Todo ano são divulgados inúmeros dados sobre a qualidade da Educação Brasileira, e nestes momentos sempre florescem todo tipo de especialistas das mais diversas correntes para tentar explicar os motivos dos desastrosos resultados, enquanto outros noticiam o tema como se fosse um “furo de reportagem”. Bem da verdade, não há surpresa nenhuma nos números apresentados, no máximo lamentações.

E isso novamente ocorreu nesta última terça feira dia 03 de Dezembro de 2019, quando a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE divulgou o resultado do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes – PISA ano base 2018, onde o Brasil, infelizmente, ou deliberadamente em consequência das décadas de negligenciamento e orientações ideológicas questionáveis aplicadas nas nossas escolas, continuou ocupando as últimas posições no ranking dos países participantes, cujo resultado demonstrou que mais de 43% dos estudantes com 15 anos de idade não aprenderam o mínimo esperado em leitura, matemática e ciências. Ou seja, quase metade dos estudantes brasileiros avaliados não aprenderam o mínimo necessário e esperado para sua idade. Em outras palavras, não são capazes de ler e interpretar um texto simples e nem fazer contas.

Na outra ponta, quanto a medida é referente aos que atingiram os níveis máximos em todas as áreas, enquanto a média dos países da OCDE é de mais de 15%, no Brasil somente pouco mais de 2% dos estudantes atingiram a nota máxima.  Assim como ocorre no PISA, também se observam resultados pífios no SAEB, no IDEB, e tantos outros indicadores. 

Das 79 nações que tiveram seus estudantes avaliados, o Brasil ficou em 57° lugar em leitura, em 70° em matemática e em 66° em ciências. O país com melhor desempenho nas 3 competências em 2018 foi a China. 

Expostos os números acima, eu também poderia estar aqui “me vendendo” de especialista, mas não irei fazê-lo não, apenas quero trazer alguns pontos para incitar discussões e reflexões acerca das potenciais causas para este desastre educacional que vivemos, e que além dos estudantes “atuais” também já comprometeu gerações inteiras no Brasil.

Reflitamos:

• Será que a formação de nossos professores está sendo realmente efetiva?

• Será que esta formação está ensinando eles a “ensinar”? Ou apenas a aprender sobre autores e “referências” que viveram a quase 2 séculos?

• Será que dentre tantos “conteúdos obrigatórios” que nossas casas legislativas tentam impor para serem “vistos” nas escolas, ainda sobra tempo para que nossos meninos e meninas efetivamente aprendam a ler e escrever, fazer contas e entender os fenômenos físicos – químicos existentes no mundo?

• Será que precisamos realmente tornar nossas escolas COM / SEM partido, COM / SEM ideologia de gênero, etc., ou torna-las ambientes de aprendizagem efetivo?

• Será que nós como Professores / Educadores devemos mesmo tentar incutir em nossos aprendizes nosso modo de ver o mundo, ou ensiná-los a efetivamente ler e interpretar o mundo para que tomem suas próprias decisões sobre quais caminhos seguir?

Por fim, registro que o exame ora divulgado se refere ao ano base de 2018, e que não tem influência nenhuma do atual governo. Mas, assim como nos governos anteriores, este também tem tratado a educação com vieses ideológicos e pouco práticos, pelo menos até o momento. Infelizmente não interessa qual é o “P” que está no poder, o fato é que nas últimas décadas pouco se viu de ações que poderiam mudar o Brasil, e quando elas ocorreram, também acabaram sendo distorcidas para fins políticos e não republicanos. 

Quanto a posição do Brasil na América Latina, acabamos ficando na frente da   Argentina e Peru, o que da mesma forma é trágico, pois ambas as nações estão disputando as últimas posições. 

Resultados do PISA

A seguir é reproduzido um gráfico com o resultado final de todos os países participantes, com as pontuações por áreas de conhecimento avaliadas. A fonte deste material é o próprio site da OCDE em https://www.oecd.org/pisa/PISA-results_PORTUGUESE.png

Já no gráfico abaixo, também reproduzido do site da OCDE https://www.oecd.org/pisa/publications/PISA2018_CN_BRA.pdf, é apontada a posição do Brasil em relação à média geral da OCDE e também em relação as demais nações participantes.

Abaixo é reproduzido o histórico e tendência de performance, onde se compara a média brasileira nos exames anteriores com a média dos países participantes:

O que é o PISA

O PISA é o Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Programme for International Student Assessment) e é conduzido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE, e visa medir a capacidade de jovens de 15 anos de idade matriculados a partir do 7º ano do ensino fundamental, quanto as suas habilidades e conhecimentos em Leitura, Matemática e Ciências, para enfrentar os desafios da vida real (fonte: https://www.oecd.org/pisa/)

As avaliações ocorrem a cada 3 anos e tiveram início no ano 2000, onde o foco naquela ocasião foi em Leitura, já em 2003 Matemática e 2006 Ciências. O Brasil participa deste a primeira edição, sempre permanecendo entre nos últimos lugares. 

Em 2018 teve a participação de mais de 600.000 estudantes de 79 nações, que amostralmente procuravam representar certa de 32 milhões de estudantes em todo planeta. No Brasil foram avaliados 10.691 estudantes de 638 escolas de todas as regiões do país. 

Saiba Mais

Nos links abaixo você consultar mais sobre este exame, bem como ter acesso aos relatórios e análises da avalição de 2018 e de anos anteriores

https://www.oecd.org/pisa/

https://www.oecd.org/pisa/test/

https://www.oecd.org/pisa/publications/pisa-2018-results.htm

https://www.oecd.org/pisa/publications/PISA2018_CN_BRA.pdf

https://www.oecd.org/pisa/PISA%202018%20Insights%20and%20Interpretations%20FINAL%20PDF.pdf

https://www.oecd.org/pisa/combined_infographics_PISA2018.pdf

http://portal.inep.gov.br/pisa

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