Edson Bez de Oliveira, 60 anos, é casado e tem duas filhas. Natural de Gravatal, tem como domicílio eleitoral Tubarão, onde mora. Filho de agricultores, trabalhou na lavoura até os 20 anos. Largou o campo para estudar. Formou-se em ciências contábeis, foi professor e gerente da Caixa Econômica Federal durante 14 anos. Edinho tem a política no sangue. O seu avô, Antônio Bez, representava o PSD em Gravatal. O pai, Silvio Bez de Oliveira, foi entendente em Gravatal, na época em que pertencia a Tubarão. Entendende, explica o candidato, era uma espécie de prefeito do distrito, indicado pelo próprio gestor de Tubarão. Ele orgulha-se ao lembrar que, quando Gravatal foi emancipada, o pai elegeu-se vereador, cargo pelo qual ocupou por 22 anos. E foi a vida política do pai que o motivou. Silvio Bez morreu em 1988, em um acidente de carro, na BR-101. “No enterro dele, eu disse que iria atender ao seu pedido, aceitar o desafio e entrar na política”, lembra. Em 1990, disputou a sua primeira eleição para deputado estadual. Venceu nas urnas com 12 mil votos. E não parou mais. Agora, disputa o sexto pleito. E contabiliza em seus mandatos a viabilização de mais de 500 obras para o estado.

Carolina Carradore
Tubarão

Notisul – Como candidato da região sul, qual a bandeira que você tem levantado na campanha?
Edinho –
Primeiro, não quero abrir mão de defender os aposentados. Precisamos resgatar a dignidade deles no país e posso fazer isso brigando para a realização da reforma da previdência. Minha segunda bandeira é fazer uma reforma política. Temos que dar uma basta nessa corrupção vergonhosa com políticos ladrões que há no Brasil. Para nós, que temos princípios, a conduta desses políticos nos ofende. Tem gente que entra na política para fazer negócio. A política deve ser um sacerdócio. O político tem que ter honra, orgulho de representar o povo. Setenta por cento dos agentes políticos no Brasil hoje ou tem dinheiro ou é corrupto. Por isso, precisamos fazer a reforma política, como, por exemplo, acabar com a reeleição e ter a ficha limpa. Também sou contra coligação. Hoje, aceito porque tenho que me adaptar à regra do jogo, senão nem posso ser candidato. Do jeito que está atualmente, os partidos estão fragilizados. O eleitor vota no candidato, não mais no partido. Se ele errar na escolha do candidato, os partidos estão tão fragilizados que não têm forças para tirar o mandato, cassar o eleito. A bandeira do candidato deveria ser o estatuto do seu partido. Temos 30% dos deputados e senadores comprometidos com o povo, mas o restante é corrupto e tem sérias chances de se eleger de novo. Eu defendo também que cada partido tem que ter candidato para majoritária. No segundo turno, aí apoia quem quiser. Isso diminui a corrupção, acaba com o acordo individual. Também precisamos ter um projeto agrícola definitivo. Temos que incentivar o homem a ficar no campo. Eu trabalhei na roça até os 20 anos. Sempre vou defender essa proposta: agricultura, agropecuária e pesca. Também defendo a reforma do sistema de segurança pública, que hoje está falido. Minha intenção é constituir uma comissão em Brasília composta por 40 representantes de vários segmentos. Essas pessoas terão que ter um prazo de 40 dias para apresentar uma proposta de segurança pública. É a única forma de mudar a realidade.

Notisul – Para você, qual o papel exato do deputado federal?
Edinho –
O papel do deputado hoje é legislar, apresentar projetos de lei, discutir outros projetos, apresentar propostas. Eu apresentei mais de 200 iniciativas, entre elas, mais de 60 projetos de lei, usei a tribuna da câmara mais de 1,6 mil vezes, relatei mais de 80 projetos de lei. O deputado tem que levar sugestões da base para o congresso nacional. Cito como exemplo os dois últimos que apresentei: deixar o menor a partir dos 12 anos trabalhar, com autorização dos pais. Com essa proposta já vamos tirar muita gente da marginalidade. O outro projeto de lei é para resgatar a credibilidade do cheque no Brasil.

Notisul – Qual a sua avaliação sobre os deputados que representaram a região até então?
Edinho –
Primeiro, os deputados do foro parlamentar catarinense têm um desempenho acima da média nacional. Quando nos reunimos em Brasília, trabalhamos juntos, independente do partido. Por exemplo, apresentei uma emenda para incluir no orçamento da União e aprovamos no valor de R$ 8,3 milhões para elaboração do projeto Serra Mar e isso foi um trabalho feito com o apoio do foro parlamentar. A duplicação da BR-101 também foi uma atividade muito forte dos deputados catarinenses. O que pesa é a burocracia.

Notisul – Você está apostando na dobradinha?
Edinho –
Tenho na minha candidatura inúmeros deputados estaduais que fecham comigo em blocos. Não fecho 100% com nenhum deputado estadual, assim como nenhum deles fecha 100% comigo. Em Tubarão, o nosso candidato é Alexandre Moraes.

Notisul – Como você formou a sua base eleitoral?
Edinho –
Já formei há muitos anos. Passo quatro anos trabalhando.

Notisul – Quanto você pretende gastar na campanha?
Edinho –
Não sei ainda. Estamos em atividades, trabalhando. Eu preparo minha campanha antes. A gente planta o tempo todo.

As entrevistas realizadas pelo Notisul com os candidatos com domicílio eleitoral na região serão em ordem alfabética.

Já entrevistados
Deputados estaduais
Ada De Luca (15015) – PMDB – Laguna; Alexandre Moraes (15650) – PMDB – Tubarão; André Igreja (12123) – PDT – Imbituba; Arlei da Silva (23730) – PPS – Capivari de Baixo; Araildo Domingos Liberato (PG) (12312) – PDT – Capivari de Baixo; Carlos Stüpp (45888) – PSDB – Tubarão; Cleosmar Fernandes (22222) – PR – Laguna; Douglas Antunes (20200)- PSC – Tubarão; Joares Ponticelli (11223)- PP – Tubarão; José Nei Ascari (25111) – DEM – Braço do Norte; Keli Cordeiro Oliveira (45321) – PSDB – Laguna; Manoel Moura (12412) – PDT – Jaguaruna ; Olavio Falchetti (13413) – PT – Tubarão.

Deputados federais
Ademir Milo Mota da Silva (1320) – PT – Gravatal; Antônio João Tavares (1234) – PDT – Orleans; Edinho Bez (1515) – PMDB – Gravatal; Ondina dos Santos (1322) – PT – Laguna.