O Ministério Público de Santa Catarina ofereceu, no último dia 30, denúncia contra três supostos envolvidos no desaparecimento e morte da jovem Ana Beatriz Schelter, em março de 2016, no município de Rio do Sul. A denúncia foi recebida pelo Juiz titular da Vara Criminal de Rio do Sul nesta terça-feira (5/5). Com isso, os denunciados passam de suspeitos a acusados.

A denúncia do Ministério Público foi baseada nas provas colhidas no inquérito instaurado pela Delegacia de Investigação Criminal (DIC) de Rio do Sul e no procedimento de investigação criminal (PIC) instaurado pela 3ª Promotoria de Justiça, com o apoio do grupo regional do GAECO de Blumenau, que assumiu as investigações em novembro de 2019, quando o caso ainda se encontrava sem solução.

Em prosseguimento às investigações realizadas pelo GAECO, foi deflagrada, em fevereiro de 2020, a denominada “Operação Fênix”, quando foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão temporária de dois dos então suspeitos e agora denunciados. O mandado de prisão do terceiro denunciado, que já se encontrava preso por outros crimes, foi cumprido em abril de 2020.

Conclusão das investigações
As investigações concluíram que Ana Beatriz teria pegado uma carona com Mario Fleger (conhecido de Ana e de sua família) e João Vivaldino Córdova Lottin (amigo de Mario) por volta das 13h do dia 2 de março de 2016, quando caminhava em direção à escola.

De lá, eles teriam ido para um local não apurado onde teriam violentado sexualmente a vítima, causando em Ana graves lesões corporais. Em seguida, para assegurarem a sua impunidade e ocultarem o estupro supostamente por eles praticado, Mario e João mataram Ana Beatriz mediante asfixia por esganadura.

As investigações concluíram que Mario, desta vez com o suposto auxílio de Marcel Aparecido Albuquerque, que foi quem posteriormente acionou a Polícia Militar, com o objetivo de ocultar os referidos crimes, teria colocado Ana dentro do contêiner de uma empresa de banheiros químicos situada às margens da BR-470, no bairro Barra da Itoupava, onde Marcel trabalhava, suspendendo a menina incompletamente por uma corda para simular enforcamento suicida.

Mario era conhecido de Ana e de sua família, e com eles tinha certa proximidade, pois trabalhava numa empresa que ficava ao lado da casa da vítima e ainda frequentava a mesma igreja que Ana costumava frequentar com seus pais. Já João era amigo de Mario e, a princípio, assim como Marcel, não tinha nenhuma relação com a vítima ou com sua família.

O crime
Ana Beatriz, que tinha 12 anos, saiu de sua casa, no bairro Canta Galo, no início da tarde do dia 2 de março de 2016. Ela foi caminhando, como de costume, até a escola em que estudava, no mesmo bairro.

Porém, a garota não chegou ao seu destino e não voltou para casa. Seu corpo somente foi encontrado no dia seguinte, dentro de um contêiner de uma empresa às margens da BR-470, no bairro Barra da Itoupava, com sinais de violência sexual e com uma corda ao redor do pescoço, simulando um suicídio, que foi posteriormente descartado.

Fonte: MPSC