Amanda Menger
Braço do Norte

Notisul – Qual a avaliação que o senhor faz da coligação em que é o cabeça-de-chapa?
Vânio
– O PP é o cabeça-de-chapa com o PT de vice. Acho importante. O PT é um partido de pessoas realmente trabalhadoras, um partido que batalha, com pessoas com propósitos. A coligação com o PP, com o apoio do PSDB e de uma ala do Democratas, acho que é muito bom. A nossa coligação ficou fortalecida.

Notisul – Quais os projetos englobados no seu programa de governo?
Vânio
– Temos prioridade na saúde, na educação, no trânsito e na agricultura. Precisamos viabilizar o trânsito de Braço do Norte, que é caótico. Temos que construir uma nova rodoviária. Na saúde, precisamos corrigir diversos erros, porque não se admite que uma pessoa vá pedir exame de emergência e leve de 60 a 90 dias para autorizar. Interligar os Programas de Saúde da Família (PSF) à secretária de saúde da prefeitura. Na educação, daremos continuidade aos trabalhos realizados, priorizando a qualidade do ensino, adequando-se às políticas nacionais para a área, que estão mais exigentes, e cumpriremos à risca. Na agricultura, pretendemos melhorar e abrir estradas, uma reivindicação grande dos suinocultores. Fazer os acessos. Tentaremos fazer um acordo com o Ministério Público para que possamos viabilizar a melhoria das estradas entre a geral e as casas. Tentaremos criar um programa de transferência de embriões para melhorar a genética dos rebanhos, principalmente para as pessoas mais carentes que não têm recursos e nem acesso às tecnologias de melhoramento da genética. Em termos da juventude, queremos criar um departamento para tratar de assuntos ligados aos jovens. Temos que criar um centro de educação infantil para atender todas as crianças de zero a cinco anos. Isso também porque, no fim do ano passado, a prefeitura assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público e comprometeu-se em atender todas as crianças que necessitem de creches. Isso não ocorria antes e o MP tem feito isso pontualmente. É uma forma de pressionar o município a oferecer vagas para a educação infantil, o que antes era divido com o estado.

Notisul – Na sua visão, qual é hoje a maior necessidade de Braço do Norte?
Vânio
– Criaremos um parque industrial. A maior necessidade hoje é a geração de empregos e, com o parque, poderemos atrair as empresas, criar empregos e também gerar renda. Habitação também é uma preocupação, porque há uma defasagem enorme de casas. Nosso projeto é construir em Braço do Norte de 250 e 350 casas neste período de quatro anos para amenizar esse problema, suprir esta carência.

Notisul – Como o senhor avalia os investimentos federais feitos na cidade? Braço do Norte tem recebido recursos?
Vânio
– Acredito que com a nossa eleição terá mais, porque o vice, Valberto, é do PT. Com isso, teremos mais facilidade em conseguir recursos do governo federal. Criaremos um centro de projetos, contrataremos e valorizaremos os profissionais que temos na prefeitura para elaborarem projetos para viabilizar os recursos. Braço do Norte tem carência em melhorias de infraestrutura, de pavimentação asfáltica. Buscaremos esse apoio em Brasília, porque hoje onde há a maior fatia de recursos aos municípios é no ministério das cidades, que em uma das secretarias a de saneamento. Leodegar Tiscoski, do PP, é sul-catarinense e meu amigo pessoal. Ele, inclusive, estará na minha campanha. Contaremos com apoio dele. Os recursos para as áreas de habitação, saneamento, transportes e outros setores importantes está no ministério das cidades. Então, acreditamos que poderemos receber muita ajuda do governo federal.

Notisul – E como o senhor avalia os investimentos do governo estadual? No seu caso, por ser de um partido de oposição, poderá enfrentar algum tipo de problema?
Vânio
– Não acredito nisso, porque o governador Luiz Henrique da Silveira (PMDB) é uma pessoa inteligente e diz não discriminar os prefeitos pela cor partidária. Braço do Norte é uma cidade pólo, progressista, que necessita do apoio do governo do estado. Tenho um bom relacionamento com o secretário de desenvolvimento regional em Braço do Norte, Gelson Padilha (PSDB). Ele é uma pessoa que realmente vem a contemplar as necessidades de Braço do Norte. Pelo que senti, conversei com ele, teremos o total apoio para trazer os recursos necessários. Eu, inclusive, cobrarei do governo estadual o asfalto prometido entre Braço do Norte e Pinheiral. É uma reivindicação minha, é uma estrada municipal mas tem autorização para receber a pavimentação asfáltica feita pelo governo do estado.

Notisul – O Morro da Formiga é uma área invadida. O senhor tem algum projeto para regularizar a situação dos moradores daquela comunidade?
Vânio
– Sei que é uma área invadida, com problemas. Estive lá esta semana, mas sei que é uma comunidade carente. Tudo que puder ser viável para amenizar a situação daquela localidade, no bairro São Mateus, faremos, até porque já começamos a fazer na cooperativa de eletrificação rural e, com certeza, como prefeito farei mais. O prefeito interino, Ronaldo Fornazza (DEM), esteve lá também e nós pensamos na mesma linha. Não é chegar com trator e retirar as pessoas de lá, mas ter uma política pública de regularização e urbanização do local. Primeiro, verificar quem realmente tem necessidade e estabelecer critérios para que, depois, não vire moeda de troca e daqui a dois anos as pessoas estejam vendendo a área para invadir outro lugar. Buscaremos recursos também junto ao governo federal.

Notisul – A crise econômica tem se refletido em Braço do Norte?
Vânio
– Com certeza, refletiu no mundo inteiro. Em Braço do Norte não é diferente. Sofremos um pouco sim. Se falarmos da suinocultura, que é grande parte da economia da cidade, foi afetada diretamente. Então, temos, além disso, outros produtos feitos em Braço do Norte que são afetados direta e indiretamente.

Notisul – E o que o poder público municipal pode fazer para melhorar a economia da cidade?
Vânio
– Queremos construir um parque industrial para atrair novas empresas e investiremos também em um programa de transferência de embriões para melhorar a suinocultura e o gado de corte e leite. Melhorando a genética dos rebanhos, é possível melhorar a qualidade e a competitividade destes produtos, exportar para mercados mais exigentes que também pagam melhor.

Notisul – Ainda sobre o agronegócio, além da suinocultura, em que outros setores o município destaca-se? E como potencializar essas áreas?
Vânio
– Tem a suinocultura, o gado leiteiro – hoje uma renda significativa ao município -, o gado Jersey é o destaque, temos o maior rebanho de Jersey da América do Sul. Temos uma produtividade ótima e, dentro deste pensamento, a criação do programa de troca de embriões irá melhorar a genética e a produtividade dos rebanhos dos pequenos produtores que não têm recursos e acesso às tecnologias. A avicultura também se destaca bastante em Braço do Norte.

Notisul – O setor de molduras tem se recuperado? O dólar valorizado é bom para o setor?
Vânio
– Para o município é bom. Claro que levou um impacto grande, primeiro pelas questões ambientais da vinda da extração de madeira lá do norte e depois pela diferença cambial. Agora, com a alta do dólar, com a valorização da moeda americana, este setor volta a reagir, a dar sinais de vida e melhorará a economia de Braço do Norte.

Notisul – Quanto às duas feiras que hoje são realizadas em Braço do Norte, o senhor, caso eleito, pretende apoiar?
Vânio
– A Cerbranorte sempre apoiou e o município, com certeza, apoiará ainda mais. Porque acredito que é de extrema importância, é uma oportunidade para Braço do Norte mostrar a sua riqueza, o seu potencial para outros municípios, estados e até países. A Feagro é uma das maiores feiras de gado Jersey da América Latina.

Notisul – A criação de uma secretaria de desenvolvimento regional em Braço do Norte facilita, de alguma forma, o crescimento dos municípios?
Vânio
– A secretaria tem uma responsabilidade, mas não sei se a responsabilidade é atingida no desenvolvimento do município. A SDR é benéfica ao desenvolvimento dos municípios, mas precisa ser mais efetiva, atuante. Daí, acredito nesta secretaria.

Notisul – Como o senhor avalia o contrato com a Casan para a realização do esgoto na cidade? Já tem alguma coisa de obra? Poderá buscar recursos no governo federal?
Vânio
– Não tem obra ainda, de saneamento não temos nada. E é um dos pontos básicos que começaremos a cobrar da Casan é o saneamento básico. Somos deficitários nesta área. Cobraremos muito para que as obras tenham início logo. Com certeza, o governo federal pode contribuir, buscaremos isso também, já que outros municípios receberam. E por que não em Braço do Norte? Vamos atrás para que Braço do Norte tenha também coleta e tratamento de esgoto sanitário.

Notisul – A municipalização da água e esgoto é uma possibilidade caso a Casan não cumpra o contrato?
Vânio
– Não pensei ainda neste ponto. Mas pode ter certeza que cobraremos que a Casan cumpra a sua parte no contrato. Dentro das cobranças existem possibilidades e, se não houver retorno para o município, cobraremos o que é de direito da cidade.

Notisul – O senhor considera positiva a administração anterior, do Luiz Kuerten, o Tilico (PP)?
Vânio
– Vejo como uma gestão boa, que fez bastante obras, mas teve falhas. Entre estas falhas, apontaria o relacionamento e a atenção com o público. Faltou o lado político da administração do Tilico. Mas foi uma gestão séria, transparente, progressista. Faltou apenas uma complementação, se tivesse isso, seria uma grande gestão.

Notisul – Tomando essa administração como exemplo, o que gostaria de manter? E o que gostaria de mudar?
Vânio
– Tenho interesse de fazer uma gestão progressista, mas participativa. O meu interesse é criar um conselho administrativo formado por vários partidos e segmentos. Dentro deste conselho, eleger as prioridades e, dentro disso, o que é ainda mais prioritário para implementar rapidamente. Com isso, teremos mais cabeças pensantes. A gente tem a possibilidade de errar menos e fazer aqueles projetos que a sociedade quer e não os que o prefeito deseja. Às vezes, o que o prefeito quer não é o mesmo que a sociedade almeja. Então, pretendemos governar junto com as pessoas, fazendo o que elas necessitam. Manteria a seriedade e a transparência sem sombra de dúvidas. Mas também tenho interesse em dar seguimento à administração do Ronaldo Fornazza (DEM). Porque ele deu um sinal de mudança para Braço do Norte e o povo aderiu. Vânio e Valberto também é mudança, não continuidade. Vejo a posição do Fornazza como muito satisfatória, encontrou eco nos desejos de mudança do povo. Como ele não conseguiu viabilizar a sua candidatura, que teria apoio do PP, surgiu a possibilidade de eu ser candidato, pelo fato de Fornazza não ser. Podemos nos espelhar e dar continuidade ao modelo que ele está implantando e que está dando certo.

Notisul – Então, o senhor considera positiva a administração interina?
Vânio
– Com certeza é positiva. É uma administração participativa. Ele (Fornazza) vai às comunidades, vê com a sociedade quais os interesses e necessidades e está baseado nestas informações, executando projetos, licitando, contratando, fazendo o que precisa ser feito, porque a sociedade pede e eu acho que é assim que tem se administrar, não é de cima para baixo e sim de baixo para cima, que é a participação das comunidades.

Notisul – O que lhe credencia a ser prefeito? O senhor não teme dificuldades por estar acostumado com a iniciativa privada?
Vânio
– Tenho certeza que encontrarei dificuldades, porque a administração pública é diferente. Apesar da cooperativa tratar de serviços públicos, é de economia privada e a prefeitura é totalmente pública. Assim, há uma mudança grande. Mas estou preparado para isso. Sei que haverá dificuldades, que há burocracia, mas já sei lidar com o público, tenho bom relacionamento com os partidos. Esse tipo de tratamento respeitoso, tenho com as pessoas e levarei isso para a prefeitura. E, assim, farei uma boa administração.

Notisul – Como o senhor avalia o resultado da outra eleição, a que foi considerada prejudicada pela justiça eleitoral?
Vânio
– Foi cogitado o meu nome para ser candidato na outra vez, mas não ocorreu por questões particulares. O PP ficou um pouco desprotegido na campanha, ficou sozinho e concorreu contra outros partidos. Hoje é diferente. Existe a participação de outras siglas, algumas não apoiam oficialmente, mas existem dissidências. Outros, nem por ser dissidência, mas por ser eu o candidato, amigo da gente, pelo trabalho na cooperativa. Hoje, é diferente da eleição passada.

Notisul – É mais difícil fazer uma campanha em 20 dias do que em três meses?
Vânio
– É difícil, porque o tempo é menor. Então, acumulam-se compromissos. Tem que estar preparado e também delegar funções. Mas estamos lá, bem administrados, uma campanha a todo vapor. Lançamos a candidatura oficialmente nesta quarta-feira com uma grande festa. Mais uma semana e estaremos bem adiantados no nosso processo eleitoral.

Notisul -Se o senhor não for eleito, que rumos seguirá profissionalmente? Pretende continuar na política?
Vânio
– Serei eleito. Mas caso isso, por ventura, não ocorra, volto para a cooperativa. Tenho mandato até março de 2011. Tenho o meu serviço e muitos negócios. Não vivo da política, vivo do meu trabalho. O meu filho me assessora. Tenho certeza que terei muito trabalho caso não me eleja. Mas tenho certeza que serei eleito. A minha eleição cresce a cada dia e no dia 1º de março sairei vitorioso.