Prefeito de Tubarão, Manoel Bertoncini dispensa apresentações. Entrevistá-lo é sempre um privilégio. Informado de tudo que ocorre na prefeitura, sempre tem novidades e cartas na manga. Algumas ele não conta muito não! Mas diz que é para não estragar a surpresa. “Se eu contar tudo, tu fica sem matéria”, explica ele, aos risos. Sempre simpático e simples no trato com as pessoas, o prefeito fala das suas preocupações em relação à administração e das obras que já estão engatilhadas para sair do papel. “A partir de 2011, tenho muitos projeto que deixam o papel e passam a ser realidade”, arremata.

Zahyra Mattar
Tubarão

Notisul – Este é o seu segundo ano de mandato. Foi melhor que 2009?
Bertoncini
– Melhor, muito melhor, bah! Ano passado, foi muito complicado, especialmente para mim. Primeiro pela minha questão particular, da minha saúde. Foi época dos primeiros enfrentamentos, então complicou um pouco. Segundo por conta da questão climática. Era um monte de estrada comprometida, colégios e postos de saúde atingidos por chuva. Resumindo: 2009 foi terrível, na verdade. Este ano também tivemos problemas, mas estávamos melhor preparados. Também acho que poderíamos ter feito mais este ano, principalmente no que diz respeito à melhoria de infraestrutura. Espero realizar mais e ainda solucionar questões tão cobradas, como o canil.

Notisul – Ah, pois é! O canil. Saiu a licitação. Como está?
Bertoncini
– Este foi um dos assuntos mais evidenciados. Inclusive lá em casa (risos). As crianças não deixam passar (risos). Vamos por partes. A primeira etapa do canil está pronta. Construímos dez baias que abrigam 100 cães. Eles são cuidados por uma veterinária, recebem alimentação e tudo direitinho. A licitação aberta agora é para a segunda etapa, que diz respeito à construção do centro administrativo do Centro de Zoonoses, uma sala para pequenos procedimentos cirúrgicos e castração, depósito de alimentos e outros materiais necessários, mais baias, local para bovinos, equinos e gatos. O edital está na praça e tenho esperança que o resultado saia ainda este ano. O recurso já está reservado.

Notisul – Por falar em recurso reservado, você definiu que no seu governo não é feita obra sem recurso em caixa. Não é limitativo?
Bertoncini
– Não. Limitativo seria ter dívida. E não ter dívida é uma prioridade. Além disso, existe toda uma questão de responsabilidade fiscal e temos priorizado ficar dentro da legalidade. O que tenho insistentemente pedido é que em todas as questões dentro da prefeitura a lei seja seguida à risca. A lei está errada? Muda-se a lei, não o projeto ou a ação. É como na nossa casa: não podemos querer comprar uma BMW se o recurso dá para um Fusca.

Notisul – Como está a arrecadação do município?
Bertoncini
– Ah, sim! Esta é uma questão que estamos aperfeiçoando. No próximo ano, vamos criar uma secretaria da fazenda justamente para priorizar, ao meu ver, algo de extrema importância, que é a arrecadação. Hoje, este trabalho está todo concentrado na secretaria de finanças. O problema é que esta pasta faz tudo: paga conta, faz contabilidade e mais um monte de coisas. No fim, o processo de arrecadação, que é mais importante e hoje, na minha opinião, é falho, fica prejudicado.

Notisul – Qual a média de arrecadação, hoje?
Bertoncini
– Mais ou menos entre R$ 10 milhões e R$ 11 milhões por mês. Este ano, o orçamento foi de aproximadamente R$ 120 milhões, é o valor que iremos executar. A previsão, para 2011, é em torno de R$ 190 milhões. Neste montante, já está contabilizado o valor dos empréstimos que estão sendo finalizados.

Notisul – Tem algo específico para trabalhar a questão da população de rua no próximo ano?
Bertoncini
– Este é um problema que me preocupa muito. Outro dia estava com um amigo de Porto Alegre e passamos de carro ali pelos novos viadutos da BR-101. Ele falou?: “Pô, como não tem ninguém morando aí embaixo ainda? Eu respondi: “Ah, é porque não está pronto, falta o forro”. Claro que a gente fala em tom de brincadeira, mas isso é uma verdade. Se não tomarmos uma atitude agora, estes viadutos serão uma boa ‘casa’ para muitas pessoas. Não é só uma questão de aspecto, mas de dignidade humana. Uma sugestão para ocupar o espaço é fazer quadras de basquete, por exemplo. Mas daí eu penso que não seria bom porque vai haver um trânsito de veículos grande. Será que não vamos pôr essa meninada em risco? Ainda não achamos algo realmente bom e sei que teremos que avançar, e rápido, nesta discussão no próximo ano.

Notisul – Secretaria de saúde! Como fica o investimento no setor em 2011. O Pronto Atendimento, quando sai?
Bertoncini
– Nos próximos dias (nesta segunda-feira, às 18h30min), anuncio o resultado da licitação feita para construir mais dois postos de saúde. Quanto ao Pronto Atendimento 24 Horas, tivemos um probleminha. O engenheiro da Caixa Econômica Federal que analisava o nosso projeto ficou doente e o profissional que o substituiu quis analisar tudo novamente. Mas graças a Deus está na última etapa de avaliação! Esta é uma obra que não saio da prefeitura sem realizar. Pela minha condição profissional e pelo compromisso que firmei com a direção do Hospital Nossa Senhora da Conceição (HNSC) e com a sociedade. O HNSC carrega uma carga pesada por conta do excesso de atendimentos na emergência. Eu prometi que iria fazer e eu vou cumprir.

Notisul – Qual a sua…
Bertoncini
– Espera aí que tem outra coisa que eu gostaria de contar da saúde. Fiquei entusiasmado com uma notícia. Confesso que, desde a época em que fui secretário da saúde (governo de Carlos Stüpp), esta é a primeira vez que visito a farmácia da prefeitura e vejo tanto remédio. Nunca vi isso. Além de estoque garantido, a organização da secretaria de saúde é elogiável. Eu queria contar porque isso é reflexo do trabalho do Roger (Augusto Vieira e Silva – atual gestor da pasta) e de todos os servidores. Eu digo isso porque a saúde sempre terá uma demanda muito maior do que aquilo que teremos a oferecer. Então vou fazer que nem a galinha quando bota ovo e sai cacarejando. Botamos um ovinho lá e estou contando isso para todo mundo, porque é um orgulho enorme. E acho que eles merecem o reconhecimento, não apenas o meu, até porque reconhecimento de prefeito nem é lá grandes coisa. O reconhecimento do povo é muito melhor. Ah, tá! Qual era a pergunta mesmo?

Notisul – (Risos) Arena Multiuso, prefeito. Que lenda…
Bertoncini
– Falou bem. Que lenda! Vai sair. Quando? Prefiro dizer em breve. Minha determinação é a seguinte para todas os setores e ações da prefeitura: clareza, transparência e legalidade. A Arena Multiuso é uma obra vultuosa. Não pode ser feita de qualquer jeito. Por isso o edital é tão exigente. E é também por isso que só começo obra com dinheiro em caixa. Não quero desculpa de que a prefeitura não paga. Eu pago, mas quero pronto. Não quero obra como no trecho de Laguna na BR-101: vai e volta. Daí o edital tão rígido. Isto garante que a vencedora será uma empresa sólida, com condições de realizar uma obra de R$ 14 milhões. Não quero criar nenhum tipo de ilegalidade ou privilegiar alguém. Quero apenas a garantia de execução e qualidade. O edital que está em andamento e será finalizado. Só mudo se a justiça disser que está errado.

Notisul – E a parte do município?
Bertoncini
– Vamos buscar isso junto ao Ministério dos Esportes. Vou tentar uma parcela, mas se conseguir tudo melhor, né!? Aí invisto a parte da prefeitura em outra coisa. Mas, se não der, já planejei a prefeitura para arcar com sua parte. Não sei se conseguimos executar a obra em 24 meses, mas o fato que é que nos próximos dois anos teremos sim o recurso suficiente para tocar a obra.

Notisul – Qual a sua meta para o próximo ano?
Bertoncini
– Tentar chegar bem próximo daquilo que está no plano de governo apresentado para a sociedade nas eleições.

Notisul – Você é bem apegado a este plano de governo, né?
Bertoncini
– Sou sim (risos). Mas não poderia ser diferente. Foi este pequeno documento com minhas ideias que me elegeu. Além da Bíblia (aponta para o livro, aberto em cima de sua mesa na prefeitura), a minha outra bíblia é o meu plano de governo. Vamos iniciar a ponte para ligar as duas Guardas, a passarela em frente à Unisul e a reconstrução do ginásio Otto Feuerschuette. Vamos trabalhar ainda o passeio nas beira-rio, terminar o projeto feito ainda na gestão passada. Vamos fazer a segunda etapa. Ah, e também terminaremos o anel viário da avenida Pedro Zapellini. A segunda parte é a interligação do trecho pronto com a ponte Orlando Francalacci (do quartel). Estas são as ações programadas para o começo do próximo ano. Isso sem contar as pavimentações com asfalto e lajotas, uma lista enorme. A partir de 2011, tenho muitos projeto que deixam o papel e passam a ser realidade.

Notisul – Condomínio industrial! Tem muito empresário na espera. Sai em 2011?
Bertoncini
– Um eles. O do bairro São João-ME. Não é exatamente o que gostaríamos de oferecer, mas vai ser possível atender um número significativo de micro e pequenas empresas. Neste ano, apesar do projeto pronto, não tínhamos dotação orçamentária para fazer as obras de infraestrutura necessárias. Agora está incluído no orçamento de 2011. Considero altamente importante tirar este projeto do papel porque poderemos abrir muitas vagas de trabalho. As micro e pequenas empresa são as que mais empregam, e isso é fato. Então acho que é de extremo valor privilegiar este tipo de empresário.

Notisul – Hoje, qual a sua maior preocupação do ponto de vista administrativo?
Bertoncini
– Folha salarial. Teremos um problema em relação a isso no próximo ano. Hoje, o recurso que o Águas de Tubarão arrecada entra na conta da prefeitura como receita. Com isso, temos uma folga neste sentido. Mas, com a concessão da água no próximo ano, e vai sair em 2011, tenho certeza absoluta disso, não teremos mais este recuso, consequentemente nem esta folga. Isso, com certeza, vai fazer falta, principalmente para ampliar o quadro de funcionários. Hoje estamos com a luz amarela acesa. Sem o recurso do Águas de Tubarão, entraremos no vermelho, roxo, preto. Não posso comprometer todos os recursos com a folha. E o resto da cidade?

Notisul – Mas como você pretende fazer isso?
Bertoncini
– Com a reforma administrativa, cujo objetivo maior é aumentar a arrecadação e diminuir o custo com folha. Além disso, agilizará a gestão, que hoje não considero adequada. Quando digo diminuição da folha, me refiro a corte de cargos comissionados, e não efetivos. Não irei cortar salários de funcionários efetivos também.

Notisul – Jesus! Não é fácil sentar nesta cadeira né, prefeito!?
Bertoncini
– Não! Agrado alguns, mas sempre desagrado outros. Lembra da questão do horário da prefeitura? Fazer o quê? Mas o servidor tem que entender que trabalhar só pela manhã não trazia vantagem nenhuma para a população. Todos os outros órgãos trabalham à tarde: justiça, estado. De qualquer forma, se eu escolhesse pela manhã, uns reclamariam. Escolhi à tarde e outros reclamaram. Normal. A humanidade é assim, nós somos assim e não sou eu que vou mudar a cabeça das pessoas. É como se diz no popular: “Se nem Cristo agradou todo mundo, imagina ieu!” (risos).