Carolina Carradore
Tubarão

Nos primeiros sete meses deste ano, a câmara de vereadores de Tubarão gastou aproximadamente R$ 18 mil em diárias. O valor é equivalente a despesa gerada durante todo o ano passado. Os dados integram o relatório preliminar realizado pelo setor jurídico do legislativo.

O levantamento de gastos com viagens patrocinadas pela câmara foi um pedido do vereador Deka May (PP). O requerimento foi motivado após as denúncias contra o colega Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB). Ele foi flagrado por uma equipe de reportagem do Fantástico em uma praia no momento em que supostamente deveria estar em um curso para parlamentares no Recife.

O presidente da casa, João Batista de Andrade, o Sargento Batista (PSDB), quer ter em mãos até amanhã um relatório minucioso, onde estejam especificadas quantas viagens a trabalho e cursos foram feitos este ano por vereadores e funcionários da câmara, o roteiro e os gastos com cada umas. “Vamos ser rigorosos e estabelecer um limite”, antecipa Batista.

Critérios podem mudar

Quando um vereador de Tubarão viaja a trabalho ou para realizar um curso em alguma cidade catarinense recebe R$ 409,60 para a diária (com pernoite). Se for no popular “bate e volta”, o valor é de R$ 286,00.

Já quando saem dos limites do estado, os vereadores embolsam R$ 573,00 de diária com pernoite, ou R$ 401,00 para ir e voltar no mesmo dia. Os servidores, quando ausentam-se a trabalho ou para realizar cursos, também recebem os mesmos valores.
Conforme o presidente da casa, João Batista de Andrade, o Sargento Batista (PSDB), as viagens são comunicadas pelos vereadores a ele, que encaminha o pedido ao setor jurídico. “Eles analisam se há, ou não, impedimento para liberar o pedido”, detalha Batista.

Com o momento negativo em virtude das denúncias de mau uso de dinheiro público pelo vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), o presidente quer mudar certos critérios para propor limite nesses gastos. “Analisamos como outras câmaras atuam em relação as diárias para usarmos como exemplo. Temos que alterar algumas regras, verificar a real necessidade de viagens e estabelecer limites”, propõe Batista.

“Não matei, nem roubei”, diz Jarrão

Procurado pelo Notisul ontem, o vereador Geraldo Pereira, o Jarrão (PMDB), garante que não pretende licenciar-se dos trabalhos da câmara de vereadores. “Não matei, não roubei. Vou continuar a frequentar as sessões normalmente. Sou inocente”, antecipa.

Porém, ele não garantiu a sua presença na sessão de hoje. Argumenta que precisará viajar a Florianópolis. “Não sei se chegarei a tempo”, completa. O vereador reforça a sua defesa quanto as denúncia de que estaria na praia no momento em que deveria estar em um curso para parlamentares. “Eu estava de folga, já havia saído do curso. Isso que fizeram comigo é uma injustiça muito grande”, ressalta.