Tanara Cidade de Souza, 47 anos, é lagunense. Ela é formada em direito pela Universidade Federal de Florianópolis. Iniciou o seu trabalho como advogada em sua cidade, onde exerceu a profissão por 17 anos. E atuou expressivamente na área da família. Também por um bom tempo nas ações de defensoria pública. O lado social sempre lhe tocou e, durante um grande período, foi presidente do grupo de apoio a adoção, formado por várias entidades no município. Em 2004, entrou no processo político e candidatou-se a vereadora. Não se elegeu, mas, a convite do prefeito Célio Antônio, assumiu o que realmente lhe interessava na época, a presidência da Fundação Irmã Vera. Mas teve que abandonar este trabalho por decisão do governo para assumir a secretaria de saúde da prefeitura, de onde se afastou no mês passado para ser candidata a prefeita de Laguna.

 
 
Mirna Graciela
Laguna
 
Notisul – Por que ser candidata a prefeita de Laguna?
Tanara – O serviço na secretaria de saúde é desgastante, mas é gratificante. É a gente conseguir ajudar alguém em um risco de vida, o que mais ocorre, infelizmente. As nossas doenças estão cada vez mais graves. Poder tratar com carinho, sempre gosto que as pessoas desmistifiquem de que esta questão do SUS é para pobre. Trabalhei isto durante estes anos na administração para mostrar que o sistema único de saúde pode e deve ser de qualidade. Laguna tem um destaque por mostrar isto. Meu nome para a candidatura não surgiu do partido para a rua, mas da rua para o partido. A princípio, talvez não fosse, o partido optaria por alguém mais antigo, tem gente com mais história. Entrei em 1999. Acho que, na lógica, o candidato seria outro. As pessoas me perguntavam se eu seria a candidata e começaram a comentar isto. E o partido reconheceu que eu seria o nome mais bem visto pela população para tentar a sucessão do Célio Antônio. 
 
Notisul – Como você tomou a consciência disso, que a população desejava? 
Tanara – Não tinha pensado nesta hipótese. As coisas aparecem na nossa vida sem planejar. Lógico que tu tens uma conduta que te leva para um caminho. Se eu não tivesse me esforçado, não teria o mérito de ser reconhecida. Mas nunca pensei ‘vou fazer assim porque quero isso’. Foram espontâneos o trabalho e a receptividade da população. Foi isto que me fez abraçar a causa. Sei que a administração municipal é outro desafio, mas acredito na minha capacidade, não sou de colocar o meu nome para apanhar. Tenho metas. Não vou colocar meu nome, a minha família, minha história, minha vida em jogo. Vou para a disputa da história de Laguna para ser a melhor prefeita da cidade, não tenho outro objetivo, senão não iria, para ser igual aos outros, não é isso que eu quero. 
 
Notisul – Como secretária de saúde nestes sete anos, o que foi feito?
Tanara  – Quando iniciamos o trabalho na secretaria de saúde, o órgão vinha de um processo bem sacrificado. Por exemplo: investimentos na área de medicação. Assumimos com uma situação difícil. Licitamos em 2005 R$ 470 mil em medicamentos, então elevamos o que antes era de R$ 70 mil para R$ 400 mil a mais. Nossa licitação hoje gira em torno de R$ 1 milhão. Todos os remédios distribuídos nas unidades e Policlínica. Se atendemos com cardiologista, por exemplo, a medicação que ele prescreve temos que ter. Lógico que temos dificuldades. Remédio vai ser problema sempre, porque tem as encrencas que não conseguimos eliminar por conta do processo licitatório e as burocracias. Mas há a satisfação da população em relação ao atendimento das unidades. Implantamos a fisioterapia domiciliar. Desconheço outra cidade que tenha isto. A Policlínica é uma obra que trouxe para Laguna trabalho de qualidade, serviço de ponta na área de especialidades médicas. São 13 mil atendimentos ao mês. Cerca de 300 receitas por dia. Também implantamos o Centro Materno Infantil, que trabalha a saúde da mulher e da criança, com profissionais de várias áreas. E também a mudança na forma de administrar, abrimos a secretaria para os servidores, deixamos eles opinarem sobre a melhoria da qualidade, eles têm esta liberdade.    
 
Notisul – Qual a sua avaliação da administração do atual prefeito?
Tanara – O prefeito Célio Antonio tem uma capacidade muito grande de captar recursos, é um articulador fantástico. Ele consegue ir a Brasília como a gente vai ali ao lado comprar um pastel. Sabe o caminho para trazer recursos. Avalio que se esforçou ao máximo para fazer Laguna crescer em obras. A reforma da biblioteca, o museu, o Memorial Tordesilhas, compramos o Cine Mussi, além da orla do Mar Grosso, uma obra de mais de R$ 2 milhões, a orla do Farol de Santa Marta, entre outras. Laguna por muito tempo não teve ações. Talvez a expectativa das pessoas é que se resolva tudo em oito anos e não é possível. Pegamos o município com R$ 4 milhões de dívidas. A folha dos servidores tinha três meses de atraso e o décimo terceiro era pago em abril, maio do ano seguinte. Também a secretaria de saúde com vários pagamentos a fornecedores atrasados. O hospital, por exemplo, tinha um repasse do município de R$ 7,5 mil e estava atrasado. Hoje, o mesmo repasse é de R$ 49 mil. Tudo isso ele resgatou. Atualmente, o comércio quer vender para o servidor, o que antes não ocorria. 
 
Notisul – O que faltou ser feito?
Tanara – Um olhar mais carinhoso, caprichoso. A cidade pode ser mais bonita, o banho de loja, o detalhe, o acabamento. Acho que essa é a diferença da administradora e do administrador. A gente olha tudo, abre o olhar. Precisamos melhorar muito a questão do turismo com uma infraestrutura mínima. São estes detalhes que talvez a administração tenha pensado no macro e não visualizou o pontinho.
 
Notisul – Qual é a arrecadação hoje do município?
Tanara – Precisa não tenho. Como estou muito focada na saúde, trabalho com o orçamento desta área. O problema é que a arrecadação é baixa e temos uma ausência do pagamento do ITPU muito grande, uma inadimplência na faixa dos 40%. Possuímos um aumento no início do ano, depois temos que segurar no tranco. Por isto, reconheço o esforço do prefeito em cumprir com as obrigações de compra e pagamento de salários. Ele nunca atrasou. 
 
Notisul – Se eleita, serás a primeira prefeita de Laguna…
Tanara – É um risco, um desafio não somente pela história de Anita, mas também pela própria presidenta. É uma revolução termos eleito a primeira presidenta mulher. Ela está fazendo um ótimo trabalho. Quem não votou nela reconhece. A mulher tem um aprovação de 80%, isto é compromisso para nós. Como vou disputar as eleições, se Deus nos abençoar, vamos ganhar. Como é que eu vou me espelhar e não ser parecida com quem eu me identifico? Temos um compromisso muito grande. O meu espelho é Anita Garibaldi e Dilma. O risco que eu falo: é assumir para mim o desafio. Eu poderia ficar acomodada e deixar outra pessoa disputar, mas eu quis assumir o risco de mostrar que sou capaz, que tenho condições de fazer mais pela minha cidade. Provei que posso pela minha gestão na saúde e pretende mostrar mais ainda. 
 
Notisul – E  qual a avaliação do teu provável adversário, Everaldo Santos?
Tanara – Fica complicado, porque, se eu te disser que o conheço, estarei mentindo. Não conheço como pessoa, nunca conversei com ele sobre suas opiniões, o que pensa sobre educação, saúde, e outras áreas. Então, não tenho uma opinião formada sobre a sua personalidade. Espero que o objetivo dele também seja de construir a cidade cada vez mais positivamente. Conheço Everaldo do período que a gente está na câmara. Uma avaliação muito superficial. Ele é uma pessoa popular,  tem um carisma, está presente nas comunidades, mas nunca demonstrou uma capacidade administrativa, e a gente tem que avaliar isso. Ele nunca passou em nenhum momento por uma administração onde tivesse que gerir um fundo, de certa forma, controlar um serviço a ser realizado. 
 
Notisul – Com quem o PT estará coligado?
Tanara – Hoje, estamos coligados com o PR e o PRB, mas ainda não fechamos nossa composição. Tem a possibilidade de nós termos a aliança ampliada com, pelo menos, mais dois partidos. 
 
Notisul – Em Laguna, cobra-se muito pelos problemas das estradas. Primeiro, as ruas do Centro Histórico, que ficaram cheias de ondulações… 
Tanara – Fizemos um investimento no Centro Histórico em dois momentos. Num primeiro, por ação do prefeito, foram captados alguns recursos via Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para a recuperação do Centro Histórico. Foi quando se fez a primeira ação de repavimentação, foi o primeiro eixo da pavimentação. Esta primeira, que foi de responsabilidade do Iphan, não se previu a camada base para dar sustentabilidade à pavimentação que seria colocada, os pavers. Naquele momento, a equipe de arquitetos que realizou o projeto entendeu que não seria necessário, o que foi errado. Quando fizemos o segundo lote da pavimentação, que foi do Cine Mussi até o Colégio Stella Maris, ali já foi feita toda a base, tanto que aquele trecho não teve problema. Quem mora em Laguna há mais tempo lembra que todo aquele trecho não tinha calçada, era areia do mercado até o Stella Maris. Hoje, é todo pavimentado com calçadas de até três metros de largura, dos dois lados. Como houve esse problema, o município licitou com recursos próprios a colocação da base, que está sendo refeita e praticamente estará finalizada até o fim do mês. 
 
Notisul – E a avenida Castelo Branco?  
Tanara – Tem um custo muito alto, é extensa, não são qualquer R$ 4 milhões que vão fazer aquela rua. Então, por conta da questão de arrecadação, não tinha dinheiro disponível para aplicar naquela rua este montante. A administração municipal tem que fazer algumas escolhas. Acredito que discutir, reabrir o diálogo com o Laguna Internacional é o ideal, porque é um devedor do município, tem uma dívida de IPTU enorme. Então, também deveria pagar para aquela avenida ser pavimentada. 
 
Tanara por Tanara
Deus – Toda a força que tenho.
Família – É minha base. É Tudo para mim.
Trabalho – Preciso ponderar, pois não posso deixar ser o principal fator de minha vida. Sou cobrada pela minha família. 
Passado – Boas lembranças, procuro viver cada dia sem chorar o leito derramado.
Presente – O que consigo fazer, é minha realização, vivo hoje e não me preocupo em ser o que não sou.
Futuro – Está nas mãos de Deus e naquilo que a gente se programou em viver, estou disposta a assumir este compromisso e enfrentar as dificuldades.
 
“Penso em fazer uma gestão extremamente democrática. Acho que a população tem que ser ouvida e é co-responsável pela administração. O êxito da administração também é responsabilidade da população naquilo que vai escolher de prioridade para o município. O orçamento participativo é ponto pacífico. Vamos discutir com as comunidades onde querem que sejam utilizados os recursos. Sempre gostei de ouvir as pessoas, não sou senhora de tudo. Num outro momento, na questão turística, Laguna precisa de um investimento muito forte. Precisamos melhorar a infraestrutura e fomentar nosso calendário turístico. E temos que trabalhar isso o ano todo. Resgatar as ações de inverno. Nós somos a cidade que temos o camarão e não temos a festa do camarão. Então, são coisas que estão em nossa mente para desenvolver. A tainha a mesma coisa. São atividades culturais do município e, ao mesmo tempo, turísticas. Existem muitas alternativas, criação de trilhas, por exemplo. Na questão da educação, defendo uma gestão democrática. Isto significa eleição para diretor de escola, acho que é responsabilidade dos pais e alunos escolherem o seu gestor".
 
"Precisamos trabalhar a sustentabilidade. Não existe uma forma de vivermos em nosso planeta se não criarmos responsabilidade”.
 
“Estou encaminhando para a câmara o projeto de obrigatoriedade do recolhimento do óleo de cozinha para restaurantes e estabelecimentos grandes, como hotéis”.