Zahyra Mattar
Tubarão

Notisul – A licitação para a segunda etapa do presídio regional estava marcada para esta semana e foi protelada para a próxima. O que houve?
Benedet
– Na verdade, tivemos que apurar as coisas, alguns detalhes de projetos, enfim. O que vamos verificar agora é o andamento disso. Semana que vem, trago notícias sobre isso, com certeza. A terraplanagem é feita neste momento sem nenhum problema ou atraso. Mas podem ficar tranquilos que vamos inclusive ganhar prazos, acelerar. Vai dar tudo certo.

Notisul – Na sua opinião, por que foi tão difícil fazer esta obra em Tubarão?
Benedet
– Porque não conseguíamos resolver o terreno. Em Florianópolis, estou com o mesmo problema. O juiz (do Tribunal de Justiça) sentenciou uma multa ao estado porque não construímos um novo presídio em Florianópolis. Eu disse: o senhor dê uma multa para quem não dá o terreno para nós (o estado). Como eu vou fazer a obra se não tenho onde? Como eu sempre repito: pendurar o presídio ou a penitenciária nas nuvens não dá. Se desse, eu já tinha feito. Entendo a resistência do cidadão, dos municípios.

Notisul – O senhor refere-se à “máxima” popular de que se fosse para construir escola não teria dinheiro?
Benedet
– Pode ter certeza que eu também preferiria investir estes milhões gastos com prédios prisionais em outras ações. Mas fazemos o quê? Deixamos a bandidagem solta? Não podemos. Como ficará a segurança das nossas famílias? Não é falta de vontade do estado. Temos recursos garantidos. A diferença entre Tubarão e este caso que enfrento em Florianópolis é que aqui o povo não gostou da ideia, protestou, mas soube entender a situação e foi inteligente. No fim, aceitaram a obra e a construção seguirá seu curso, como já disse, dentro dos prazos. Na capital, não querem entender que a construção de uma instituição penal é, inclusive, uma questão de saúde pública. O meliante errou, mas nenhum ser humano merece viver nas condições apresentadas em muitos presídios e penitenciárias do país. Precisamos, sim, modernizar e melhorar. Até mesmo para dar chance do detento de se recuperar.

Notisul – Tubarão pleiteia, há mais de oito anos, um sistema de câmeras de segurança. O índice de furtos e roubos na cidade é grande se for levado em conta o tamanho do município. Isto tem chance de sair do papel até o fim do governo de Luiz Henrique da Silveira?
Benedet
– Tudo no seu tempo (risos). Não posso investir em apenas uma região. Tenho muito carinho por Tubarão. Este projeto faz parte de um planejamento do estado. E Tubarão não está fora. Por exemplo: Lages, Jaraguá do Sul, Chapecó. Todas estas cidades lutavam por isso há muito tempo. E só agora que este sistema é implantado. Na próxima leva, Tubarão vai receber. O município integra a lista. Mas ainda temos que fazer um orçamento, um planejamento, técnicos terão que vir à cidade e realizar um estudo, junto com as polícias, para saber, por exemplo, quantas câmaras são necessárias. Mas não posso marcar data para isso, mesmo porque depende de recursos.

Notisul – A Amurel cresce visivelmente. Todas as obras de infraestrutura em andamento trarão desenvolvimento e, possivelmente, uma certa elevação na criminalidade. Pelo menos, a impressão que se tem é essa. Qual a sua análise?
Benedet
– A Amurel é estável. Felizmente, não há números que nos mostrem aumento na criminalidade como em outros lugares no estado. Os índices mostram, inclusive, queda. No ano passado, é verdade, tivemos um problema, aquela guerra de gangues (refere-se aos cinco assassinatos). Mas foi só. O restante foi dentro do que já ocorria. Este ano, o crime de maior repercussão é este esquema de Pedras Grandes (referência ao caso de sumiço de dinheiro de contas no Besc), mas todos foram presos e não é crime violento, pode-se dizer que é quase um crime de colarinho branco. Então, os investimentos ficarão dentro do possível e do necessário.

Notisul – Além do presídio, quais os investimentos a secretaria de segurança pública planeja para a região?
Benedet
– Temos investido muito em equipamentos para as polícias e também na contratação de pessoal. Computadores, viaturas, armamentos e estruturação dos prédios públicos para atender melhor o cidadão são exemplos. Na verdade, este investimento, que aos olhos de quem não entende parece pouco, é vital. Além disso, tínhamos uma polícia praticamente obsoleta neste sentido. A modernização era visivelmente necessária. Mas o nosso maior investimento é no ser humano. Foi em aumento salarial, que ainda reclamam porque querem mais, foi em melhorias legais, caso do plano de carreira da Polícia Civil que até então não tinha. Isso sem contar no aumento de efetivo, nas promoções. A valorização do policial (refere-se à Polícia Civil, Militar e Corpo de Bombeiros) tem sido o maior investimento do governo Luiz Henrique na área da segurança pública.

Notisul – E o Plano de Carreira da Polícia Civil? Como está o andamento do projeto?
Benedet
– Espero que vá para votação na assembleia legislativa, neste mês, como eu quero. Mas, se não der, no mais tardar em maio, estará lá.

Notisul – E ficou como o senhor queria?
Benedet
– Não (risos). É tudo muito negociado, nem tudo é como a gente quer. Na verdade, é o que a Polícia Civil quer (risos). Claro que nunca vamos conseguir atender a todos os pedidos. Mas acredito que conseguimos deixar redondo, será bom para os policiais, conseguiremos estimulá-los ainda mais. Todos serão agentes de polícia (antes, a nomenclatura era investigador de polícia) com progressão na carreira. E isso vai fazer com que cada um seja estimulado a trabalhar ainda mais. Ficamos absurdamente estagnados por muito tempo em relação à Polícia Civil. Era a única sem plano de carreira. Quando eu assumi a secretaria, era uma polícia quase extinta, com o pé na cova. Hoje, estes homens e mulheres trabalham com vontade, com garra, como nos demais órgãos da segurança pública. E isto pode ser verificado nos números de prisões, de elucidação de casos.

Notisul – Qual a sua avaliação destes seus cinco anos como secretário de segurança pública?
Benedet
– Acredito que a marca forte foi realizar aquilo que era de maior valia para a segurança pública. Refiro-me à valorização do policial. A sociedade reclama, mas hoje valoriza, vê a importância do policial. E foi principalmente por este motivo que aceitei o cargo quando fui convidado pelo governador Luiz Henrique. O policial é garantidor da segurança, da aplicação da lei. Por isso que o maior investimento do estado foi em recursos humanos. Nestes últimos cinco anos, contratamos 2,6 mil homens somente para a Polícia Militar. Este ano, chegaremos a 600 bombeiros a mais. Na Polícia Civil, serão mil homens a mais até dezembro e outros mais de 100 no Instituto Geral de Perícias. No sistema prisional, tínhamos 590 pessoas. Hoje, já estamos com 1.435. No caso dos monitores de adolescentes infratores, dobramos o número de pessoal. E para todos garantimos aumento salarial e promoções. Pode não ser o ideal ainda, mas conseguimos avançar, e muito.

Notisul – O senhor acredita então que conseguiu tirar as polícias daquela quase morte que se referiu anteriormente?
Benedet
– Sim. E o pior é que era estagnada mesmo. Por isso que, além de investir em pessoal, também colocamos recursos recorde em infraestrutura física como presídios, penitenciárias, por exemplo. Quando eu assumi, tínhamos seis mil presos para quatro mil vagas. Hoje, temos 12,6 mil presos em sete mil. Isto mostra a atuação da nossa polícia. Este ano, até dezembro, chegaremos a oito mil vagas no sistema prisional e devemos fechar o mandato de Luiz Henrique da Silveira com dez mil novas vagas em todo o estado.

Notisul – Os recentes investimento em armamento também integram este investimento?
Benedet
– Com certeza. A nossa polícia andava com revólver na cintura, uma ou outra pistola. A espingarda era um rifle de filme de cowboy, era aquela winchester. O que era aquilo! Hoje, temos fuzis, armas modernas e até não letais (Refere-se às armas teaser – de choque -, entregues esta semana em Tubarão). Tanto é que diminuímos o número de assaltos a bancos em Santa Catarina porque o criminoso fugiu daqui. Sabe que nossa polícia está bem preparada. Há pouco tempo, fomos realizar uma operação junto com a polícia do Rio Grande do Sul e eles ficaram impressionados porque a Polícia Civil catarinense tem um helicóptero (risos). Lá eles não têm. Na operação veraneio, investimentos na contratação de guarda-vidas civis. Este tipo de investimento também veio para o interior, não ficou apenas nos grandes centros. Também investimos na frota. Ainda há algumas viaturas velhas em circulação, porque não conseguimos trocar todas. Mas as novas são todas com ar condicionados.

Notisul – Por falar nisso, o senhor foi duramente criticado por conta das viaturas com ar condicionado…
Benedet
– Nem me lembre. Diziam: para que ar condicionado para a polícia? Claro que precisa. Vai trabalhar com a farda e o colete à prova de balas em um dia quente! Além disso, o preço era o mesmo porque comprei na quantidade e ganhei no valor final. Definitivamente, o governo Luiz Henrique foi o que mais investiu na área da segurança pública na história de Santa Catarina.

Notisul – Até o próximo ano, qual o investimento que o senhor considera vital para Santa Catarina continuar quase no fim da lista dos estados com índice de criminalidade?
Benedet
– Conforme a última publicação, só “perdemos” para Roraima. Mas não dá para comparar a população de Roraima com a de Santa Catarina, né!? O número de habitantes lá é o mesmo que o da Amurel e não devem ter nem estatística correta. De qualquer forma, e com todo o respeito, não acredito no número dos outros estados. Eles não têm índices precisos. São Paulo, por exemplo, só faz a capital. O restante eles pegam informação a laço. Nós temos números precisos. Podemos errar um ou dois. Em São Paulo, eles dizem que tinham 12 mil assassinatos por ano e dizem que baixou para quatro mil. Você acredita? Não tem como. Pode ter diminuído para oito mil, mas para quatro mil não acredito. Como me recuso a nos comparar com Roraima pelo quesito populacional, digo com convicção que Santa Catarina é o estado mais seguro do Brasil porque temos números precisos. E um outro detalhe: a nossa polícia é honesta. Claro que temos um caso ou outro de policial envolvido com o esquema de máquina caça-níquel, mas nem se compara ao envolvimento com o mundo do crime, com o tráfico, com gangues. Não estou justificando nada. Mesmo porque os policias com envolvimento com meliante estão presos. Além disso, em toda cesta de maçã tem uma podre. E isso vale para qualquer profissão. Mas eu saliento: a população reclama, mas tem confiança na polícia. O turista, quando nos visita, confia na nossa polícia. Nos outros estados, não é assim. Quando o nosso Bope foi incrementar a segurança no Pan-Americano, foi o único aceito pelo Bope do Rio de Janeiro para participar das operações pela confiança que temos lá fora.

Notisul – E o episódio da greve da Polícia Militar? Como ficou resolvido?
Benedet
– Eu tenho gerência sobre as polícias no que diz respeito à operação. Mas tenho ingerência na disciplina, que é a questão interna da Polícia Militar e é eles que decidirão esta questão. Infelizmente, acho que foi um equívoco o que foi feito na época. Acredito que poderíamos ter ido no diálogo, como a Polícia Civil foi. Mas a Militar foi a que mais conquistou direitos dentro do governo Luiz Henrique.

Notisul – A questão salarial sempre gerou protestos inflamados. O estado vai negociar com as polícias para tentar melhorar neste sentido?
Benedet
– No geral (refere-se à Polícia Civil, Militar e Bombeiros), a questão salarial sempre foi um calo. Conseguimos avançar muito neste sentido e, com toda sinceridade, particularmente eu gostaria de ter ido mais além. Mas as condições econômicas do estado hoje não nos permitem. A arrecadação caiu muito por conta da crise internacional. Mas dos males o menor: o emprego é estável e não houve redução de salários, como diziam que iria ter. Não houve e não vai haver. Eles (as polícias) têm que receber aumento salarial? Têm. Não há dúvidas. E eu e o governador queremos, mas vamos fazer dentro do possível. Mas acho que agora os ânimos estão mais calmos, há mais diálogo e vamos buscar o entendimento e o aumento salarial, quando tivermos condições. Agora não há como.

Notisul – E em 2010? Teremos Benedet como representante na câmara dos deputados, em Brasília?
Benedet
– (Risos) Pelo jeito vamos né!? Antes de eu ser secretário, sou político. E gosto da política. Tá bom, então eu “confesso”: eu vou sim. Ano que vem tento uma vaga na câmara.