Foto:Priscila Loch/Notisul
Foto:Priscila Loch/Notisul

Com 44 anos recém-completados, Edenilson Montini da Costa (PMDB) está no terceiro mandato como vereador e foi eleito prefeito de Jaguaruna em outubro. Para ele, o crescimento econômico do município passa necessariamente pela elaboração de um plano de turismo e outro de desenvolvimento local e, é claro, por investimentos no Aeroporto Regional Sul Humberto Ghizzo Bortoluzzi.

Priscila Loch
Jaguaruna

Notisul – Você vai assumir a prefeitura em janeiro, bem quando Jaguaruna está tomada por turistas e veranistas e, consequentemente, há mais problemas estruturais para resolver. O que você e sua equipe têm feito no sentido de planejar o início do governo e evitar maiores dores de cabeça?
Edenilson – No começo de gestão é notório, com a experiência que tenho com os três mandatos como vereador, que é o pior período que existe, principalmente em Jaguaruna, que é um município com 20 mil habitantes e no Réveillon chega a quase 200 mil pessoas. No verão, principalmente nos fins de semana, a média é de 120 mil pessoas. E isso tudo claro que traz mais trabalho e responsabilidade à gestão. Já sabemos da situação que vamos encontrar, mas tudo o que pretendemos fazer vai depender muito também da transição de governo, que ainda não ocorreu, mas está marcada para iniciar na próxima segunda-feira. Diante disso, vamos nos inteirar melhor sobre como está a situação do governo e estamos com a equipe preparada para no início da nova gestão e já tomar as providências, principalmente com relação ao recolhimento de lixo e limpeza das praias. Tem também os acessos, que estão bem precários e vamos fazer um paliativo até que consigamos recursos para que possamos fazer um trabalho de melhor qualidade. Também nos preocupa a saúde, no verão aumentam muito os atendimentos. Os moradores e veranistas têm nos cobrado com relação aos eventos. Estamos nos preparando. Já sabemos que a prefeitura não terá dinheiro para isso, mas estamos em busca de patrocínios e parcerias para que ocorram, principalmente o Verão Quente, nos principais balneários do município.

Notisul – Falando em verão, um dos balneários mais procurados é o Camacho, onde os donos de residências têm clamado há muito tempo pela manutenção de um posto da Polícia Militar também durante a baixa temporada, principalmente em decorrência dos altos índices de arrombamentos e furtos. A justificativa apresentada é que o efetivo é insuficiente para atender a demanda de todo o município. Como é possível intervir neste caso?
Edenilson –
Não é só em Jaguaruna, mas notamos que cresceu muito a insegurança. A preocupação é muito grande! Claro que não é uma responsabilidade do governo municipal, mas também temos que ser parceiros e ir em busca de soluções. Sempre cobrei como vereador, assim como os demais edis, e é preocupação do atual prefeito esta solução para a segurança da nossa cidade. E, devido à procura de pessoas para resolver o problema, passaram-no que o motivo maior é a falta de efetivo. Estamos pleiteando, por meio de nossos deputados, uma solução. Vamos fortalecer essa reivindicação, para que Jaguaruna como comarca se transforme em uma companhia. Dessa forma, vem mais efetivo. Vamos também incentivar que os moradores façam a sua parte, com a criação dos Consegs. Poucas comunidades têm o conselho e vamos procurar apoiar para que sejam criados em todas as localidades. Claro que não resolve o problema, mas ameniza a situação.

Notisul – No seu Plano de Governo, você fala em trabalhar por uma cidade economicamente viável e ambientalmente correta. De que forma pretende alcançar esse objetivo na prática?
Edenilson –
Jaguaruna é um município em que todos os gestores queriam fazer o melhor e deixar sua marca. Mas não foi pensado no futuro. Todos os planos de governo, independente de partido, falavam muito em turismo. Jaguaruna tem um potencial turístico enorme, mas sequer foi desenvolvido um projeto de turismo até hoje. Daí digo que os gestores acham que o que eles começaram têm que terminar em seu mandato, e eu não vejo dessa forma. Com o potencial que existe, é preciso criar um plano de turismo, que é, sem dúvida nenhuma, uma indústria sem chaminé e, com o Aeroporto Regional, vamos ter que começar, tirar do papel. Além do turismo, tem o Desenvolvimento Econômico Local (DEL). Temos que planejar o município como um todo, da mesma forma, para daqui a 20, 30 anos. Aí os próximos prefeitos que vierem já vão ter o plano de governo pronto, pois o projeto tem que ter um seguimento e qualquer prefeito que entrar depois vai ter que prosseguir, porque vai ser desenvolvido com apoio das entidades, da sociedade, de técnicos. Serão prefeitos de plantão. Claro que aquele que buscar mais recursos para desenvolver o plano vai se destacar mais. Se não planejar, não vamos sair do lugar.

Notisul – Que outros potenciais podem ser mais bem explorados?
Edenilson –
O Aeroporto Regional vai desenvolver a região, não falo só de Jaguaruna. Içara, por exemplo, já está se planejando para se desenvolver por meio do Aeroporto Regional. Lá, estão criando um porto seco, pois estão vendo o que vai ocorrer. Eu já falava isso antes e o governador do Estado esteve há poucos dias em Tubarão e falou o que eu sempre digo: o aeroporto regional vai ter um potencial muito grande porque vai se transformar em aeroporto de cargas. É o único aeroporto de Santa Catarina que tem capacidade para receber cargas, com espaço já em planejamento para ampliar a pista. Com isso, automaticamente, vamos ter empresas se instalando, vamos ter empregos, renda e, com certeza, a região vai se desenvolver muito.

Notisul – O Aeroporto Regional Sul Humberto Ghizzo Bortoluzzi já rende os frutos esperados para o município? Pavimentar o acesso por dentro da cidade aparentemente é a melhor forma de incrementar os resultados…
Edenilson –
É claro que Jaguaruna não se preparou ainda para o potencial que desenvolve o Aeroporto Regional. O acesso, sem dúvida nenhuma, é um progresso para o município e, mesmo sem o asfalto ainda, muitas pessoas se deslocam até o aeroporto passando por dentro do município. Com o acesso pavimentado, mais pessoas devem entrar em Jaguaruna e conhecer a cidade. É uma obra que vamos, desde o primeiro momento da nossa gestão, procurar agilizar para que saia o mais rápido possível, até porque vai ajudar a desafogar o trânsito no verão.

Notisul – Falando em pavimentação, com a liberação da nova ponte de Congonhas, na divisa com Tubarão, será hora de pensar em buscar o asfaltamento da Estrada de Jabuticabeira. Inclusive, a ponte da comunidade também precisa de intervenção urgente. O que pretende fazer a respeito?
Edenilson –
Até estou me surpreendendo com a agilidade na construção das cabeceiras da Ponte de Congonhas e me preocupa muito a Ponte de Jabuticabeira, que está precisando de uma reforma. Aliás, já não vejo mais que uma reforma resolva, pois a estrutura precisa ser de concreto, pois não adianta a gente ficar gastando e gastando com reformas por algo que não tem dois anos de duração. Tem que se programar para que faça uma nova, para que não venha mais causar transtornos. Estamos tentando ver se ela se enquadra nos requisitos das pontes da Defesa Civil do Estado, pré-montadas. Neste caso, a prefeitura teria que arcar com as cabeceiras. Conversando com o atual prefeito, pedi que ele solicite ao engenheiro da Amurel que faça um levantamento para ver se enquadra nesse projeto da Defesa Civil, aí veríamos o custo e se a prefeitura teria como construir as cabeceiras o mais breve possível. Tenho certeza que vai haver muitos transtornos após a conclusão da Ponte de Congonhas. Além disso, tem mais um pontilhão à frente, mas é mais fácil de resolver. Quanto à pavimentação, é preciso primeiro fazer o projeto. O deputado Edinho Bez (PMDB) comprometeu-se em brigar para que essa obra ocorra. Também temos muitas portas abertas com vários outros deputados federais e estaduais. Inclusive, o vice-governador do Estado (Eduardo Pinho Moreira) também já se colocou à disposição, o senador Dário Berger (PMDB) também. Enfim, temos várias portas abertas para buscar recursos para desenvolver os projetos. Sabemos que o município não tem condições de fazer, mas temos que correr atrás. Assim, tenho certeza que conseguiremos trabalhar muito pelo município.

Notisul – E como é possível desenvolver uma política pública voltada ao turismo?
Edenilson –
Para isso, temos que elaborar o plano. Em Jaguaruna, temos inúmeros atrativos turísticos. Temos o sambaqui, que era o maior do mundo e deixou de ser pelo descaso que vem ocorrendo. No governo Claudemir (Souza dos Santos, ex-prefeito), o sambaqui foi cercado, foram colocadas placas, mas hoje não existe mais nada disso. Pessoas de moto fazem trilha lá em cima. É um descaso total. Temos umas das maiores dunas do Brasil, temos o Morro do Careco, no Campo Bom, que já foi notícia em rede nacional. Temos o tow-in, que também não recebeu mais apoio do poder público e vamos voltar a apoiar porque divulga o município nacional e até internacionalmente. Temos as lagoas muito bonitas, enfim inúmeras situações que podem ter melhor aproveitamento. O chuveirão, por exemplo, se apresentar em outras cidades vai ser um sucesso. Temos um projeto, feito pela Águas de Jaguaruna, de fazer um mirante para olhar a Lage da Jagua. Precisamos de projetos e que o plano seja implantado para ir atrás dos recursos para desenvolver. Temos ideias de fazer decks nas principais praias de Jaguaruna, nos acessos. Mas tudo temos que fazer os projetos e buscar recursos para desenvolver. Jaguaruna tem um potencial muito grande, mas primeiramente temos que planejar. 

Notisul – Qual a atual situação da administração municipal de Jaguaruna hoje?
Edenilson –
Temos conhecimento pelo que notamos por fora. A partir da próxima segunda-feira, com o início da transição de governo, vamos ter um conhecimento mais real. Mas notamos que hoje, principalmente na saúde, assim como no Brasil todo, muitas situações podiam ser diferentes. Não podemos deixar três ou quatro meses as pessoas sem remédios, não pode deixar as pessoas ficarem sem médico. E foi notório, nessa gestão, o descaso com a saúde. E posso dizer que uma das principais bandeiras da nossa administração vai ser melhorar esta área. Outra preocupação que temos é o Hospital de Jaguaruna, que não é de responsabilidade do município, mas que sempre o governo tem sua participação. Informações extraoficiais apontam que as dívidas do hospital ultrapassam R$ 10 milhões, não tem mais filantropia, negativas, está praticamente estourando. Hoje, essa é nossa maior preocupação na saúde. Vamos rever formas para que continue de portas abertas. Vai ser uma tarefa muito difícil, mas acredito que com uma parceria com o Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Tubarão, busquemos uma solução. Tivemos uma reunião, nesta semana, na qual nos passaram toda a situação do hospital de Tubarão e os atendimentos feitos para os municípios da região. Posso dizer que hoje o hospital de Jaguaruna é um prontoatendimento, pois os procedimentos maiores são encaminhados a Tubarão. Por isso, temos que ser parceiros para que, quem sabe, sejamos um braço auxiliar do hospital de Tubarão, de retaguarda, que poderia aliviar a ocupação dos leitos. Já na educação, estamos observando fatos que poderiam render uma economia muito grande e, com isso, investiríamos mais no setor. Esta retenção financeira vai ocorrer também por meio dos cargos comissionados.

Notisul – Você pretende fazer um enxugamento?
Edenilson –
Mais de 70%. Antes das eleições, havia aproximadamente 90 cargos comissionados. Hoje, dá para trabalhar com 20. Vamos fazer isso em um primeiro momento, até porque não tem como fazer diferente. A prefeitura está praticamente ultrapassando o limite de gastos com a folha de pagamento, que é 54%. Temos que fazer esse corte urgentemente, senão a prefeitura não é mais viável. Outra secretaria que nos preocupa é a de agricultura, onde vamos fazer um levantamento grande para atender melhor os agricultores, pois as maiores fontes de renda de Jaguaruna ainda é a agropecuária. Temos que dar um suporte maior, principalmente para o pequeno agricultor. Já estamos nos preparando para fazer esse levantamento. Já nos deram uma ideia. Sempre digo que sou muito invejoso, tudo o que funciona em outra cidade eu vou procurar me informar para implantar em nosso município. Se não tiver planejamento, redução de gastos e mais qualidade de atendimento, não funciona.

Notisul – Durante a campanha, você falou sobre oferecer ensino integral. Como fazer isso?
Edenilson –
Refiro-me às crianças, pois muitas mães não têm onde deixar os seus filhos enquanto trabalham e acabam perdendo a renda da família. A creche do município é outra novela. Hoje, as crianças são atendidas dentro do CEI Maria Cândida, que é um braço da prefeitura, mas não é do município. A prefeitura dá todo o suporte. A creche pertence à administração começou a ser construída em 2009 e até hoje não foi concluída. Porém, lá no Ministério da Educação, onde estive depois da eleição, consta que a creche está concluída desde 2014. Agora, por meio da Amurel, devemos fazer um levantamento para verificar a viabilidade de concluir a obra. Só que serão necessários recursos próprios, devido esse documento que está no MEC indicando que a creche está concluída. Vamos ver quanto precisa ser gasto para terminar, vamos ter que pedir também apoio do judiciário para que possamos investir e saber para onde foi esse dinheiro, o que ocorreu? Acredito que consigamos concluir no primeiro ano e, com isso, a partir de 2018 vamos ter onde abrigar muitas crianças em período integral e as mães poderão trabalhar. Fica no bairro Beija-Flor, e terá aproximadamente 230 vagas.

Notisul – O que podemos esperar do seu mandato durante os quatro anos?
Edenilson –
Pensamentos e desejos temos um monte, mas tudo tem que ser dentro do que realmente é possível. Vamos fazer inúmeros projetos. Temos muitas portas abertas e isso foi demonstrado durante a campanha, quando vários deputados estiveram em Jaguaruna e se colocaram à disposição. Inclusive, nessa viagem que fiz a Brasília posso dizer que temos muitos convênios já firmados para o município, devido esse apoio. No Estado, não é diferente. Acredito que Jaguaruna, durante esses quatro anos, ganhará inúmeras obras. Temos quase 40 quilômetros de praias e precisamos desenvolver mais o esporte no interior do município. E já estamos pleiteando mais dois ginásios de esportes, quadra de futebol suíço e pista de skate. Esse é um compromisso nosso. Além disso, tem as obras de infraestrutura. Esplanada, Campo Bom, Arroio Corrente e Camacho são praias bastante habitadas que precisam de melhorias nas ruas vicinais. Os acessos paralelos à praia também. Além de manutenção, pretendemos buscar a pavimentação desses acessos. E vamos brigar também para que seja implantada a Interpraias, uma obra federal. Já existe o trecho em Laguna e um pedaço em Jaguaruna, no Camacho, e queremos que chegue até o Rincão. É uma obra muito importante que vem para contribuir com o turismo de Jaguaruna. Temos também que pensar em construir pontes de concreto, pois pontes de madeira já foi a era. São cerca de seis pontes e oito pontilhões. São inúmeros os anseios que temos e vamos buscar. Mas o principal de tudo isso, mesmo que Jaguaruna não ganhe nenhuma obra, elaborar os planos de turismo e e desenvolvimento local já vai ser um ganho muito grande para o município.