Amanda Mneger
Laguna

Notisul – Qual a sua avaliação em relação à coligação que o senhor é o cabeça-de-chapa?
Júlio
– É uma coligação que une a esperança com a coragem e a experiência do ex-prefeito (Adilcio Cadorin – candidato a vice). Temos uma visão de que é necessário mobilizar a cidade para as suas vocações: a pesca e o turismo, incentivando a economia e aproveitando as belezas naturais da cidade.

Notisul- Quais projetos estão englobados em seu programa de governo?
Julio
– O foco do programa de governo é a infra-estrutura, que será necessária para aproveitar os potenciais trazidos pela duplicação da BR-101. Tem que ter um segundo acesso para que possamos desenvolver ainda mais o turismo. Outro projeto na área do turismo é a construção de um teleférico. Queremos também estabelecer um forte calendário de eventos: retomar a Festa da Tainha, Festa do Camarão, Moto Clube, os eventos religiosos, a parte náutica também.

Notisul – Em sua visão, qual a maior necessidade de Laguna?
Júlio
– É focar o turismo. Revitalizar a Lagoa de Santo Antônio para poder explorar todo o potencial da cidade dentro da área do turismo. Se nós não criarmos hoje uma mídia para a cidade, com divulgação estadual, nacional, e estabelecer um plano municipal de turismo envolvendo o complexo lagunar nós não conseguiremos manter Laguna em evidência e atraindo cada vez mais turistas. Além disso, precisamos gerar mais empregos, e isso será possível por meio do desenvolvimento do setor turístico, sem esquecer da qualificação desta mão-de-obra para que as empresas possam aproveitar e empregar os nossos jovens sem ter que trazer pessoas de outros lugares. Queremos, para isso, trazer uma escola técnica federal e incentivar a formação de uma universidade municipal, ao estilo da Fucap.

Notisul – Como o senhor avalia os investimentos feitos pelo governo fereral e estadual na cidade?
Júlio
– Fazemos parte da base de apoio do governo estadual e os investimentos feitos em Laguna foram buscados por nós. Apoiamos o governador Luiz Henrique (PMDB). Agora, os investimentos do governo federal foram irrisórios e não foram concluídos, como a retificação dos molhes da barra, que não incentivou a pesca como imaginávamos, assim como os investimentos foram simbólicos, quando deveriam ter sido investimentos maciços na área da infra-estrutura para incentivar o turismo na cidade.

Notisul – A pesca e o turismo estão entre as principais fontes econômicas de Laguna. Como desenvolver estas áreas? Se eleito, pretende investir também no turismo ecológico, muito tímido ainda no município?
Júlio
– Laguna precisa estar preparada para o turismo e um dos principais trabalhos nesta área é criação de um calendário de eventos. Precisamos fazer um complexo temático-cultural para a cidade, com a revitalização dos pontos turísticos como o Morro da Glória, molhes da barra. Um centro de eventos também é importante. Laguna precisa resgatar a sua história por meio do Museu do Mar. A construção do teleférico. O turismo ecológico vem naturalmente em decorrência das belezas naturais de Laguna. Temos que potencializar o interior, integrando a cidade como um todo e gerando empregos. A pesca é outro fator importante e tem que ser integrado com o turismo, para que o pescador tenha condições de viver melhor. O pescador artesanal tem que ser qualificado. A Lagoa tem que ser revitalizada para que possamos fazer esta integração, focando este desenvolvimento a partir do turismo.

Notisul – Os investimentos no porto de Laguna já foram anunciados pelos governos estadual e federal. Qual a expectativa de futuro?
Júlio
– O porto de Laguna ainda não foi concluído. Já gastaram milhões e milhões de reais e até agora nada. Os lagunenses esperam muito desta obra, acreditam que isso irá proporcionar o desenvolvimento do setor pesqueiro. Laguna está ainda à mercê deste setor. Se não houver a conclusão do porto pesqueiro, estamos fadados a seguir a margem deste desenvolvimento. Precisamos do porto para este projeto de integração entre o turismo e a pesca.

Notisul – Como o senhor observa essa polêmica em relação ao espetáculo teatral que conta a vida de Anita? A administração atual deixou de realizá-lo durante dois anos…Se for eleito, continuará a investir no espetáculo?
Júilio
– O espetáculo A Tomada de Laguna, hoje conhecido como A República em Laguna, foi o único evento que deu conotação nacional à cidade e deve ser mantido, além disso, deve ser incentivado, com mais criatividade, relevo. Não basta só a continuação deste evento, temos que manter o nome de Anita Garibaldi vivo durante todo o ano e por isso a importância do calendário de eventos.

Notisul – Como o senhor avalia o contrato com a Casan para a realização do esgoto sanitário na cidade? As obras são feitas? Existe possibilidade de municipalizar a água caso a Casan não cumpra o contrato?
Júlio
– A municipalização da Casan foi proposta pelo atual governo, o que não foi feito, assim com a maioria das suas promessas. A Casan tem que ser mantida desde que ela ofereça à cidade condições de iniciar o projeto de tratamento de esgoto, porque isso é fundamental para o desenvolvimento do turismo. Se a Casan não assumir, se o município não assumiu até agora, e se assumiu, não se sabe quais as condições para que a Casan possa estabelecer as suas metas de ação com relação ao tratamento de esgoto sanitário de toda a cidade, se ela não conseguir fazer isso tem que haver a intervenção do município para que seja feito, o interesse é da sociedade. Se não fizermos isso estaremos na contra-mão da história, porque a nossa vocação é o turismo.

Notisul – Pode-se fazer uma avaliação positiva da atual gestão?
Júlio
– Se eu fosse avaliar como positiva eu não seria candidato. Porque tudo aquilo que foi promessa, que nós inclusive apoiamos, em 90% não foi feita. Foi uma política baseada no assistencialismo, e não na geração de empregos. Eu tenho a consciência de que o nosso governo será um governo proposto para que Laguna retome o seu desenvolvimento a partir da nossa grandeza, da nossa história, que é a nossa cultura, qualificando a mão-de-obra do pescador, dos nossos jovens para fomentar aquilo que o Célio não conseguiu fazer que foi trazer mais empregos e melhorar a renda.

Notisul – Com base na atual gestão, o que faria diferente? E o que pretende manter se for eleito?
Júlio
– Se eu disser que vou manter, manteria o que é de bom para a cidade. Mas a única coisa que está viva é o espetáculo teatral e que foi iniciado por Adilcio Cadorin, quando era prefeito. Não teria como hoje manter, porque tudo foi diminuído. Antes, tínhamos muito mais postos do Programa Saúde da Família (PSF). E eu acrescentaria muita coisa, a começar aumentaria o número de comunidades atendidas pelo PSF, porque é possível ampliar. Na saúde ainda, colocaria as clínicas em distrito, coisa que foi prometida pelo Célio e não foi cumprida.

Notisul – Laguna é conhecida também pelo Carnaval. A festa é considerada uma das melhores do país. Uma referência. Mas, nos últimos anos, o índice de violência aumentou. Como pretende amenizar a situação?
Júlio
– Infelizmente, a tradição do Carnaval de Laguna foi desvirtuada. Temos que profissionalizar o Carnaval e assim também o que está em volta, como a segurança. Temos que garantir que o Carnaval continue como referência. Mas temos que solucionar os problemas de violência. A situação só não é pior em virtude da construção do sambódromo, obra do governo estadual.

Notisul – Se eleito, pretende interferir na “briga” pelo título de Terra de Anita? Lages contesta. Diz que a heroína nasceu lá. Qual a sua opinião sobre isso?
Júlio
– Os lageanos que me perdoem. Laguna é de Anita e Anita é de Laguna. Até Tubarão poderia reivindicar, porque ela nasceu em Morrinhos, e essa comunidade hoje pertence a Tubarão. Mas Tubarão sabe e Lages também que Anita Garibaldi pertence à cidade de Laguna.

Notisul – Se o senhor não for eleito, que rumos seguirá profissionalmente? Continuará na política?
Júlio
– A minha luta sempre foi para a minha cidade. É aqui que eu vivo. É onde eu fiz a minha história profissional. É aqui que eu preciso manter essa relação com o povo para que Laguna seja berço e referência, não só da cultura, mas também da saúde como nosso hospital, com a educação, para resgatar a felicidade do lagunense.