Rafael Andrade

Laguna

Um inquérito instaurado pela Delegacia de Polícia Civil da Comarca de Laguna (DPCO) tenta apurar a identidade de dois homens que instalaram, no último dia 19, por volta das 13h20, conforme demonstram os detalhes da filmagem do sistema de monitoramento do Banco do Brasil do Centro Histórico, um sistema de manipulação chamado de chupa-cabra na gíria da própria segurança pública. A ação foi flagrada e gravada pelas câmeras do estabelecimento.

Conforme o vídeo, é possível notar que um dos estelionatários instala o aparelho, que copia dados dos cartões do banco, como senhas e saldos, enquanto o comparsa fica circulando e cuidando se entra alguém.

A dupla agiu em plena tarde do feriado de Sexta-Feira Santa, quando havia pouco movimento de público e a agência estava fechada. Não há confirmação se houve algum usuário lesado no caixa de autoatendimento em questão, mas a delegada titular da DPCO, Carolina Quintana Guedes, confirmou, na noite desta terça-feira (7), ao Portal Notisul, que há uma investigação em andamento acerca do assunto e que um inquérito foi instaurado.

A suspeita inicial, segundo alguns moradores que tiveram contato com o vídeo, que já circula as redes sociais, é que a dupla possa ser de fora de Laguna, mas não há nada concreto a respeito.

Como funcionam os chupa-cabras de caixas eletrônicos

Conseguir painéis numéricos falsos para os caixas é cada vez mais simples no mercado ilegal, o que agrava a situação. Aqui, já não serviria em nada cobrir o painel ao ingressar o PIN, uma vez que o mesmo usuário estaria escrevendo sua senha e enviando-a direto para os criminosos via SMS, sem você nem se dar conta. Naturalmente, esta medida é muito mais eficaz para os “chupa-cabras” que as câmeras espiãs, uma vez que já não têm que processar manualmente cada vídeo.

É claro que o painel falso sobressai visivelmente sobre o teclado original, mas dificilmente qualquer usuário poderia examinar de perto isso. Além disso, estes painéis duplicados utilizam o mesmo tipo de metal e cor de pintura que os originais, por isso, sua identificação resulta muito difícil.

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Existe uma técnica que os fraudadores usam habitualmente: eles guardam o software que utilizam para decodificação e clonagem da informação. Desta forma, os criminosos se protegem si mesmos das forças de segurança e de outros fraudadores.

Se você insere uma senha incorreta, o software de clonagem não informará o usuário que inseriu sua senha incorreta, simplesmente desligará. Nesse sentido, as autoridades terão que empregar técnicos especialistas para analisar o código dos programas, o que é uma tarefa muito complexa e demanda muito tempo.

Muitas vezes, é difícil perceber a fraude: a instalação de “chupa- cabras” dentro dos equipamentos permite que todas as operações sejam feitas normalmente – enquanto os dados do cartão são repassados aos criminosos. Dispositivos que evitam a retirada de dinheiro, deixando as notas retidas para posterior furto, fornecem uma indicação maior de que houve golpe, mas podem ser confundidos com um problema pequeno.