Tatiana Dornelles
Tubarão

Notisul – Como é reviver a história de Anita e Giuseppe Garibaldi justamente onde tudo ocorreu?
Thiago
– É especial. É muito especial entrar na igreja matriz que tem o mesmo alicerce que essas figuras pisaram. Além disso, caminhar pelas ruas de Laguna e, em cada esquina, conhecer um pouquinho do que era em 120, 130 anos atrás, é emocionante.
Vanessa – Isso só torna o nosso prazer de estar aqui contando essa história maior. É estimulante pisar o mesmo chão que essas pessoas.

Notisul – O que mais impressiona na história de Garibaldi?
Thiago
– A biografia de Garibaldi é tão cheia de fatos inacreditáveis e impressionantes que é difícil dizer o que me marca. Acho que o fato de ele ser onipresente. Não sei por quantos países ele tem nome de rua, estátua, praça. No Brasil, quase toda cidade tem uma rua com o nome dele. Quando fiz uma novela, estudei a história da Itália e me deparei com o nome Garibaldi. E lembrei de Anita, da época de escola, e fui atrás. Quanto mais eu lia, mais me impressionava. Diria que ele promoveu, praticamente, a maior manobra militar da história das Américas, que foi a travessia dos lanchões. A onipresença de Garibaldi e a coragem é o que mais marcou, de tudo que li.

Notisul – Nos últimos dias, vocês viveram um pouco da história do casal. Vanessa, o que Anita representa para você?
Vanessa
– Ela é uma referência às mulheres pela coragem de ir atrás de seus ideais. Anita acreditava firmemente em determinadas coisas e foi atrás. Enfrentou ser uma mulher separada na época. Anita aceitou separou-se porque não acreditava na relação, tinha outros ideais, encontrou um forasteiro e seguiu com ele. A única mulher no meio de tantos homens. Imagina a dificuldade que deve ter sido para ela viver pelas matas, guerreando, em navios, só com homens em volta. E abdicar de tantas coisas por um amor e por um ideal, que falavam mais alto que tudo. Essa garra, coragem, dedicação, crença, sem dúvida, é o que mais me impressiona na história de Anita.

Notisul – Vocês são casados. O que é representar um casal tão importante para a história do Brasil?
Vanessa
– É a primeira vez que isso acontece (Ela já foi minha mãe na verdade – interrompe Thiago). Nunca trabalhamos juntos na televisão, nem no cinema, somente no teatro, em que fizemos a Paixão de Cristo, em Nova Jerusalém e em João Pessoa. Eu fazia Maria e ele Jesus. Agora, um casal: Anita e Giuseppe Garibaldi. É maravilhoso contracenar com Thiago. É bacana fazer um casal, que tem toda uma história de amor envolvida e a gente já tem intimidade. É emocionante fazer Anita e, para ele, fazer Garibaldi.
Thiago – É muito bom encenar com Vanessa também. A gente não teve muita chance de trabalhar junto, mas é bom. É curioso você contar a história de um casal, e ser um casal, e a gente consegue descobrir uma maneira de trabalhar junto.

Notisul – Vocês já conheciam este espetáculo?
Thiago
– Sim, sou muito amigo do Werner (Schünemann), que esteve aqui um tempo atrás (e também viveu Garibaldi no espetáculo). Sou amigo de Rodrigo (Faro) também. E já tinha conversado com eles a respeito. Com Werner mais, com Rodrigo, por acaso, nem tanto, mas sei que a participação dele foi muito bacana. Então, já tinha ouvido falar.

Notisul – Thiago, você já interpretou Garibaldi em A Casa das Sete Mulheres e teve que falar italiano. É complicado?
Thiago
– A título de curiosidade, não falo uma vírgula de italiano. Antes de fazer A Casa das Sete Mulheres, fiz um personagem italiano. Tive que estudar bastante o que seria falar italiano em uma história brasileira contada para brasileiros. Descobri que você não pode falar italiano. Tem que fingir que fala. O mais legal é ver que as pessoas acham que você está falando italiano. Foi um processo longo de estudo durante Terra Nostra, que pude aperfeiçoar na Casa. Na verdade, o diretor é o mesmo e, quando ele me chamou para fazer a minissérie, falou: “Preciso que você faça o que fez, só que menos”. Fui tirando, tirando, e A Casa das Sete Mulheres é praticamente em português. E descobri que é praticamente música. Língua é música. E se você vai pela musicalidade, convence as pessoas de que fala outra língua.

Notisul – A minissérie focalizava Manuela, que ficou para sempre esperando aquele amor. Aqui, focalizamos mais Anita Garibaldi no roteiro de Jairo Barcellos. Há diferença entre as obras?
Thiago
– Claro, claro. A minissérie era um romance, que contava uma história pela ótica de uma menina. Então, Garibadi aos olhos de Manuela não é Garibaldi aos olhos de Anita. Mas é um romance. E quando vai para a televisão, o romance é amplificado, porque a TV cria isso, o objetivo é a fantasia. Nem sempre é um objetivo documental. Jairo tem um trabalho extremamente histórico, focado na personagem lagunense, que tem o romantismo, tem o espetáculo, mas tem o viés histórico. Sou curioso, estudei Garibaldi por hobby, e essa coisa de cronologia, os nomes, os lugares, tudo me interessa. Então, lia os capítulos da minissérie e sofria. Via as pessoas dizerem: “Garibaldi tem que ficar com Manuela”. Eu dizia: “Não, não pode”. A diferença básica é esse compromisso com o detalhe histórico, com o fato, com as pessoas.

Notisul – Vocês têm uma experiência com o teatro ao ar livre em A Paixão de Cristo. Como é esse contato com o público, tem aquela energia?
Thiago
– É diferente você fazer um espetáculo de contar uma história para a câmera. O ator, quando está em cena, está em cena. Seja para duas, 100 pessoas. Terra Nostra foi vista por mais de 98 países, durante oito anos. Olha a responsabilidade de fazer um trabalho deste tamanho. Você estar ao vivo para o público tem a mesma responsabilidade. Tive duas experiências em Pernambuco, duas em João Pessoa, e o espetáculo a céu aberto é diferenciado. Como ator, motivo-me muito toda vez que sou convidado a fazer um espetáculo desses.

Notisul – Durante A Casa das Sete Mulheres, houve necessidade de conhecer Laguna?
Thiago
– Durante a minissérie, não. Já conhecia Laguna bem antes da Casa. Tive a chance de conhecer, in loco, os lugares em que Garibaldi esteve bem antes da República Juliana. A gente representou Laguna mais em cidade cenográfica. Uma pena. Poderíamos ter tentado fazer alguma coisa aqui.

Notisul – E você, Vanessa, o que pensa de Laguna?
Vanessa
– Achei linda a cidade, a praia é maravilhosa, muito bonita. O centro histórico também encanta, gosto dessa coisa de época, de resgatar a história. Quando nos deparamos com uma cidade que conserva tanto tempo de história nessas construções, na atmosfera em geral, é bacana.

Notisul – Pretendem levar esta experiência em Laguna para os colegas?
Vanessa
– Sempre trocamos informações, conversamos sobre as experiências que temos fora da cidade, ou no teatro, na televisão. Com certeza, vamos levar isso para lá.
Thiago – Temos sempre alguém sabendo da encenação, pois é constante o papo de roda entre amigos. Conheci Laguna há 15 anos, mas agora não deu muito tempo para passear e acho que durante a temporada vai dar para relembrar Laguna um pouco. Com relação ao sul do Brasil em geral, gosto muito.