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Tecnologia e Educação - Fernando Darci Pitt

Os novos “Digital Influencers”

Publicado em 04/04/2019 00h07

Os novos “Digital Influencers”
Foto: Divulgação/Notisul

Há algumas semanas, temos abordado essencialmente a tecnologia como foco central dos nossos textos. Hoje, não será diferente, porém, com um viés no quanto ela está mudando a forma de influenciar nossa população, em especial os jovens.

Independente de convicções políticas, nos dias atuais virou moda afirmar que a escola tem “doutrinado” nossas crianças e adolescentes, e isso também inclui as universidades.

Particularmente, acredito que sim, que isso ocorre mesmo, porém, não é algo novo e também independente de leis “contra” ou “a favor” disso ou daquilo. Contudo, na minha percepção a palavra mais adequada não seja exatamente a “doutrinação”, mas sim, “influência”. Observação: Não nego a existência daqueles que realmente tem a intenção de manipular a mente de nossos alunos, por vezes com motivações políticas (tanto de “direita” quanto de “esquerda”), religiosas, ou seja lá qual for, mas certamente a maioria de nossos educadores quer mesmo guiar seus alunos para carreiras de sucesso e vidas felizes.

Isso, por si, já daria muito “pano pra manga”, ou melhor, muito texto para discussão e, com certeza, geraria inúmeras manifestações contrárias e a favor. Assim, vamos deixar esta “provocação” para outro momento. Hoje, vamos restringir a reflexão da influência real (e nem sempre percebida) por meio das plataformas tecnológicas sobre nossos jovens.

Alguns dirão que este “mundo não é mais como antigamente” e que as novas tecnologias estão abalando a cabeça dos nossos jovens, mas a verdade que este discurso também é secular e, certamente, nossos filhos e netos também o repetirão quando chegar a vez deles.

Se voltarmos alguns séculos, mais precisamente para meados do século 15, podemos afirmar que ali houve uma das mais importantes invenções que viriam a revolucionar a comunicação e, por consequência, a forma que as mensagens chegariam a muito mais pessoas do que chegavam até então. Esta grande invenção foi a imprensa com “tipos” móveis e reutilizáveis por Johannes Guttenberg, sendo que o primeiro livro impresso foi a Bíblia, em Latin, com 641 páginas. Esta nova forma de impressão substituiu os materiais utilizados até então (papiro, linho, pergaminho, entre outros) para transmitir a informação, e devido à sua facilidade e ao baixo custo de operação, alguns séculos depois permitiu a criação dos jornais impressos, além de muitos outros materiais.

Observem que esta invenção não permitiu apenas uma nova forma de transmitir informação, mas também de criar, transmitir e influenciar grandes massas populares por meio de impressos com tons mais provocativos, ativistas, com posicionamento político de centro, direita ou esquerda, seja por meio de jornais, livros, ou panfletos no geral.

Já no final do século 19, em 1896, o físico italiano Guglielmo Marconi cria um novo aparelho capaz de “levar” a voz por quilômetros, sem a necessidade de fios. Surgia o rádio. Da mesma forma que a impressa escrita, este aparelho foi e ainda é muito utilizado por programas jornalísticos, de esporte, entretenimento, e é claro, para música. Contudo, diferente dos impressos que ainda tinham um “público” bastante restrito, pois é necessário saber ler para poder entender o que “está escrito”, no rádio não há esta limitação, pois tanto pessoas alfabetizadas quanto analfabetos podiam ouvir e compreender as mensagens passadas. Da mesma forma, foi e ainda é utilizado como um veículo para informar, mas também, criar opiniões sobre determinados assuntos, sempre com base no que pretende a linha editorial dos donos daquela emissora (ou de outras forças, incluindo governos).

A evolução não parou por aí, e embora tenha sido criada antes, foi em 1928 que foi feita a primeira transmissão de áudio e vídeo por um aparelho mundialmente conhecido por “televisão”. Seria redundância escrever aqui que este novo meio de comunicação também encontrou seus seguidores, uma vez que além do som também transmite as imagens em vídeo do que está sendo tratado, e que da mesma forma que os anteriores também foi e é utilizado para formar opiniões em seus telespectadores. Por vezes, as imagens associadas ao som conseguem impactar muito mais.

Seguindo os caminhos das invenções, no fim dos anos 1960, cria-se o primórdio do que hoje conhecemos como sendo a internet, e que nos anos de 1980 cria-se os protocolos TCP/IP como um padrão internacional, o que permite que a rede de computadores avance e seja este novo grande veículo por onde circula absolutamente quase tudo, inclusive notícias e entretenimento.

E, por fim, já em 2005, sobre a plataforma da internet é lançado o veículo MAIS PODEROSO de todos até então: o “YOUTUBE”, uma rede no qual qualquer pessoa utilizando uma simples webcam ou um SmartPhone (desses mais baratos com câmera) pode criar um canal e, a partir dele, disseminar suas ideias, pensamentos e até mesmo fazer seu próprio jornalismo. Se na “mídia tradicional” são necessários investimentos milionários para “subir um canal paro ar”, além de ter que respeitar todos os tipos de legislação e protocolos de “bons costumes” das praças onde opera, e precisa de autorizações formais para existir, já no YouTube nada disso é necessário.

Assim, por meio deste site e de outros similares, surgem então os “Digital Influencers” ou ainda os “Novos Gurus” que não fazem nada de diferente do que todas as outras mídias sempre fizeram, que é consciente ou inconscientemente tentar formar e “influenciar” a opinião dos seus seguidores. E por que este meio tem ganhado cada vez mais seguidores em detrimento aos grandes veículos? Por razões simples das quais listo algumas: possiblidade de assistir por streaming (assistir o que, quando, como e onde quiser); pela fala natural (não segue uma linha editorial dos “chefes” nem de anunciantes); por geralmente utilizar uma linguagem simples e de fácil entendimento, além, é claro, dos assuntos tratados geralmente serem da linha do entretenimento e muitas vezes até da baixaria mesmo.

Assim, a próxima vez que você for falar que nós, professores, “doutrinamos” nossos alunos, lembre-se, isso pode ocorrer sim, mas há muitos outros veículos que o fazem com real intencionalidade e propósitos nem sempre claros.

Como se “proteger”? Com muita leitura e, se possível, procurar conferir sempre as fontes citadas, em especial das notícias que circulam na internet, pais. Sei, por experiência própria, que não é fácil e que nem sempre conseguimos, mas estejamos de olho no que nossos filhos andam “consumindo” na internet. De uma maneira ou outra, é importante tentar limitar o acesso aos “youtubers” mais intencionados ou de maus exemplos.
Leia outros textos desta coluna em: http://bit.ly/fernandopitt.


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