Três mulheres estão entre os 30 inscritos no treinamento. Onze homens desistiram até ontem. Elas não.
Três mulheres estão entre os 30 inscritos no treinamento. Onze homens desistiram até ontem. Elas não.

Zahyra Mattar
Tubarão

Quem assistiu ao filme brasileiro Tropa de Elite sabe que o treinamento do capitão Nascimento não é tão irreal, mas também não fica tão distante do verdadeiro treinamento da tropa de elite da Polícia Militar, garante o primeiro tenente e comandante do Pelotão de Patrulhamento Tático (PPT) do 5º Batalhão da PM de Tubarão, Dante da Costa Chierighini.

Ele mesmo já passou pelo treinamento do Curso de Operações Especiais (Coesp), do Bope. O comandante está à frente, pelas próximas três semanas, do treinamento de táticas policiais, a porta de entrada para o PPT. Instrutores do Bope estão em Tubarão para auxiliar na formação dos voluntários. Trinta estavam inscritos, entre eles três mulheres.

Quando a reportagem do Notisul foi ao local, aproximadamente às 15 horas de ontem, oito já tinham desistido. Um deles, inclusive, enquanto o tenente concedia a entrevista. Até as 20 horas, segundo informações extra-oficiais, apenas 19 corajosos (entre eles as três guerreiras!) agüentaram tanta pressão psicológica e física.

“Este treinamento é um pré-requisito para o PPT. Nem todos os aprovados ingressaram no pelotão agora. Eles formarão a reserva dos que estão na ativa hoje”, explica Chierighini. O último treinamento deste calibre no 5º BPM foi em 2004.

Participam voluntários de Tubarão, Braço do Norte, Capivari de Baixo, Imbituba, Laguna, Blumenau, Itajaí e Jaraguá do Sul. O treinamento é bastante diferenciado daquele recebido na formação do policial militar. “O PPT atende ocorrências maiores e onde há grande risco. Por isso, a exigência é tão grande. Eles aprenderão várias formações de ataque e defesa, terão aulas de sobrevivência, armas e vários outros assuntos específicos”, explica o tenente.

Apesar de puxado, o treinamento não é violento, como mostra o filme. No Bope, por exemplo, há aulas sobre manuseio de explosivos, mergulho e operações aéreas. Nenhum destes pontos fazem parte do PPT, ainda que o pelotão seja do grupo de elite da PM.

“Quem não é militar e vê como é feito o treinamento acha que é excessivo. Mas não é. No PPT, assim como em qualquer grupo de elite, trabalhamos com situações extremas. De muito estresse e pressão, especialmente psicológica. Saber manter a calma faz a diferença entre o sucesso em uma operação ou o fracasso”, avalia Chierighini.