será preservado”, garante.

Além disso, Evaldo compromete-se que o projeto estará pronto no fim desta semana ou início da próxima. “A prefeitura não tem interesse de invadir sambaquis. Resolveremos este problema e faremos a licitação para iniciar as obras”, assegura Evaldo.