Maycon Vianna
Tubarão

É crescente o número de adolescentes de 15 e 16 anos que chegam ao Centro de Internamento Provisório (CIP) de Tubarão por participar diretamente do comércio de drogas. Há oito anos, o tráfico representava 8% dos delitos cometidos por garotos da cidade nessa faixa etária. Ano passado, segundo dados da Polícia Civil, o índice chegou a 34%. E nas esquinas e nos becos os traficantes encontraram terreno fértil para ‘recrutar trabalhadores’.

Pés pequenos e descalços, um cobertor de papelão, roupas sujas, saquinho de cola para enganar a fome. O retrato do abandono infantil serve para explicar o avanço dos meninos de rua nas fileiras do tráfico. Seguindo a lógica econômica, eles são mão-de-obra barata. O ‘salário’, como contam, muitas vezes é uma pedra de crack.

Muitos viram “aviõezinhos” (vendem drogas e ficam de olho na polícia) atraídos pelo tênis de marca. Depois, acabam viciados e arriscam-se no crime para pagar o que consomem. “Em números absolutos, a quantidade de menores de 15 anos que chegam ao CIP não diferiu muito nestes últimos oito anos. Mas o que mudou foi a entrada deles, a maioria por tráfico de drogas. Isso é assustador”, afirma o diretor do CIP, Vasco da Silva.

O delito mais cometido pelos menores de 15 anos que chegam à entidade é o roubo qualificado. Na sequência vem o tráfico. “Eles chegam sem valores. Não dão importância à roupa e ao lençol limpo. No início da internação, antes de dormir, procuram o saco de lixo para forrar o chão e fazer de cama”, diz Cláudio Monteiro, especialista em criminalidade entre os adolescentes na Amurel.

Instituição tenta integrar jovens à sociedade
Os ‘pequenos do tráfico’ de Tubarão ficam separados dos ‘grandões’ (traficantes) após serem pegos pela polícia. No Centro de Internamento Provisório (CIP), eles estudam, brincam, fazem artesanato e ajudam a pintar as paredes – para “deixar tudo com a nossa cara”, como eles mesmos gostam de dizer.

Para traçar a trajetória dos meninos antes do crime, Cláudio Monteiro, especialista em criminalidade entre adolescentes na Amurel, cita um ponto em comum. “Todos vêm de família desestruturada. O maior esforço é para encontrar os parentes, aproximá-los, para facilitar a reinserção social”, aponta. E a tarefa não é nem um pouco simples. “Muitos pais nem sabem do paradeiro dos meninos. Outros familiares, ao serem achados, rejeitam o contato”, constata Cláudio.

Já o diretor do CIP, Vasco da Silva, confirma que o tempo de um adolescente envolvido com droga na unidade de Tubarão é de, no mínimo, oito meses. “Temos jovens aqui de mais de um ano. O problema está nos usuários de crack, que começam como laranjas e tornam-se mais tarde um traficante perigoso”, afirma Vasco.