Jaison Cardoso de Souza (PSDB) é vereador em Imbituba desde 2000. Candidatou-se por acaso. A partir de então, já passou por vários cargos. Foi presidente da câmara, secretário de administração, obras e desenvolvimento urbano e ambiental da prefeitura. Também já exerceu a função de chefe de gabinete. Jaison tem 45 anos, é formado em manutenção mecânica pela Escola Técnica Federal de Santa Catarina e se diz apaixonado por Imbituba. Com a vontade de dar continuar ao trabalho do prefeito Beto Martins (PSDB), pré-candidatou ao executivo deste ano.  

 

 

Angelica Brunatto
Tubarão

 
 
Notisul – O que o motivou a colocar o seu nome à disposição para concorrer a prefeito de Imbituba?
Jaison – Quando eu entrei na política, em 2000, não tinha a intenção de ser prefeito. Se tenho um sonho de ser prefeito? Não. Tenho vontade de fazer de Imbituba a maior cidade do sul de Santa Catarina. Este é o meu sonho. Imbituba cresceu nos últimos sete anos o dobro do que cresceu Santa Catarina e o dobro do que cresceu o Brasil. Imbituba era a quinta cidade da Amurel, hoje somos a segunda. Perdíamos para Braço do Norte, Capivari de Baixo, Laguna e Tubarão. Hoje, só perdemos para Tubarão, e entendo que muito em breve também estaremos à frente dela. Imbituba é a bola da vez. Isso ocorre por causa do modelo administrativo implantado pelo Beto Martins (PSDB), implantado por nós, porque eu me sinto parte disso.  
 
Notisul – Então a sua decisão veio desta vontade de fazer a cidade crescer… 
Jaison – Exato. Vou dar continuidade ao modelo administrativo que foi implantado. Esse é o maior objetivo de ser pré-candidato a prefeito. E, segundo, porque eu me sinto totalmente preparado para administrar a cidade. Fiz parte de várias secretarias, oportunidade dada pelo prefeito Beto. Sou secretário há seis anos, em várias pastas, e ao longo do tempo fui adquirindo experiência em administração pública. É neste sentido que pretendo ajudar a cidade de Imbituba  e os seus moradores.
 
Notisul – Supondo que o senhor seja eleito, qual será o seu maior desafio?
Jaison – Boa pergunta. Exatamente aquilo que eu entendo que é o meu maior objetivo. Fazer com que a gestão supere a política. Esse é o meu maior desafio. Hoje, a administração pública deve ser tratada muito próxima da administração privada, dentro do meu ponto de vista. Então, dentro do meio político, não é fácil você conseguir implantar de verdade a gestão, a política muitas vezes atrapalha o profissionalismo na gestão pública. 
 
Notisul – Qual a avaliação que o senhor faz da administração atual?
Jaison – Ela é muito boa. Mas nem todos os problemas foram resolvidos em Imbituba. Não é porque a cidade é a que mais cresce na região que os problemas vão acabar. Existem alguns pontos que, neste período de sete anos, não foram possíveis resolver, por falta de tempo. Temos que trabalhar melhor a questão ambiental, de uma forma mais eficaz. Hoje, temos um déficit habitacional em Imbituba, que no futuro próximo, com o crescimento da cidade, vai ser maior ainda. Temos que estancar, temos que ter esse cuidado, porque, daqui a quatro ou cinco anos, a cidade não vai ter mais 40 mil habitantes, vamos estar próximos aos 50 mil. E, com a chegada de mais pessoas e com o desenvolvimento da cidade, os problemas vão surgir também. Questão de segurança pública, vagas nas creches, nas escolas públicas, transportes públicos e estradas. E então nós temos que trabalhar para preparar esta cidade para o desenvolvimento que está chegando. E eu acredito que a partir do desenvolvimento do porto, que daqui a pouco tempo vai deslanchar, a cidade vai crescer de uma forma mais rápida. Então, se nós não estivermos preparados, vamos perder a qualidade de vida que temos hoje.
 
Notisul – Então, o senhor acredita que é necessário trabalhar com o crescimento sustentável da cidade?
Jaison – Nós temos um ótimo plano diretor, de desenvolvimento sustentável, e de saneamento em Imbituba. Mas nós temos que ter um grande controle urbanístico. É este um dos pontos que não estão adequados. A cidade vem crescendo de uma forma acentuada, mas desorganizadamente. Temos que estancar isso. Com a aceleração do crescimento, que vamos ter agora no futuro, queremos ter esse controle. Temos que aperfeiçoar a equipe da prefeitura, modernizar a administração pública, capacitar os funcionários, os fiscais ambientais e urbanos, para que a gente possa ter um controle deste desenvolvimento desenfreado e inadequado para o crescimento sustentável da cidade.
 
Notisul – Este desenvolvimento desenfreado pode trazer insegurança para os moradores?
Jaison – Se nós fizermos um comparativo da segurança pública de Imbituba com cidades da região e com o próprio índice do nosso estado e país, nós temos uma segurança boa hoje. Mas não tenho dúvidas que temos que estar preparados para o crescimento. Junto com ele, virão os problemas de segurança. Temos que trabalhar junto ao governo do estado para buscar mais efetivo para a policia militar e mais efetivo para a Polícia Civil. Estamos desenvolvendo um projeto, junto ao plano de governo, que pode ajudar na questão da segurança, que é uma Guarda Municipal. Estamos vendo a viabilidade. 
 
Notisul – O que falta hoje para Imbituba?
Jaison – A gente que vive na administração pública vê que a ainda falta um controle urbanístico melhor para que a cidade não cresça desordenadamente. Também temos que dar uma incrementada melhor no turismo. Este é um dos nossos grandes potenciais. Nos últimos sete anos, nós já avançamos muito. Mas, ainda temos que trabalhar a questão do turismo fora de temporada. Temos que explorar mais o nosso potencial em cima da baleia franca, que aparece em setembro, fora do verão. Hoje, temos uma semana nacional de baleia franca, que pode ser ampliada. Temos também o turismo religioso, que temos que intensificar mais. Hoje, Imbituba tem um convênio assinado com o estado de R$ 3 milhões, para a construção de uma imagem de Santa Paulina em cima do morro da antena. Deste recurso, R$ 2,5 milhões é parte do estado e R$ 500 mil de contrapartida da prefeitura. Já foi feita a licitação para o projeto, que está pronto entregue e concluído. Agora, é feita a licitação das formas para a montagem da santa. Será uma imagem de 45 metros. Eu creio que, com isso, o turismo religioso vai alavancar também fora de temporada. 
 
Notisul – Na sua opinião, o turismo deve ser trabalhado em conjunto com os outros municípios da região, de forma integrada, ou o município deve fazer isto sozinho?
Jaison – Primeiro, você deve fazer o dever de casa. E só depois teremos como trabalhar o turismo integrado. Falando em turismo religioso, nós temos a Santa Paulina, Imaruí à beata Albertina, e o Santo Antônio, em Laguna. E integrar tudo isso já era um projeto do ex-governador Luiz Henrique da Silveira para a região. É interessante. Mas, se o dever de casa não for feito, a cidade não tem como trabalhar com o turismo integrado.
 
Notisul – Imbituba tem recebido muitas empresas. E elas contribuem muito para o desenvolvimento da cidade…
Jaison – Economicamente, não se tem dúvida. Elas geram empregos, renda, nossa arrecadação aumenta consideravelmente com a chegada de mais e mais. Agora temos que preparar os cidadãos de Imbituba para que possam ocupar estas vagas de trabalho que serão abertas com a chegada de novas empresas. A cidade, nos últimos anos, recebeu a Santos Brasil, que fez um investimento de R$ 500 milhões no porto. Espero que movimente muita carga para gerar também emprego e renda. Também recebemos a Votorantim, e algumas outras empresas já estão se instalando no distrito industrial. Então, são várias pequenas empresas, agregadas à Santos Brasil e a Votorantim, que estão fazendo com que a economia de Imbituba cresça da forma que está crescendo.
 
Notisul – E para que estas vagas sejam ocupadas pelos imbitubenses, tem que melhorar a educação…
Jaison – Eu considero que a educação municipal de Imbituba está em um estágio bastante avançado. Existem cinco aspectos importantes para desenvolver uma boa educação na cidade. É um bom transporte escolar, uma boa merenda escolar, um bom nível de professores capacitados e motivados, uma estrutura física das escolas eficiente para que o professor possa desenvolver o seu trabalho e os alunos possam se sentir acomodados, e o bom material pedagógico. Hoje, destes cinco aspectos, apenas um ainda não está devidamente adequado em Imbituba: o salário dos professores. É inadmissível que professores recebem um piso salarial de pouco mais de R$ 1,4 mil. Os outros quatro eu considero que está de bom a ótimo. E, para falar em termos de preparação, para ocupar o mercado de trabalho, acho que o caminho é trabalhar para mais cursos profissionalizantes.
 
Notisul – Como você avalia os seus possíveis concorrentes nestas eleições?
Jaison – Eu considero que Imbituba terá provavelmente três candidatos à prefeitura. Jaison, Christiano (PSD) e Rosenvaldo Junior (PT). Jaison representa o modelo administrativo atual, implantado pelo prefeito Beto (PSDB). Christiano vai representar o modelo administrativo implantado pelo o seu tio, Jerônimo Lopes, quando foi prefeito lá atrás. E Rosenvaldo vai representar o desconhecido. Ele nunca foi vereador, nunca participou efetivamente da administração pública, é um médico e desenvolve muito bem a sua função.
 
Notisul – O senhor candidatou-se a vereador por acaso. Também entrou na política por acaso?
Jaison – Na verdade, foi bem por acaso mesmo. Eu ingressei na política a convite do ex-prefeito Osny (Souza Filho) e do seu vice-prefeito, Jair de Amorim. Mas foi principalmente por causa do vice, que era meu amigo. Ele era o candidato que representava o meu bairro. E, a partir do momento em que se chegou próximo à convenção, foi definido que ele era o candidato a vice-prefeito, então, abriu um espaço de vereador para ser ocupado. Eu recebi este convite para ser candidato dois dias antes da convenção. Já na primeira disputa, me elegi e depois a sequência foi mais tranquila.
 
Jaison por Jaison
Deus – Confio, acredito. Trabalho – Muito.
Família – Me emociono, tenho uma família muito unida.
Passado – Só se guarda as coisas boas.
Presente – Pré-candidato a prefeito de Imbituba.
Futuro – Fazer de Imbituba a maior e melhor cidade do sul de Santa Catarina.

 
 
"Eu, como vereador, sempre fiz uma oposição muito responsável. Nunca fiz nada pessoal contra A ou contra B, mas sim contra a forma de administrar. Eu sempre fiz uma oposição muito forte, sempre fui bastante estudioso nos projetos. Mesmo sendo de oposição, votei favorável a muitos projetos, mas fui contrário a outros. Eu não sei se é mais fácil ser vereador de situação ou oposição. Eu acho que o vereador deve exercer as verdadeiras funções de fiscalizar e implementar projetos que sejam do interesse do público.
 
Se a gestão pública for trabalhada pura e simplesmente de uma forma política, o político não estará fazendo trabalhando para o coletivo. Então, para trabalhar com gestão, tem que ter eficácia na busca da receita e ter responsabilidade na hora de efetuar as despesas, gastar só aquilo que realmente é necessário. Deve-se administrar a prefeitura como se fosse a sua casa. Tem que tratar a gestão com muita responsabilidade, é desta forma que vai sobrar dinheiro para investimentos, poder fazer a cidade crescer".
 
 
"Quando me tornei presidente da câmara, em 2005 e 2006, consegui fazer um trabalho bastante promissor para a cidade, principalmente para a construção da sede do legislativo. A câmara sempre foi em um prédio alugado. Na época, pagava-se aluguel em torno de R$ 5 mil por mês. Consegui fazer um trabalho na presidência da câmara voltada para a gestão, e conseguimos em dois anos economizar R$ 1 milhão, para a construção da nova sede.
 
Eu vou defender o modelo administrativo em Imbituba, que iniciou em2005, com o prefeito Beto em seu primeiro mandato. É um modelo administrativo voltado para a gestão. E a gente fez o contrário. Toda a equipe da prefeitura é estritamente técnica, para que os trabalhos possam ser desenvolvidos com eficácia".