Amanda Menger
Tubarão

Notisul – Qual é hoje o cenário da câmara de vereadores de Tubarão?
Dura
– Não existe briga entre PMDB e PSDB. Existe um personagem que está tumultuando o processo e que se chama João Fernandes (PSDB). Ele diz que entende bem o regimento interno. Mas entende só para o lado dele. É um homem que sempre que chega está emburrado, que tem ódio no seu coração, não consegue manter um diálogo aberto. No fundo, acredito que ele é um sujeito muito bom, como pai, como cidadão, mas como político ele deixa a desejar, talvez pela sua inexperiência. Você compara quando Maurício da Silva (PMDB) preside a sessão. É diferente. Ele é democrático, as expressões são livres, nós podemos nos manifestar. Com João, é um bloqueio desde o início.

Notisul – Você acha que ele espelha-se em algum político da atualidade?
Dura
– Eu diria hoje que o presidente, por não ouvir ninguém, por não querer dialogar, pode ser comparado com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A Venezuela passa por um momento tumultuado, onde se instalou um ditador, que fecha a imprensa, empresas estatais, multinacionais, o congresso. No século 21, não se admite mais este tipo de administração. E João, em determinados momentos, age de forma ditatorial.

Notisul – João é filiado ao PSDB, como o partido reage às ações dele? No início do ano, chegou-se a cogitar um processo de expulsão…
Dura
– Eu quero ressaltar que o processo de eleição da mesa diretora da câmara foi legítimo. Teve um grupo que ganhou, outro que perdeu. A questão de João não ter votado nas recomendações do partido não teve a minha participação. Eu assumi no dia 15 de janeiro. Mas acho que o partido tem que se posicionar. Se ele quer fazer um acordo democrático com o PMDB – que o levou a ser presidente -, ele tem esse direito de compor. Agora, quando se trata de assunto de governo, extrapola o legislativo. O executivo não tem mais partido, é cidade. Nós, do PSDB, damos condições ao prefeito Manoel Bertoncini (PSDB) de colocar as suas ideias em prática. E nesta hora o presidente esquece que é PSDB, infelizmente.

Notisul – Ele tem jogado contra o governo?
Dura
– Tem. Suas manifestações são claras, públicas. Ele em nenhum momento fechou com o PSDB. Se você buscar todos os requerimentos feitos por João, de fevereiro para cá, terá uma noção de que ele joga abertamente contra o governo. Ele age de modo independente. Não sou o presidente do meu partido, mas espero que o PSDB tome providências urgentemente.

Notisul – O fato dele ter questionado a transparência do governo preocupa?
Dura
– Ele questiona isso, e como vereador tem direito a isso. Mas ele tem que ter o bom senso de saber o que questiona. Na dúvida, ele pode recorrer ao governo para pedir informações. João está fazendo sua função de vereador, mas esquecendo do seu partido.

Notisul – Em entrevista ao Notisul, João disse que a eleição dele devia-se a méritos pessoais, será que não é isso que ele tenta mostrar agora ao partido?
Dura
– Acho que é isso. Infelizmente, é isso que ocorre no Brasil. As pessoas elegem-se por um partido, mas não se comprometem com ele. Isso é muito ruim para a democracia. Hoje, se diz que é mais fácil votar em pessoas do que em partido. Eu penso ao contrário. Tem que se fortalecer o partido.

Notisul – Há rumores de que João tem agido desta forma e não é repreendido pelo partido porque poderia ser um forte cabo eleitoral para a candidatura a deputado estadual do ex-prefeito Carlos Stüpp (PSDB). Isso é verdade?
Dura
– Eu levei mil votos, ele 1,7 mil. Pergunte na base de João se ele continua com os 100% de apoio. Isso já responde a sua pergunta.

Notisul – O Movimenta-Cão foi um ‘pivô’ para estourar uma nova crise na câmara?
Dura
– De maneira alguma. É uma bandeira que nós levantamos. Até porque essa questão de urgência urgentíssima é uma prerrogativa do vereador, eu expliquei isso na tribuna. Qual é a minha função como líder do governo? Apaziguar. Mas líder apazigua, não só apanha. E eu só tenho apanhado e só tenho defendido o governo. Queríamos votar rápido porque sabemos a importância deste convênio e já poderia ter sido aprovado. Quando tem cães na rua, todos criticam porque ninguém faz nada. Agora, quando se tenta amenizar o problema, criticam porque estamos dando R$ 40 mil. Às vezes, ser político é muito mais complicado do que ser eleitor.

Notisul – João questionou quinta-feira que os projetos envolvendo crianças deveriam ser tão importantes quanto o convênio com o Movimenta-Cão, como você observa o discurso dele?
Dura
– O presidente, às vezes, é um mágico por conseguir misturar os discursos. Acredito que faz isso pela inexperiência. Ele poderia consultar outras pessoas para avaliar o seu discurso. Ele não sabe o que está dizendo. Comparou crianças de rua com cães. Os governos federal, estadual e municipal têm ótimos programas para cuidar de crianças, tanto que não se vê menores pelas ruas de Tubarão, porque os programas existem e são bons. A câmara nunca negou nenhum tipo de projeto que beneficie a comunidade. O Movimenta-Cão não deixa de ser uma ação social. Por isso, esta confusão do discurso do João é mais demagogia do que a razão de ser.

Notisul – E o canil? Vocês vão pegar firme também?
Dura
– Sim. É um projeto pessoal do prefeito. Uma das prioridades dele. Mas não se resolve do dia para a noite. O chefe de gabinete do prefeito, Evaldo Tonelli, e o próprio prefeito têm andado a cidade inteira vistoriando terrenos para o canil. Já foram vistos três ou quatro, mas não é tão fácil colocar isso em prática. Vai sair.

Notisul – O que você tem a dizer do pedido de retratação do vereador Deka?
Dura
– Quando foi para aprovar o requerimento para ‘enquadrar’ Deka, eles (a mesa diretora) valeram-se da maioria de cinco votos contra três nossos (Edson e Brunato não estavam presentes neste momento da sessão). Mas isso foi bom, porque Deka, na sua defesa, deu uma aula magna de como ser vereador. De como podemos fazer uma defesa digna, respeitosa e dando uma resposta a todos de que não é acusando e humilhando os outros que crescemos na vida. É ao contrário. É ouvindo os outros e dialogando com os outros. Deka tem dado exemplo, é um ótimo vereador e tem um futuro político promissor.

Notisul – Surpreendeu a você a lotação do plenário? As pessoas esperaram mais de quatro horas até que Deka falasse…
Dura
– As pessoas têm que ir à sessão para saber como as coisas são. Eles tentaram adiar a fala dele, foi uma estratégia, e nós percebemos isso desde o início. Nós estamos suportando isso há tempos. Desde fevereiro, aprovamos 364 requerimentos da mesa diretora, dos mais diversos assuntos. Nós não cerceamos as informações. Quando reprovamos algumas proposições e que depois aprovamos, foi para marcar posição, queríamos mostrar que tinha problemas ali. E vai continuar desta forma, se João não parar para conversar. Com relação à plenária lotada, eu não esperaria outra reação. Deka foi o vereador mais votado e é muito carismático. Ele recebeu o apoio dos amigos e eleitores.

Notisul – Recentemente, você não poupou críticas a Evandro Almeida (PMDB). O que está ocorrendo?
Dura
– Evandro é um inexperiente político, mas, se seguisse por sua luz própria, brilharia muito mais. Ele está sendo ofuscado quando se deixa levar pelos lobos da política local. Quando Evandro pega uma causa, tem que ser verdadeira. Quando ele fala do corte de árvores, que tem superfaturamento, que a prefeitura não dá respostas porque não tem papel eu o questionei. Fui para cima dele e pedi provas. Sobre as árvores, o juiz Júlio Knoll deu uma liminar para suspender o corte. Ele fez isso porque não recebeu uma resposta da prefeitura por esquecimento, coisa parecida. Tão logo a prefeitura acordou, foi no Tribunal de Justiça e conseguiu derrubar a liminar. Foi uma questão técnica e não de superfaturamento. E Evandro cisma de falar isso. Quando eu denunciei que ele estava falando do corte de árvores porque a empresa do irmão dele estaria participando, eu me equivoquei. Fui para a tribuna e pedi desculpas. E não me arrependo disso. Mas ele não fez o mesmo com suas declarações ao governo.