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Tecnologia e Educação - Fernando Darci Pitt

Justiceiros digitais

Publicado em 22/08/2019 00h25

Justiceiros digitais

No livro “1984”, de George Orwell, o governo tenta controlar não apenas as ações e fala, mas também o pensamento dos seus cidadãos, e isto se dá por meio da “polícia do pensamento”. Já no romance “O Conto da Aia” de Margaret Atwood, a polícia secreta é denominada de “Os Olhos”. Antes fosse só na ficção científica e romances, mas na vida real também há muitos exemplos de nações que incentivam sua população a denunciar tudo que seja contrário a ideologia dos seus governos, em especial em regimes autoritários. O Brasil também já passou por isso há algumas décadas, e foi mais de uma vez, e haverá quem diga que ainda vivemos tempos em que o “denuncismo” é incentivado.

Hoje, em pleno século 21, acreditar que estas “polícias secretas” ainda existam em países desenvolvidos como o nosso parece não fazer o menor sentido, mas de forma não estruturada sempre persistiram. Se no passado haviam grupos designados pelo estado com esta função, hoje é a própria população que acabada por fazer este papel voluntariamente, seja por acreditar em alguma ideologia ou mesmo para prejudicar pessoas, organizações ou governos legitimamente constituídos (observe que o termo legítimo não quer dizer que são competentes, e sim que chegaram lá pelos meios legais e eleitorais).

Neste contexto, e novamente trazendo a internet como um novo meio de transmissão e de articulação, começam a surgir os “Justiceiros Digitais” ou “Justiceiros da internet”, que são pessoas (na maioria jovens) que se utilizam de meios informatizados para expôr “criminosos” e assim fazer a justiça segundo suas convicções. Em um primeiro momento, isso pode até parecer bom, pois estariam auxiliando as autoridades constituídas a elucidar possíveis transgressões contra a sociedade. Porém, ao analisar mais profundamente vamos observar que geralmente estes “investigadores” e “julgadores” tomam seus “vereditos” baseados em suas “convicções”, as quais não necessariamente seguem as leis vigentes.

E é exatamente neste ponto que mora o grande perigo, pois como já escrevemos em outros textos, cada vez mais grupos de pessoas com pensamentos parecidos se reúnem em grupos e comunidades virtuais, as quais trabalham para reforçar ainda mais seus pensamentos congruentes e refutar tudo que seja contrário as suas ideologias.

Vejam por exemplo o que está acontecendo no Brasil nos últimos meses: o fato de alguns grupos políticos não concordarem com a decisão da justiça em relação a alguns de seus membros, os mesmos se “acham com legitimidade” para cometerem outros crimes, como a invasão de computadores e celulares de autoridades, a fim de tentar “contrabalancear” as condenações que na visão deles são “injustas”.

Não fosse apenas a grande velocidade que a internet possibilitou para juntar “parecidos” em comunidades virtuais e também difundir suas opiniões por vezes radicais, temos ainda o avanço na nossa sociedade e nas leis Brasileiras em relação a criar legislações específicas para proteger as minorias e também animais, juntamente com isso a abertura canais legais para denúncias, canais estes que acabam por vezes sendo usados incorretamente pelos “justiceiros digitais” uma vez que as queixas podem ser feitas anonimamente.

Assim, informalmente estamos voltando para a “era do denuncismo”, como escreveu Atwood em sua obra, “Os Olhos” estão aí para ver e delatar. O problema é que na maioria das vezes eles não veem, apenas ouvem, e tiram suas conclusões no “acho que está acontecendo isso”.

Para sua reflexão e própria opinião, vejam em que ponto chegamos: basta uma pessoa dizer que não gosta de animais para tornar-se um “transgressor em potenciar” e ser execrado publicamente em especial em seus perfis de mídias sociais. Não estamos falando em quem realmente comete maus tratos, e sim, alguém que apenas expos seu parecer de não gostar de cachorros, por exemplo.

Pais/Educadores: Que tal discutir com seus filhos e alunos quem foram as “polícias secretas” tanto em nosso país quanto em outros, e exemplos de como chegaram a interferir na forma de viver se seus cidadãos? Outra sugestão é refletir a nossa sociedade atual, e por quais meios estamos sendo “vigiados” e “manipulados” diariamente.  
Não seja omisso ao ver algo errado, mas procure ter certeza do que está vendo, e não apenas achar que viu ou ouviu!

Leia outros textos desta coluna em http://bit.ly/fernandopitt.


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