Manoel Moura, o Maneca, é gaúcho do Rio Pardo, no interior do Rio Grande do Sul, radicado em Jaguaruna há dez anos. Tem dois filhos, nasceu em uma família humilde e começou a trabalhar ainda muito cedo. Primeiro na roça, para ajudar os pais, depois na indústria, como torneiro mecânico. Formado em ciências políticas pelo Instituto Alberto Pasqualine, Maneca é técnico contábil e milita na política desde 1980. Sempre no PDT. “Sou brizolista e getulista”, consagra. Foi secretário do partido, membro da diretoria, assessor de deputados e candidato a vereador (em 1988) em Canoas (RS). Aposentado como comerciante, Maneca resolveu vir morar em Jaguaruna no fim de 2000. A ideia era descansar, mas o gosto pela política e pelo trabalho falou mais alto. Maneca voltou a atuar no comércio em 2001 e a militar na política em 2005. No ano seguinte, Maneca concorreu a uma vaga à assembleia legislativa. Fez 305 votos. Em 2008, ele participou da eleição municipal, como candidato a prefeito. Foram apenas 63 votos. “Nunca desanimei. A inexpressividade nos últimos pleitos tem apenas um motivo: eu não utilizo dos mesmo métodos que normalmente os meus adversários usam. Aos poucos, consegui mostrar que tenho preparo, que sou capaz. Hoje, garanto, tenho uma posição política muito mais destacada e marcante, não apenas em Jaguaruna, mas também na região”, considera Maneca.

Carolina Carradore
Tubarão

Notisul – Como candidato da região, qual a bandeira que você irá levantar na campanha?
Maneca
– Garanto que serei um defensor intransigente de um sistema de educação e de saúde de qualidade à nossa gente. A educação, hoje, está extremamente deficitária. O modelo de hoje não educa ninguém. A União, o estado têm que ser responsabilizados. E quero fazer minha parte. Defendo um novo modelo de educação, como o criado pelo saudoso Leonel Brizola, o Centro Integrado de Educação Pública (Ciep). O que quero é remodelar este projeto de sucesso. Crianças mais preparadas têm mais condições de alavancar o crescimento do país. Quanto à saúde, apego-me à constituição, quando fala: “Saúde é dever do estado e direito do cidadão”. Isto é quase uma utopia, eu sei. Mas por quê? Porque há muito mais pessoas interessadas em fazer da doença uma bolsa de valores para ganhar dinheiro. A saúde tem que ser pública, de qualidade e gratuita. Tem como fazer, sim. E, para isso, basta limitar estes grande grupos econômicos que estão aí.

Notisul – Como você avalia as secretarias regionais?
Maneca
– Sou contra e ponto final. Elegemos o governador para governar e ele coloca um secretário para tapear? O cidadão tem que ter acesso ao governador e não a um subalterno. Não me interessa as consequências. Sou contra.

Notisul – Para você, qual o papel do deputado?
Maneca
– Tem que fazer bem a sua função, que é a de legislar e fiscalizar. O desafio é fazer isso em nome do bem comum e não em causa própria ou de minorias. O deputado tem que ter duas orelhas grandes, para ouvir as pessoas e encaminhar exatamente o que as pessoas querem. Mas não pode fazer isso individualmente porque o estado tem responsabilidade coletiva e não individual.

Notisul – Qual a sua avaliação sobre os deputados que nos representaram até então?
Maneca
– Com sinceridade, vou dizer que há alguns, ainda que poucos, que honram os seus eleitores. Mas a maioria não tem feito isso. Os representantes da região têm suas deficiências. Se eu for deputado, não cometerei os mesmos erros deles. Jamais alguém que depende do povo tem o direito de ficar contra aquele que o elegeu. Por melhor ou pior que seja a situação, ele tem que defender o coletivo, mesmo que a pessoa que reclamou não tenha votado nele. A partir de eleito, não se olha voto, não se faz distinção. Trabalha-se pelo coletivo.

Notisul – Na sua opinião, quais são as áreas na região que precisam de mais atenção?
Maneca
– Vou citar uma que considero a mais especial: a concretização da pavimentação asfáltica da rodovia que liga a balsa, em Laguna, ao Camacho, em Jaguaruna (parte da Interpraias). A população merece e precisa desta obra. Além disso, o turismo, a maior indústria do mundo, é extremamente deficiente na nossa região. E quero atuar neste setor e auxiliar para alavancar o segmento. Quero ajudar em projetos, em recursos. Em Jaguaruna, por exemplo, não tem cabimento não existir uma avenida decente para ligar o sul com o norte. Podem dizer que sou louco, porque este tipo de obra impacta negativamente no meio ambiente. É verdade. E eu sei disso, mas o ser humano é mais importante que o meio ambiente. Além disso, há como coexistirem. Para uma cidade como Jaguaruna, onde não há emprego, investir em infraestrutura e no desenvolvimento de projeto no setor é uma saída lógica para o desenvolvimento sustentável.

Notisul – Como você formou a sua base eleitoral?
Maneca
– Sou uma pessoa que não tem os recursos que a maioria dos candidatos tem. Então, tenho conseguido o apoio de alguns companheiros dedicados e valorosos, que contribuem comigo voluntariamente. Mas eu sou sonhador e corro atrás.

Notisul – Quanto você pretende gastar na campanha?
Maneca
– Não estimei ainda, mas, definitivamente, não será nada que comprometa a minha vida financeira. Vamos contar com o voto do coração, assim como deveriam ser todas as campanhas políticas, de todos os candidatos. Não dou nada em troca de voto. Não adianta nem vir pedir.

As entrevistas realizadas pelo Notisul com os candidatos com domicílio eleitoral na região serão em ordem alfabética.

Já entrevistados
Ada De Luca (15015) – PMDB – Laguna; Alexandre Moraes (15650) – PMDB – Tubarão; André Igreja (12123) – PDT – Imbituba; Arlei da Silva (23730) – PPS – Capivari de Baixo; Araildo Domingos Liberato (PG) (12312) – PDT – Capivari de Baixo; Carlos Stüpp (45888) – PSDB – Tubarão; Cleosmar Fernandes (22222) – PR – Laguna; Douglas Antunes (20200)- PSC – Tubarão; Joares Ponticelli (11223)- PP – Tubarão; José Nei Ascari (25111) – DEM – Braço do Norte; Keli Cordeiro Oliveira (45321) – PSDB – Laguna; Manoel Moura (12412) – PDT – Jaguaruna.