Foto: Priscila Loch/Notisul
Foto: Priscila Loch/Notisul

A coligação Novo Experiência Trabalho, composta por PP, PSD, PSB, PPS, DEM, PRB e PC do B, tem o progressista Joares Ponticelli como candidato a prefeito de Tubarão e o pessedista Caio Tokarski como vice. Aos 51 anos, Joares Ponticelli é professor, foi vereador, deputado estadual por quatro mandatos, presidente da Assembleia Legislativa e concorreu ao cargo de vice-governador na última eleição, em 2014. Caio, 37 anos, é advogado, vereador da atual legislatura e foi secretário executivo da Agência de Desenvolvimento Regional.
 

 

Priscila Loch
Tubarão

 

Notisul – O que os credencia a serem prefeito e vice de Tubarão?
Joares –
Acredito que a experiência que acumulei ao longo de 20 anos de vida pública, como vereador da cidade, como deputado estadual por quatro mandatos, como presidente da Assembleia e até como governador do estado, mantendo uma conduta que é exigência do cidadão, por manter minha ficha limpa, honrando os votos. Estou preparado para governar a cidade, pelas portas de relacionamento que podemos abrir, por aquilo que construí, pela experiência que adquiri, conhecendo administrações em todo o estado. Esses 16 anos de mandato me permitiram visualizar o estado e as administrações municipais de um outro ângulo. Essa vivência toda pode nos ajudar a fazer uma administração melhor. Os relacionamentos que construímos também junto ao governo federal. Eu presidi uma entidade que reúne os 1.059 deputados estaduais do Brasil, com líderes de todos os estados. E isso pode facilitar a busca por parcerias. Mas acredito que, acima de tudo, a forma como geri a presidência da Assembleia Legislativa, criando oportunidades e parcerias com instituições e entidades, foi a grande experiência que adquiri para trazer aqui para  a cidade. Quando presidente da Assembleia, reconstruí alguns relacionamentos que já não existiam mais com diversas instituições. E foram essas parcerias que ajudaram a fazer uma boa gestão, que teve resultados e ainda nos permitiu economizar para devolver, ao final do mandato, em torno de R$ 50 milhões ao executivo. Acredito que com essas parcerias, chamando as entidades, as instituições, dialogando muito, vamos poder encontrar as soluções para resolver os principais problemas da cidade.
Caio – Eu não tenho a mesma trajetória do Joares. Até porque em Santa Catarina poucos homens públicos têm uma trajetória tão vitoriosa como ele tem. Mas entendo que, apesar da pouca idade, eu já fiz uma caminhada, tanto partidária como na vida pública, com quase dois mandatos de vereador, como secretário regional, como secretário da prefeitura de Tubarão e com a experiência que tive em São José, a quarta maior cidade de Santa Catarina, que me deu muito gabarito para poder, junto com Joares e esse time que nos acompanha, enfrentar esse desafio e construir algo bom para Tubarão.

Notisul – Como vocês veem a cidade no passado, no presente e no futuro?
Joares –
O município de Tubarão vem perdendo espaços de liderança ao longo dos últimos anos. Tubarão já liderou o grande sul catarinense. Depois, perdeu essa condição e passou a liderar apenas a microrregião, e nós hoje estamos com essa liderança microrregional ameaçada por outros municípios. Fico feliz com o crescimento dos outros, mas fico desconfortável com essa letargia, com essa falta de reação. Tubarão tem pressa e precisa reagir. Nós temos o dever de liderar a região. Somos cidade polo e como tal temos que ser protagonistas do desenvolvimento da região. Estamos em uma localização privilegiada, temos todos os instrumentos de liderança à disposição. Somos cortados pela BR-101, que agora está duplicada. De um lado, temos o Aeroporto Regional funcionando, de outro o porto, completamente ativo. Quando o crescimento do Brasil for retomado, e isso vai acontecer muito em breve, em Santa Catarina a região que mais vai crescer é o sul. E nós precisamos estar prontos para liderar, para protagonizar esse processo de liderança. Tubarão tem essa obrigação, exatamente pela sua condição de cidade de liderança regional. A galeria de ex-presidentes da Amurel, que, nas últimas administrações não foi presidida por Tubarão, é uma demonstração de que foi deixada de lado essa questão de liderança regional, como se isso não importasse. E isso é vital. Agora, temos mais um equipamento que pode facilitar isso, que é a Arena Multiuso, um grande presente que o governo do estado nos deu, um grande investimento que a cidade recebeu. Se tivermos habilidade e, numa parceira público-privada, podemos fazer acontecer, com eventos esportivos de repercussão estadual e nacional, eventos sociais, culturais. Vamos resgatar essa condição de liderança regional por atrair de novo as pessoas para cá. Tem que ter decisão, vontade política. O administrador de Tubarão tem que ter o desejo de ser o líder, de chamar a região para esse crescimento conjunto. Nossa cidade hoje é referência em educação, em função da Unisul e também das boas escolas que temos, particulares e públicas, e referência em serviços. Pessoas estão vindo de outras regiões do estado para buscar nossos serviços de saúde, nas clínicas especializadas, nos nossos hospitais. Mas precisamos voltar a ser referência no todo. Acho que os administradores foram muito absorvidos pelo dia a dia do varejo da prefeitura. Não tivemos administradores que pensaram grande, no atacado do desenvolvimento. Nós vamos pensar em Tubarão para 2030.
Caio – Tenho dito que vou ser mais um dentro desse time. O prefeito tem que ser o animador desse processo, tem que nos apontar as direções, nos apresentar respostas. Não tenho dúvida que Joares tem todos esses requisitos por tudo que já falamos aqui, pelos relacionamentos, pela experiência, pela capacidade, pela força de trabalho. Isso legitima a condição de que Tubarão pode ter novamente um processo que seja o grande protagonista desse processo, que nos coloque de volta nessa condição de liderança regional em várias aspectos. Temos que liderar também politicamente a região. E isso vai acabar trazendo desenvolvimento econômico, social. Vou cumprir o papel que Joares me delegar. Penso que posso contribuir no dia a dia, na questão que envolve a parte interna da prefeitura. 
Joares – Até porque há muitos problemas que a cidade tem que são comuns a outras. A solução para o lixo, por exemplo, precisa ser pensada de forma metropolitana. A questão da despoluição do nosso rio precisa de uma ação conjunta. Nosso maior patrimônio natural que é o Rio Tubarão está num processo de morte lenta e contribuindo para acelerar a morte do complexo lagunar. Todos nós temos responsabilidade com isso. Muitas soluções são conjuntas. Tem que ser pensado em um projeto de segurança regional, porque, se o problema está em Tubarão, vai afetar Capivari, Gravatal…

Notisul – O que vocês podem fazer de diferente?
Joares –
Dialogar, colocar a nossa experiência a serviço de um projeto diferente para a cidade, de um governo arrojado, transparente, como tem sido a minha vida pública e a do Caio. Com o mesmo respeito pelo cidadão em manter a nossa ficha limpa, porque é obrigação do político e, acima de tudo, com o dinamismo de quem nunca teve a oportunidade de ser prefeito. O Caio nunca teve oportunidade de ser vice. Estamos com muita vontade. Tanto eu quanto o Caio não pretendemos encerrar as nossas carreiras políticas por aqui, por isso, queremos transformar essa oportunidade, se o eleitor assim entender, para mostrar ainda mais a nossa capacidade de gerir, com projetos ainda maiores.

Notisul – Quais as principais carências de Tubarão hoje?
Joares –
Saúde é a grande queixa que recolhemos na pré-campanha. E constatamos que, muito mais que falta de dinheiro, o que há é falta de gestão. Temos uma grande rede física, com mais de 30 unidades. Essas têm que ser a porta de entrada para o cidadão. Temos uma boa equipe de médicos, enfermeiros, técnicos, agentes comunitários. O que falta é integrar essa equipe, gerir melhor esse sistema, porque não há um controle, mesmo com todas as ferramentas tecnológicas à disposição, e verificamos que essas unidades não se intercomunicam, não há acompanhamento sobre o que acontece com o cidadão que acessa o sistema, para saber se ele conseguiu realizar o exame, se tinha o remédio à disposição, se precisou parar na emergência do hospital. E, quando sistema municipal não funciona, acaba gerando um outro problema: o congestionamento da emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, onde passam 7,2 mil pessoas por mês, em média. Cerca de 30% são da Amurel, daí me reporto à resposta anterior: o prefeito de Tubarão tem que liderar esse processo de participação dos municípios na manutenção da emergência. Mas cerca de 60% dos casos de Tubarão não são de emergência, são casos de ambulatório mal ou não resolvidos. Aí eles acabam congestionando a emergência e de fato quando chega lá um caso verdadeiro de emergência o cidadão pode perder a vida, porque os profissionais ou a estrutura estão ocupados com casos sem emergência. O que vamos fazer? Concluir a UPA, equipá-la. Para isso, o governo federal, através do Ministério da Saúde, dispõe de recursos. E vamos fazer uma gestão compartilhada com a Unisul, com os cursos da área de saúde, para funcionar como um prontoatendimento até as 22 horas. Porque aliviaremos aquele período de maior busca pela emergência, quando o pai chega em casa do trabalho, depois das 18 horas, o filho está acometido por uma indisposição, ou se machucou, e acaba indo para a emergência porque não tem mais uma unidade do município aberta. A ideia é colocar em funcionamento até as 10 horas da noite, integrada com o hospital, para acompanhar esse cidadão num processo de gestão para melhorar o atendimento. Uma unidade 24 horas é inviável e desnecessária, na nossa visão, porque dessa forma vamos avaliar a demanda na emergência do hospital e, a partir das 22 horas, até o dia seguinte, o hospital pode continuar a prestar um bom atendimento de emergência com excelência, como faz. 

Notisul – Que projetos merecem destaque?
Joares –
Na Arena Multiuso, com uma parceria público-privada, queremos viabilizar a implantação de um parque municipal. Tubarão precisa de um espaço de convivência da família. Não temos hoje um espaço assim. A famílias estão indo para o Parque da Tractebel, em Capivari. Basta visualizar no estacionamento que o maior número de placas é de Tubarão. Queremos utilizar toda a área do antigo aeroporto, começando pela Arena Multiuso, passando pela pista de skate, integrar toda aquela área. Em parceria com o exército, levar todo o parque até a Avenida Marcolino Martins Cabral, nas imediações do quartel. Temos uma área plana, pronta, só falta arborizar e urbanizar. Mas, é claro, a partir do momento que você instala equipamentos, precisa de alguém que faça a manutenção. A empresa que vai tocar a arena vai também fazer a gestão do parque municipal, para que se torne um espaço permanente de convivência da família. Outra ação é reunir a prefeitura em um só endereço. A prefeitura de Tubarão hoje está espalhada em diversos endereços administrativos. Tudo isso a um custo muito alto de aluguéis. O município gasta, ao longo de um governo, em torno de R$ 10 milhões em aluguéis. E desrespeita o cidadão, que nunca sabe onde fica o que precisa. Nossa proposta é concluir o processo de retirada da Ferrovia Tereza Cristina de Oficinas e onde está a oficina temos espaço para implantar toda a estrutura da prefeitura. Com isso, vamos economizar e respeitar o cidadão. A grande região de Oficinas precisa ser reanimada, porque a cidade cresceu muito para o outro lado. Temos que espalhar o desenvolvimento da nossa cidade. 
Caio – É importante também falar sobre mobilidade urbana, uma das grandes dificuldades.
Joares – A nossa cidade recebeu uma graça natural que é o rio. Mas que na questão da mobilidade vira um problema se a cidade não souber conviver. E recebemos uma graça humana, que é a BR-101, que também vira problema se não tivermos uma convivência pacífica. O que falta na cidade é um planejamento do trânsito não para um governo, mas para um tempo, olhando para frente, pensando no futuro. Para onde nós queremos essa cidade crescendo? Como vai se movimentar? Vamos contratar esse planejamento, mandar para a Câmara de Vereadores, estabelecendo um cronograma de governo que cada um vai fazer. Para o prefeito de plantão não mudar. É preciso aproveitar melhor alguns equipamentos que já temos. Cito a rua Annes Gualberto (do Lar da Menina), uma avenida longa, larga e subutilizada. Porque o calçamento é ruim, ela está interrompida na altura do Morro do Canudo, perde o sentido em alguns pontos. Se pavimentarmos e pensarmos no sistema binário com a avenida Pedro Zapelline, já resolvemos um grande problema de mobilidade. Temos que pensar em revitalizar urgentemente o acesso sul da cidade, via Monte Castelo, que está uma lástima, pensar na conclusão da Altamiro Guimarães para fazê-la chegar no trevo do Sertão dos Corrêa. Com parte pavimentada da Marechal Deodoro na altura do Morro do Cruzeiro, vai faltar pouco para concluir a abertura da Altamiro e com isso teríamos um novo acesso à cidade, com uma vista panorâmica. Tem que planejar a execução de pontes ao longo dos anos. E, é claro, ampliar os espaços de mobilidade saudável, como ciclovias, porque hoje as pessoas querem andar de bicicleta, mas precisam ter segurança. A cidade é plana, incentiva o uso da bicicleta, mas precisamos dotá-la de infraestrutura para isso. 
Caio – Temos um plano bem elaborado. Ouvindo a sociedade, a população, os técnicos que nos ajudaram. Temos propostas também que envolvem esporte, cultura, lazer, geração de emprego e renda, desenvolvimento econômico. São propostas exequíveis, possíveis de implementar.

Notisul – Ainda falando de necessidades, na educação, um dos maiores problemas é a falta de vagas nos centros de educação infantil. O que dá para fazer para resolver essa questão?
Caio –
Vamos atacar veementemente esse problema nas creches. Tubarão tem carência de vagas. Vamos aproveitar esse relacionamento que temos com o próprio governo do estado para concretizar esse recebimento por parte do município do Colégio Mauá, em Oficinas – maior bairro em termos de população, que não tem um centro de educação infantil que consiga atender à demanda -, e no bairro São Bernardo temos a Escola Professora Angélica Cabral, que foi desativada e já está à disposição do município. Além disso, vamos trabalhar para resolver o problema de vagas. Não é justo que uma mãe que precisa trabalhar tenha que recorrer ao Ministério Público. Essa é uma bandeira muito forte nossa. Estamos tendo que atender pela dor, mas queremos atender pelo amor. As decisões judiciais já têm obrigado o município a receber esses alunos. Há todo um trauma no meio desse processo que pode ser resolvido. Talvez não consigamos acabar com o problema por completo num primeiro momento, mas queremos atenuar para que essa fila de vagas represadas diminua. 
Joares – A ideia é ampliarmos as unidades existentes na região onde houver maior demanda de vagas, além de ampliar os convênios que o município tem, como com Lar da Menina, Aproet, Joana de Angelis. O Lar da Menina tem capacidade física instalada para dobrar a quantidade de atendimentos, e elas prestam um grande trabalho.

Notisul – Com a crise instalada em todos os municípios brasileiros, como é possível driblar a falta de recursos e transformar projetos em realidade?
Joares –
Vamos fazer o dever de casa desde o primeiro dia, reduzindo drasticamente as despesas, o custo da máquina. A meta é chegar próximo de 50% o número de secretarias. Com isso, vamos economizar mais de R$ 8 milhões ao longo do mandato. Reduzir os custos de aluguéis, melhorar a gestão de pessoal, para evitar o grande volume de ações trabalhistas. O município teve despesas nesse mandato, pelas informações que temos, superiores a R$ 10 milhões com ações de trabalho. Nessa reorganização administrativa com foco na redução do custo, vamos nos habilitar para aí sim receber parcerias com o governo do estado e com o governo federal, além de trazer mais entidades e iniciativa privada como parceiros para um grande projeto de desenvolvimento da cidade.

Notisul – A campanha nesse ano é diferente das eleições anteriores, com menor tempo e recursos mais restritos. Melhorou ou piorou?
Joares –
Não conseguimos avaliar ainda. Mudou completamente a forma de fazer política. As pessoas ainda não entenderam bem esse novo processo. Só vamos conseguir fazer uma avaliação dessa nova legislação depois da campanha terminar.
Caio – É desafiador. Ficamos cerca de dez dias no ‘limbo’, sem saber se era pré-campanha ou campanha. Podíamos visitar, mas não tínhamos material para entregar. Isso tudo dificultou bastante. No meu ponto de vista, foi uma campanha única, vai ter que ser reformulada, porque colocou muitos dificultadores, tanto para o eleitor, quanto para os candidatos, que acabam não contribuindo com o processo democrático que tem que ser priorizado em uma eleição.

O Notisul iniciou na edição dos dias 20 e 21 de agosto as entrevistas pingue-pongue com os candidatos a prefeito e vice de Tubarão e Braço do Norte. As publicações, aos fins de semana, foram organizadas em ordem alfabética (de acordo com o nome do cabeça de chapa), iniciando por Tubarão. Os primeiros entrevistados foram Carlos Stüpp (PSDB) e Edson Firmino (PMDB), seguidos por Edi Carlos de Almeida e Gladys Helena, do PSC.