Thiago Ricardo Kerber Corrêa tem 32 anos, é natural de Tubarão e obstetra. Atua com medicina fetal na Cidade Azul. Formou-se na primeira turma de medicina da Unisul. Fez residência em ginecologia obstetrícia na maternidade Darci Vargas, em Joinville e fez uma sub-especialização em obstetrícia e medicina fetal em São Paulo. Formado há nove anos, ingressou na área da saúde ao seguir os passos do irmão e da irmã mais velhos. Recebeu todo o apoio da família e dos pais. “Na época em que cursei, os valores ainda não eram tão altos quando se vê hoje, mas independente disso, a família sempre ajudou muito nessa conquista”, destaca. Hoje, casado há quatro anos, espera o primeiro filho e emociona-se ao falar do sentimento que é realizar o exame. “É bem diferente né? A parte emocional fica acima da profissional, com certeza. Fazer o exame do próprio filho é emocionante”, revela Thiago, emocionado.
 
 
Fernando Silva
Tubarão
 
Notisul – Como funciona a ultrassonografia no acompanhamento da gestação?
Thiago Corrêa – Ao longo do pré-natal na assistência da gestante, a ultrassonografia obstétrica tem finalidades distintas e importantes. Um primeiro exame ultrassonográfico deve ser realizado o mais precoce possível, sendo que este tem por objetivo a determinação correta da idade gestacional do bebê. Por volta de 11 a 13 semanas e seis dias deve ser realizado o segundo exame ultrassonográfico, este chamado de ultrasssonografia morfológica de primeiro trimestre com dopplerfluxometria, o qual tem por finalidade avaliar o risco do bebê em ter algum tipo de cromossomopatias, como por exemplo Síndrome de Down, e o risco da  gestante em desenvolver a doença hipertensiva específica da gestação (DHEG). No segundo trimestre, por volta de 23 semanas de gestação, a grávida está no período para a realização do terceiro exame ultrassonográfico, que consiste na ultrassonografia morfológica de segundo trimestre com dopplerfluxometria. Este exame, por sua vez, serve para avaliação da formação do bebê. Por fim, no terceiro trimestre, temos a ultrassonografia obstétrica, a qual avalia o crescimento proporcional do bebê e a quantidade de líquido amniótico. 
 
Notisul – Caso a mãe tenha algum tipo de risco é repassado para o bebê. Como prosseguir?
Thiago – Bom, feito o exame ultrassonográfico morfológico de primeiro trimestre, os valores obtidos são avaliados considerando a idade materna e outras variáveis, como marcadores bioquímicos sendo, então, feito uma análise estatística para determinar o risco para o desenvolvimento de alguma cromossomopatia, no nosso serviço usamos o fetaltest. Uma vez obtida esta análise e a paciente encontrando-se com um risco menor que 1:250 para  cromossomopatias, a chance do bebê ter alguma síndrome é alta, sendo então justificado a realização de procedimento invasivo, chamado amniocentese, para confirmar se o bebê tem ou não alguma síndrome, como a Síndrome de Down.
 
Notisul – Como que se realiza a amniocentese?
Thiago – É usado uma agulha extremamente fina, para puncionar a cavidade amniótica, que é uma bolsa de líquido onde o bebê se encontra, e retira-se um pouco do líquido, cerca de 20 ml. Este líquido é, então, enviado para um laboratório avaliar as células fetais e, assim, determinar se o feto tem ou não síndrome.
 
Notisul – Uma vez que o bebê tenha a síndrome de Down, por exemplo, o que vai mudar no pré-natal desta mulher?
Thiago – Esta é uma pergunta muito comum no dia a dia. Bom, toda a gestante, ao engravidar, espera que ao nascer o seu filho tenha uma vida saudável e sem nenhuma intercorrência, e quando ela se depara ao nascimento com um bebê com síndrome, leva um choque e, muitas vezes, faz com que esta mãe demore para procurar ajuda. Então, para preparar melhor esta gestante e a sua família para receber este bebezinho especial, este diagnóstico precoce é fundamental. Desta forma, durante o pré-natal, irá complementar a avaliação do coração do bebê, com ecocardiofetal, e ela já irá procurar durante o pré-natal auxílio de psicólogo, fisioterpeuta e fonoaudióligo, que serão fundamentais para o desenvolvimento desta criança. Vale ressaltar que, quanto mais precoce, a busca de ajuda com estes profissionais, melhor será o desenvolvimento. Só para lembrar que estes podem ser encontrados sem custo nenhum nas Apaes.
 
Notisul – Já em relação às outras má formações fetais que podem ser diagnosticas no pré-natal, como esta mãe deve se portar?
Thiago – Algumas das má formações podem ser corrigidas ou melhoradas ainda intraútero como, por exemplo: Mielomeningocele ou Espinha Bífida e Válvula de uretra-posterior. Outras, porém, só podem ser corrigidas ao nascimento, mas esta mãe só poderá ter o seu bebê em um hospital terciário com disponibilidade de UTI neo-natal, como o Hospital Nossa Senhor da Conceição em Tubarão.
 
Notisul – Qual seria o profissional mais adequado para avaliação ultrassonográfica no pré-natal?
Thiago – Com certeza, para realização da ultrassonografia morfológica e de procedimentos fetais intra-útero, como, por exemplo, amniocentese, o profissional mais indicado seria o médico com formação em medicina fetal. Na Amurel, o serviço de medicina fetal pode ser encontrado no Hospital Nossa Senhora da Conceição, Cínica Pró-Vida, Eco Clínica e Hospital e Maternidade Socimed.
 
Notisul – Qual é a formação do senhor?
Thiago – Sou formado em medicina em 2004. Terminei a residência em ginecologia e obstétrica em 2007 e a subespecialização em Medicina Fetal em 2009. Tenho o título de ginecologia e obstétrica (Tego) pela Febrasgo e AMB, e tenho o título em medicina fetal pela Febrasgo e AMB. Sou membro efetivo da Sociedade Internacional de Ultrassonografia em Ginecologia e Obstétrica (n: 19143).  
 
Notisul – O que mais escuta-se em relação ao ultrassom é de mães e pais que querem saber o sexo do bebê, como é isso?
Thiago – Na verdade, saber o sexo é importantíssimo para aumentar o vínculo materno- fetal, porém, para o médico assistente, saber se realmente este bebê está bem intraútero é fundamental. 
 
Notisul – De uma forma mais técnica, como funciona o ultrassom?
Thiago – O ultrassom é totalmente inoculo na gestação, pode ser feito o exame sem nenhum problema para o feto, ele é justamente como o nome fala, é um ultrassom. Ele emite frequências sonoras que o ouvido humano não capta, essas ondas vão e voltam do corpo humano e quando voltam estas ondas sonoras batem nos cristais da sonda e ela forma a imagem.
 
Notisul – O que diferencia, por exemplo, o ultrassom da radiologia e a tomografia?
Thiago – A tomografia usa uma radiação para obtenção da imagem, já na ultrassonografia a imagem é formada a partir das ondas de som em alta frequência.
 
Notisul – Como é o avanço tecnológico nessa área? 
Thiago – Ele é constante. Os aparelhos têm uma renovação, em média, a cada dois anos. Hoje, temos à disposição os melhores aparelhos em algumas instituições em Tubarão, como na Pró-vida, na Eco Clínica, no Hospital Nossa Senhora da Conceição e no Hospital e Maternidade Socimed.
 
Notisul – E qual é o custo desses aparelhos?
Thiago – O custo dos aparelhos é alto, porém, hoje em dia, com a popularização dos exames ultrassonográficos, a demanda também é bem elevada, assim, a realização destes exames torna-se viável.
 
Notisul – Mas com tanto avanço na área, os aparelhos não ficam defasados?
Tiago – Não ficam defasados porque é uma pequena novidade que geralmente acrescentam em aparelhos. Hoje em dia, um aparelho desses tem como vida útil algo em torno de um a dois anos, que é quando se realmente o troca.
 
Notisul – E como é o mercado de trabalho na região?
Thiago – Ele é um mercado igual ao do restante do Brasil. Isso porque a medicina fetal, por ser uma área aparentemente nova no país, ela é extremamente promissora.
 
Notisul – A ultrassonografia não serve apenas para o acompanhamento de gestantes em que mais ela pode auxiliar as pessoas? É possível avaliar tumores com a técnica?
Thiago – Isso, também existem outras finalidades sim. Elas são a complementação da avaliação clínica para auxiliar no diagnóstico complementar de patologias, entre elas os tumores.
 
Notisul – Como você escolheu a medicina?
Thiago – A medicina foi influência familiar inicialmente, porque eu acho que quando a pessoa é jovem ela não tem tanta noção do que é a medicina, que é uma profissão extremamente apaixonante, e a obstetrícia e a ginecologia foram áreas que durante a faculdade tive uma maior afinidade, e quando eu estava na obstetrícia, percebi que eu gostaria realmente de fazer essa área da medicina fetal, algo totalmente preventivo e que cuida desses bebês intraúteros e dessas gestantes com uma atenção especial.
 
Notisul – Abordando a medicina de um panorama geral, o conselho de medicina tem lutado e muito contra a importação de médicos, como o senhor avalia essa situação?
Thiago – O Mais Médicos é uma visão extremamente eleitoreira, que a gente percebe, porque se o Conselho Federal de Medicina estabeleceu que para os médicos que vêm de fora atuarem no Brasil têm que ter prova para avaliação do conhecimento destes profissionais, com o Revalida, então a lei estabelecida pelo conselho não pode ser burlada e sim seguida. Sem fazer o Revalida nós perdemos esse parâmetro, e aí quem perde mesmo é o paciente.
 
Notisul – Que tipos de dicas e conselhos podem ser dados para as futuras mães?
Thiago – Bom, é fundamental uma assistência pré-natal adequada. É preciso fazer as consultas do pré-natal, seguir as orientações do médico obstetra e que na parte de imagem, no mínimo, realize os ultrassonográfico que falamos.
 
Notisul – Um casal que pensa em constituir família, a mulher é amparada pelos exames ultrassonográficos?
Thiago – Pré-concepcional sim, com certeza. Desde que a paciente procure uma ginecologista para ter essas informações, realizar algumas investigações para tentar saber se ela terá ou não algum problema que possa interferir na futura gestação, como útero bicorno ou incompetência ismico cervical. 
 
Notisul – O senhor é casado e está esperando o primeiro filho. Como é a sensação?
Thiago – É bem diferente né? A parte emocional fica acima da profissional, com certeza. Fazer o exame do próprio filho é, no mínimo, diferente.
 
Thiago por Thiago
Deus – Um ser a ser seguido.
Família – O alicerce de nossa vida.Trabalho – Complemento da família.
Passado – Uma forma de conhecimento.
Presente – O aprendizado constante
Futuro – Melhoria
 
"Saber o sexo é importantíssimo para aumentar o vínculo materno – fetal".
 
"Algumas das má formações podem ser corrigidas ou melhoradas ainda intraútero”