Felipe Felisbino, 40 anos, enxerga a profissão de professor como uma experiência singular. Felipe começou cedo na política, aos 20 anos. Passou por vários cargos em secretarias. No governo do prefeito Manoel Bertoncini, foi assessor para assuntos institucionais e também secretário adjunto de desenvolvimento econômico do estado.

Karen Novochadlo
Tubarão

Notisul – Em 2011, a secretaria passou por vários cortes dentro do próprio orçamento…
Felisbino
– Não vamos dizer cortes. A secretaria passou a desenvolver um planejamento de gestão. Então, nós o aplicamos para controlar os investimentos, os gastos. Um exemplo é a nova gestão para o transporte, com acompanhamento das rotas do transporte escolar, dos carros à disposição para o administrativo, acompanhando as ordens de serviço para o abastecimento e manutenção dos veículos. Isto nos propiciou uma economia. Também fizemos um acompanhamento e análise nos lançamentos feitos na folha de pagamento. Nesses lançamentos, nós encontramos umas coisas que eram para terem sido um mês e viraram rotina. Era uma situação extraordinária que virou rotina por falta de acompanhamento. Um exemplo: fomos analisar o consumo de energia de todas as unidades, e encontramos na Faustina da Luz Patrício uma discrepância, variava de R$ 4 mil a 10 mil por mês. Nós fomos fazer uma vistoria no prédio e não encontramos nenhuma situação anormal e solicitamos à Celesc que fizesse a sua vistoria no prédio e constatou que havia problemas no relógio. A Celesc devolveu aos cofres do município R$ 68 mil. O consumo de combustível reduziu bastante. Porque temos um controle de gestão e acompanhamento. Não desestruturamos a nossa logística nas unidades. Inclusive, alguns casos estão muito mais otimizados do que estavam antes. Tem que ter rotina. O feedback que se tem é muito positivo, conforme as unidades nas escolas. Na merenda, por exemplo, tínhamos 16 servidores. Hoje, tocamos com oito. Se deixamos de atender as unidades? Não. Os servidores foram redistribuídos dentro da estrutura da prefeitura. Alguns retornaram às origens. Aquele plano de economicidade que apresentamos à comunidade foi executado.

Notisul – Nesta semana, saiu o resultado de licitações para a reforma de escolas em Tubarão.
Felisbino
– Ao todo, são três etapas. Já iniciamos a primeira. A segunda será em breve. Para a terceira etapa, a antecipação de recursos que queremos trazer para Tubarão. Essa antecipação teria dois anos de carência e 15 anos para a quitação. É uma operação que se chama Fedic. Em alguns estados, já é praticado para a reestruturação saúde. Nós trocamos ideia há algum tempo com o Ministério da Educação (MEC), da Fazenda e FNDE quanto à operação. Teríamos a condição de antecipar recursos e assumir uma prestação de contas para ser paga com salário educação, que recebemos anualmente do governo federal. Também poderíamos pagar se aumentarmos o número de alunos da rede municipal de ensino. Hoje, temos 5,5 mil matrículas no município, além dos 1,5 mil alunos matriculados em instituições conveniadas. Então, se aumentássemos o número, aumentaria o repasse anual do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). É uma proposta bem madura e neste mês convocaremos os secretários da administração municipal para apresentarmos a proposta, assim como lideranças da comunidade.

Notisul – Em 2011, falou-se muito sobre a municipalização. Ficou para o próximo ano?
Felisbino
– O município tem muito claro o encaminhamento da municipalização. É bem-vinda para Tubarão, porque nós agregamos infraestrutura. Há possibilidade de aumento de contrato de trabalho dos nossos professores efetivos. Ela garante a uniformização didática pedagógica do ensino fundamental. Algumas pessoas não compreendem que é bem-vinda desde que não haja a assimilação e transferência da folha de pagamento dos professores estaduais. E não recebemos do governo do estado um posicionamento quanto a esta questão. Também não sabemos como ficarão encaminhados os servidores efetivos no município dentro das estruturas do governo do estado. Então, discutiremos posteriormente.

Notisul – Os sindicatos dos professores, principalmente o estadual, questionaram se a prefeitura tem condições de cuidar dos CEIs. Como o senhor vê a questão?
Felisbino
– Nós reagimos e mostramos a comunidade, que temos qualidade de ensino. Bons resultados nas avaliações do governo federal, com índices elevados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Nós temos profissionais qualificados formados atuando diariamente em sala de aula, uma proposta curricular acompanhada, uma programação de capacitação de nossos professores definida. O que foi apresentado pelo sindicato foi um recorte da realidade que temos conhecimento e estamos dando encaminhamento para a correção, prevista em um calendário de obras que licitamos até o fim deste ano. As reformas estarão prontas para o início do calendário letivo. Os CEIs Estrelinha Brilhante e Sete Anões precisão de cinco meses de obra. Estarão prontas em maio.

Notisul – No fim do ano passado, foram implementadas mudanças na merenda. Quais foram?
Felisbino
– Nós implantamos um sistema de controle da distribuição e estocagem da merenda. Então, otimizamos o repasse às escolas, o acompanhamento das despensas das cozinhas em tempo real. Desde a quantidade à validade. A distribuição por consumo per capita deste produto garantirá otimização do uso dos itens da merenda escolas e do consumo. Isto otimizará nossa licitação, evitará desperdício ou a perda do produto por data de validade avançada. Dentro da merenda, temos um cardápio. Temos que garantir a execução deste cardápio. O sistema irá nos propiciar este acompanhamento.

Notisul – Em 2011, os professores de educação física e merendeiras foram capacitados. Foi algo relacionado às mudanças?
Felisbino
– Foi feita no início de novembro uma capacitação para as merendeiras e profissionais de educação física. Então, casamos a nutrição com a queima de caloria. Alimentar bem nossos alunos para que possam enfrentar um roteiro de atividade física que seja condizente com o cardápio dele. E vice-versa. Um levantamento da situação física dos nossos alunos, que gerou esta proposta da capacitação das merendeiras e professores de educação física, aponta que temos muitos alunos acima do peso. Também enfrentamos, realidades isoladas, como abaixo do peso.

Notisul – Que mudanças são planejdas para 2012?
Felisbino
– Uma das nossas conquistas de 2011 foi a reformulação do plano de carreira do magistério. O assessoramento pedagógico que está sendo formatado e irá ser um grande investimento para a educação em 2012. Vamos ter uma equipe de assessores pedagógicos que atuarão nas escolas. As nossas 47 unidades foram mapeadas e um assessor assumirá de duas a três unidades escolares. Ele será o elo da secretaria de educação da prefeitura com a unidade escolar. Não fiscalizará o professor, mas auxiliará no dia-a-dia da escola. Nós temos 47 unidades. Antes, só tínhamos 11 unidades, que contavam com ao auxílio do assessoramento pedagógico. Só que esses assessores tinham uma sobrecarga administrativa que os impossibilitava que dedicassem a orientação pedagógica. Antes, não era previsto secretário para todas as unidades.

Felipe por Felipe 

Deus: Razão de existência.
Família: Base de tudo.
Trabalho: Gratificante, se for com entusiasmo.
Passado: Experiência.
Presente: Vivência.
Futuro: Esperança.

"Nós podemos buscar até R$ 20 milhões pelo Fedic. São investimentos para melhorias na infraestrutura das nossas escolas, garantimos tecnologias para a sala de aula, professor, secretaria de educação e capacitação”.

"Uma outra situação foi o consumo telefônico pelos ramais. Identificamos um exagero de recebimento de ligações a cobrar de um determinado ramal da secretaria. Abrimos um procedimento administrativo e estamos agora em vias de conclusão. Realmente, foi um deslize do servidor nas ligações particulares e a cobrar. E ele terá que devolver aos cofres municipais de mais R$ 580,00 por estas ligações que recebia a cobrar."