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Entrevistas

“Saio do PSDB de cabeça erguida”

Lucas esmeraldino é vereador em Tubarão

Publicado em 24/02/2018 00h30

“Saio do  PSDB de cabeça  erguida”
Foto: Priscila Loch/notisul

Perfil
A saída de Lucas Esmeraldino do PSDB, após quase seis anos filiado, movimentou os bastidores da política tubaronense nos últimos dias. Disposto a ser candidato a deputado este ano, o vereador conta que o principal motivo da decisão pela desfiliação é a intenção de buscar um novo espaço para crescimento na vida pública. Lucas ainda não definiu qual sigla se filiará, mas adianta que a escolha será baseada principalmente em três requisitos: liberdade, condições de trabalho e viabilidade eleitoral. “A cidade deve estar em primeiro lugar. O povo está cansado de demagogia, de mentiras e críticas vazias”, analisa, e destaca que não fará oposição do ‘quanto pior melhor’.

Priscila Loch

Tubarão

Notisul - Você foi o candidato a vereador do PSDB mais bem votado nas eleições de 2016 e desde o ano passado especulava-se que poderia trocar de sigla. A desfiliação foi oficializada nesta semana. Quais foram os motivos para essa decisão?
Lucas -
Nas últimas duas eleições, consegui dar minha parcela de contribuição para meu partido, sendo o vereador mais bem votado do PSDB. Sinto-me com a sensação de que fiz o que estava ao meu alcance para ajudar a sigla. Na última segunda-feira, como o presidente Carlos Stüpp estava em trabalho em Florianópolis, entreguei ao secretário-geral do partido, vereador José Luiz Tancredo, um ofício pedindo a desfiliação do PSDB. Há algum tempo, venho conversando com familiares, amigos, empresários e pessoas que nos apoiam, e chegamos à conclusão de que eu preciso de um novo espaço para crescimento na minha vida pública. Desde o ano passado, vinha tendo conversas na tentativa de conseguir este espaço dentro do PSDB, mas, infelizmente, em nível regional, o partido tem outros projetos, os quais eu respeito. Em paralelo, vinha recebendo e ainda recebo várias propostas de outros partidos políticos que acompanham meu trabalho e acreditam em meu crescimento político. Como sempre faço, tenho ouvido todos com muita atenção e respeito, e juntamente com minha equipe analisando as melhores opções para prosseguirmos na caminhada política. Com certeza, vou optar por aquele que me dá liberdade para desempenhar bem minha função, as melhores condições de trabalho e crescimento, e, claro, viabilidade eleitoral.

Notisul - Lideranças do PSDB já manifestaram que buscarão na justiça o direito de recuperar a cadeira hoje ocupada por você na Câmara de Vereadores. Acredita ser possível manter essa vaga?
Lucas -
Fiz amigos no partido durante minha passagem, que me ligaram depois da entrega da carta de desfiliação. Lamentaram, desejaram sorte nos meus novos desafios e muitos sinalizaram que virão comigo, não concordam com os rumos que o PSDB municipal está tomando. Tínhamos um líder muito atuante, o ex-prefeito Carlos Stüpp. Sempre fui leal a ele nas suas eleições, porém, com sua atuação em Florianópolis, outros tucanos com filiação recente e que já passaram por vários partidos vêm tomando a liderança. Não concordo com estes posicionamentos, não farei uma política velha e muito menos do “quanto pior melhor”. Oposição se faz com responsabilidade e conteúdo. Foi assim que fiz com Olavio Falchetti de 2012 a 2016, combatendo ideias e apontando caminhos. A cidade deve estar em primeiro lugar. O povo está cansado de demagogia, de mentiras e críticas vazias. Vou procurar um local pra fazer política nova, diferente, e que possamos mostrar propostas e projetos. Sou dentista, não político profissional. Quero transformar a vida das pessoas, e colocar o coletivo na frente do individual. Sinto prazer em ajudar os outros, em fazer a diferença. Isso me motiva muito.

Notisul - E se a decisão da justiça for em benefício do partido, ​como você pretende agir?
Lucas -
Muito embora eu esteja juridicamente preparado para provar na justiça que sempre fui fiel ao partido e que minha saída é justificável por inúmeros motivos, antes mesmo de tomar minha decisão pela desfiliação estava ciente de todas as possibilidades. Meu projeto é maior e não será um mandato que irá me impedir de seguir meu coração e minha vontade de focar forças em um projeto que poderá fazer a diferença para Tubarão e região. Não será um mandato que me bloqueará de escolher uma sigla em que meus pensamentos e ideais possam ser melhores trabalhados. Não sou vereador para sempre, eu estou vereador. O novo jeito de fazer política está focado no que você faz, não no que você diz.

Notisul - Você tem pouco mais de um mês para se filiar a um novo partido​ se quiser mesmo disputar as eleições de outubro. Já definiu para onde vai? Quais as opções?
Lucas -
A data limite para filiação partidária daqueles que querem ser candidatos nas eleições de 2018 é 7 de abril, porém, acredito que nos próximos 15 dias já tenhamos a definição do caminho a ser tomado. Como falei anteriormente, estou ouvindo as propostas e analisando várias questões importantes para definir o melhor caminho. Preciso me filiar em algum partido para disputar as eleições, mas, acima de sigla, estão as pessoas e a nossa cidade. Vou focar em projetos, em ações para mudar a vida das pessoas. Cada deputado federal recebe em média R$ 12 milhões por ano de emendas obrigatórias. Durante quatro anos, são R$ 48 milhões de recursos. Eu pergunto: quanto cada deputado federal colocou em Tubarão nos últimos anos? Será que não teríamos que deixar isso claro antes da eleição? Eu deixarei recursos e vou discutir este tema de maneira aberta. A população precisa entender a importância de ter um representante, não apenas para buscar emendas, mas também para estar na mesa de decisões em Brasília e Florianópolis. Meu compromisso será muito trabalho, muito trabalho e muito trabalho pelas pessoas, pelos bons projetos e principalmente pelo sul do estado. De forma transparente e discutida antes da de ser eleito.

Notisul - Inicialmente, a sua intenção era ser candidato a deputado estadual. Agora, tudo indica que disputará uma vaga na Câmara Federal. Por que essa mudança de planos? Acredita que tem mais chances de se eleger?
Lucas -
Há algum tempo, já venho trabalhando em todo o estado, buscando apoiadores, parceiros e amigos que simpatizam com nosso trabalho e projetos. Primeiramente, quero definir qual partido me filiar. Após isso, vou me colocar à disposição do partido para ser candidato, seja estadual ou federal. Se entendermos que o melhor caminho é disputar uma vaga na Câmara Federal, e se o partido me der viabilidade de eleição, com certeza aceitarei o desafio e buscarei essa vaga. O que queremos é representar nossa cidade e nossa região da melhor forma possível, trazendo recursos, empresas e obras para canalizar nas necessidades da nossa região.

Notisul - Não é segredo para ninguém que você apoia as ideias de Jair Bolsonaro, algumas delas bastante polêmicas. Acredita que esse posicionamento pode contribuir em sua campanha?
Lucas -
Quem me acompanha desde o começo da minha trajetória na vida pública sabe que meus posicionamentos sempre foram em favor daquilo que eu creio, que acredito. Alguns projetos e ações durante esses meus cinco anos de mandato mostram que sigo uma linha conservadora. Valores morais, éticos e familiares sempre foram e sempre serão minhas bandeiras. Ou seja, antes mesmo dessa onda Bolsonaro se espalhar pelo país. Identifico-me sim com algumas ideias do Jair Bolsonaro, defendi na câmara e defendo ainda algumas bandeiras que ele também defende, tenho mantido contato com ele e com pessoas ligadas a ele, e isso tem me ajudado em algumas questões que sempre defendi. Essa onda Bolsonaro que estamos vendo nas ruas é o reflexo de que o povo quer um novo momento para o Brasil. Muitas pessoas têm me aconselhado a estar do lado do Bolsonaro por eu ter uma posição e um discurso conservador, o que me torna parecido com ele, porém, eu procuro ser eu mesmo, ter minha identidade, ser sincero e fazer as coisas da melhor forma possível. Sempre disse para meus familiares e amigos que, se eu tiver que mudar alguma de minhas convicções pessoais para conseguir votos, prefiro largar a vida pública. Acredito que nossos valores devem sempre prevalecer sobre interesses políticos.

N​otisul - Apesar de até então ser da oposição, em várias situações você demonstrou apoio ao governo do prefeito Joares Ponticelli e sempre teve um bom relacionamento com o presidente da Câmara, Pepê Collaço. Independente do partido que for se filiar, pretende manter essa convivência?
Lucas -
Como falei anteriormente, sou pelas pessoas. Após as eleições de 2016, enrolei minha bandeira partidária e decidi estar ao lado do meu povo. O prefeito Joares tem desde o primeiro dia de mandato mantido uma boa relação conosco, e nós vereadores devemos acreditar e dar tempo para que o executivo faça sua gestão da melhor forma. Melhorias nas áreas de educação, saúde, moradia, mobilidade urbana, infraestrutura devem ser o norte da cidade nos próximos meses, pois nós, vereadores, demos esse voto de confiança nos projetos que passaram pela Câmara em 2017. Assim como fui com o ex- prefeito Olavio nos primeiros anos, tenho procurado manter a coerência nas votações para que o plano de governo da atual gestão saia do papel. Se for preciso cobrar do executivo, vou cobrar de forma inteligente. Meu papel como vereador é legislar e fiscalizar o executivo e o dinheiro gasto por ele. Entendo que passou o tempo em que os que perdiam a eleição deviam torcer para que tudo desse errado durante o mandato do vencedor. Sempre tive a visão de que se tudo der errado quem sofre é a população. Não gosto de pessoas do ‘quanto pior, melhor’. Não tenho qualquer problema em criticar e cobrar do prefeito Joares, porque tenho certeza que manteria esta posição mesmo em um governo do meu partido, mas nunca me verão fazer oposição burra, criticar tudo e todos sem que possa também dar sugestões para melhorar a gestão. Já em relação à Câmara de Vereadores, eu tenho uma boa relação com todos, independente de partido, e não poderia ser diferente com o presidente da Casa, Pepê Colaço. Temos uma relação de amizade há algum tempo, ele tem conduzido a Câmara com muita propriedade e torço para que ele mantenha essa maestria na condução dos trabalhos legislativos..

Notisul - Durante seus dois mandatos, você realizou algumas atividades sociais, inclusive criando o ‘gabinete itinerante’. Pretendes manter esta forma de trabalho caso se eleja deputado?
Lucas -
Sem sombra de dúvidas. O político é servidor público, e por isso seu mandato deve ser sempre transparente e aberto para a população. Além disso, é nossa obrigação criar ações que nos aproximem da população e das comunidades. O gabinete itinerante foi criado para que nosso mandato se aproximasse ainda mais das comunidades. Com ele, a cada período de tempo instalamos uma tenda em um local movimentado de cada bairro e lá atendemos a população, ouvindo suas reclamações e anseios, e tudo é encaminhado aos setores competentes e os resultados são cobrados. Muitas das reinvindicações que surgiram do gabinete itinerante foram atendidas pelo executivo.

Notisul - A Amurel hoje está sem nenhum deputado estadual nem federal. De que forma é preciso trabalhar para que os cidadãos entendam a importância de eleger representantes?
Lucas -
Perdemos muito com isso, sem dúvida nenhuma. Precisamos de pessoas qualificadas e preparadas para fazer crescer nossa região. Você pode não gostara de política, mas, enquanto vivermos em uma democracia, teremos que votar. Alguém vai se eleger, não tem jeito. Por isso, pesquise, avalie, vote em alguém que você possa cobrar depois. Nossas entidades e a imprensa já ajudam nessa conscientização. Isso é muito importante. Não temos atualmente nenhum deputado estadual ou federal eleito mesmo com cerca de 500 mil habitantes na Amurel. As regiões que têm seus representantes ganham a maior fatia do bolo, enquanto isso, muitas vezes temos que nos contentar com o pouco que nos sobra para pode investir naquilo que a cidade e a região precisam. Temos que mudar essa realidade.


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