Natural de Jaguaruna, Castilho Silvano Vieira (PP), 43 anos, é casado e tem três filhos. É formado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc). Começou a vida pública como vice-prefeito, em 2009, e desde 2013 é prefeito de Sangão. O ingresso na política é fácil de compreender, vem de família, nos tempos do avô José João Silvano, que se consagrou politicamente como vereador, vice-prefeito e prefeito, na época, no município vizinho de Jaguaruna, do qual Sangão foi emancipado. Hoje, Castilho vê e realiza o sonho do avô e de muitos da pequena cidade de 12 mil habitantes, que se destaca em desenvolvimento.

Letícia Matos
Tubarão

Notisul – O senhor costuma fixar metas anuais para a sua administração. Agora lança uma revista com o balanço das ações de 2014. Conseguiu atingir o que traçou?
Castilho – Cumprimos 95%. Ao elaborar a revista com balanço das ações, vimos a resposta de tudo que foi realizado no ano que passou. Ressalto que tive a ajuda de muitas pessoas. Meus secretários e os vereadores sempre apoiaram as ações. Temos um relacionamento muito bom com os legisladores. Todos os projetos foram aprovados por unanimidade. Sempre deixei as portas abertas para os vereadores, para eles reivindicarem o que precisam. Em 2014, tivemos uma administração bem tranquila. Claro que existem os obstáculos, como os precatórios que tenho que pagar. Esta semana, paguei R$ 108 mil de dívidas trabalhistas e até o mês de março tenho que pagar mais R$ 300 mil. 

Notisul – Com mais esses valores, termina a dívida?
Castilho –
Primeiro preciso afirmar que esses precatórios são de 1999 e que no meu mandato esses R$ 300 mil são a última parcela. Passa mais de R$ 1 milhão no total. Isso para um município que tem uma arrecadação de R$ 1,5 milhão por mês é muito. Quase uma arrecadação e que dava para fazer muita coisa. Mas sempre falo que se eu for prefeito para pagar a conta dos outros eu vou pagar! Nossa administração na região é considerada uma das melhores. E sem diferencial. Não temos diferencial na arrecadação. Temos bastante empregos, bastante indústrias fortes. Mas tem município que tem diferencial, como Capivari de Baixo, que tem a Tractebel. Imbituba, que tem um porto, e se destaca. O prefeito de lá é muito bom. Ele faz gestão e é o que um prefeito tem que fazer: primeiro a gestão, depois a política. Mas o município, quanto menor é, mais política tem. Então, não adianta que tem a rivalidade.

Notisul – Que ação merece destaque?
Castilho –
O asfalto para o balneário Campo Bom. É uma reivindicação há 40 anos. Foi na época em que meu avô era prefeito. Ele que abriu aquela estrada. E agora veio o neto. E sempre tinha o pensamento que ia conseguir realizar. Vários prometeram. É 1,5 quilômetro e tivemos o apoio do governo do estado. Todos os prefeitos que administraram Sangão pediram o recurso. Mas é aquela história: o cavalo quando passa cilhado tem que montar né! E ele passou e deu certo. O governador queria reeleição, pedimos o recurso e ele bancou. Em oito meses, a obra ficou pronta. Foram R$ 7 milhões e foi muito rápida. Em breve, teremos a inauguração, porque faltam alguns detalhes. 

Notisul – Muitos prefeitos da região têm adotado medidas de economia e elaboram reformas administrativas. Em Sangão, será feito algo nesse sentido?
Castilho –
Minha prefeitura é enxuta. Quase não tenho cargos comissionados e são sete secretarias. Uma eu criei neste mandato, que é o instituto do meio ambiente. Acredito que o problema nas prefeituras não é os secretários, mas o inchaço de funcionários. Porque os secretários, se forem colocados para trabalhar, como são os meus, os resultados aparecem. Eles somam com o trabalho. Minha equipe é de funcionários de carreira e os que não são atuam na área. Meu secretário de obras, por exemplo, é patroleiro de carreira da prefeitura. A secretária da saúde é enfermeira desde quando o município foi emancipado. A da educação também é professora, as diretoras das escolas são todas professoras efetivas. Isso ajuda muito o prefeito. Pegar um político e dizer “agora tu é secretário” é complicado. Fiz assim porque isso dá um suporte, um amparo ao funcionário… Depois tudo flui. Nossa administração vai bem por este aspecto, temos as pessoas certas no lugar certo. 

Notisul – A construção do Aeroporto Regional ao lado de Sangão trará muitos benefícios…
Castilho –
Estou ansioso. Veja, hoje a maioria dos prefeitos se custa a ir em Brasília porque leva 1h50min. Mas só para Florianópolis são cinco horas agora no verão. Tu sabe que vai, mas não sabe quando chega. Eu era pequeno quando começou esta história de aeroporto. Nossa região é muito forte e vai ficar mais ainda. Teremos um desenvolvimento muito grande. Fiz agora um acesso que liga a metade do aeroporto ao Morro Grande. Enquanto não tem comércio nos arredores, já tem acesso pronto para o comércio local. O que desacreditou foi essa morosidade. O pessoal perde a credibilidade. O meu pai tem terreno ali próximo e no começo muitas pessoas procuraram ele. Achavam que seria rápido. E agora o pessoal desanimou. Para dia 29 de março está marcado o primeiro voo. Mas eles já perderam o crédito de marcar data e não acontecer. Ainda não tem passagem disponível para venda. Faltam dois meses. Mas é um grande investimento. Sangão tem muito mais a ganhar que Jaguaruna. Pois fica no nosso acesso. Os terrenos laterais são de Sangão. Vai ter lugares amplos para investidores. Colocamos o local no plano diretor como área mista para indústria e residências. 

Notisul – Ao trafegar pela BR-101, vemos uma escuridão nos acessos. Em Sangão, os trevos estão iluminados. Como foi resolvida esta questão?
Castilho –
Iluminei dois acessos pela prefeitura. E tem um terceiro que vou fazer ainda. Tem muito trecho esperando porque na verdade quem deve fazer é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Trânsito (Dnit), mas por questão de segurança fui lá e fiz. A rodovia é federal. Não podemos fazer nada ali, é limite deles. Então por que temos que pagar energia para eles? Os representantes da Amurel aconselharam os prefeitos a não instalarem e nem pagarem a iluminação. A maioria está apagada. Mas comecei a ver que tinha muitos problemas, até assalto. Eles colocaram a estrutura, mas quando fui instalar gastei R$ 20 mil, porque as lâmpadas estavam todas queimadas, a fiação partida, e tive que fazer tudo novo. Gasto só no trevo principal R$ 3 mil em energia todo mês. Mas vale a pena. Pela questão da segurança, e por isso não me arrependo. Mas é um custo que poderia ser investido em outra coisa. A obrigação é do Dnit.

Notisul – E o saneamento da cidade, como está?
Castilho –
Estamos fazendo uma obra grande agora por meio do Samae. Consegui uma emenda parlamentar de R$ 500 mil e compramos tudo em cano. Agora três bairros que não tinham água encanada terão. Já começamos a obra. Centro, Sangãozinho e Campo do Sangão. Só que saneamento é obra que nenhum prefeito gosta de fazer, porque não aparece. Os canos ficam enterrados. Mas vamos fazer e investir.

Notisul – Pensa em reeleição?
Castilho
– Não tenho mais vontade. Acredito que a nossa administração é boa. Até pelas pesquisas de satisfação. Os funcionários aprovam muito. Mas acho que é muito sacrificante. Eu não quero terminar um mandato, iniciar outro e desanimar. Então, prefiro sair antes. Daí saio da política. Há seis anos, eu não tinha pretensão política, mas devia estar no sangue, devido ao meu avô, e fui incentivado. Mas tem muita gente boa e nova para seguir esta carreira. Tem as laranjas podres, mas muita gente séria. Precisamos acreditar, porque precisamos dos políticos. 

 

Castilho por Castilho
Deus
– Todo poderoso.
Família – Alicerce.
Trabalho – Dignidade.
Passado – Espelho para o futuro.
Presente – Amanhã.
Futuro – Esperança.

"Não podemos generalizar 
os políticos como corruptos, 
tem muita gente boa".