Terreno no bairro Congonha é um dos escolhidos pela comitiva de técnicos do Deap e da SSP como viável para a obra.
Terreno no bairro Congonha é um dos escolhidos pela comitiva de técnicos do Deap e da SSP como viável para a obra.

Zahyra Mattar
Tubarão

O terreno para a construção do novo prédio do Presídio Regional de Tubarão nem mesmo foi comprado e a população já se manifesta contrária à obra. Na segunda-feira, representantes da comunidade da Congonha apresentaram, na câmara de vereadores, um abaixo-assinado com o intuito de barrar a construção da unidade prisional.

Os moradores têm o direito de reclamar. Por outro lado, é preciso buscar o diálogo e ter em mente que o estado está disposto a encarar a “briga”. A obra é urgente e já extrapolou, há muitos anos, a mera necessidade. É impossível manter sobre controle mais de 200 pessoas em um lugar onde cabem apenas 60. E é esta a realidade do Presídio Regional hoje.

Ontem, o secretário de desenvolvimento regional em Tubarão, César Damiani, entregou à secretaria de segurança pública do estado (SSP) as propostas feitas pelos proprietários dos dois terrenos avaliados pela Comissão Pró-Presídio e técnicos da SSP e do Departamento de Administração Prisional (Deap).

Damiani evita falar em valores, mas justifica: “Pagaremos os valores de mercado. Um avaliador do estado virá a Tubarão para analisar as propostas”, resume o secretário.
Quanto à manifestação popular, Damiani é bastante incisivo. Não faz pouco caso da reivindicação da comunidade, mas pede calma e cabeça fria.

“As manifestações são o ônus a pagar por esta obra, que todos julgam necessária, mas não querem como vizinhos. A construção do novo presídio é inevitável e irreversível. É prioridade máxima da secretaria regional e sairá do papel. Infelizmente, não haverá outro jeito. É impossível agradar a todos”, pontua.
Uma das alegações da comunidade de Congonha é quanto às casa próximas ao terreno selecionado. O local, no entanto, é ermo, garante o secretário.

“Se existir uma casa em um raio de 300 metros é muito. Entendo a comunidade. Mas é bom salientar que o presídio não é a pior obra do mundo, como se imagina. O policiamento no bairro aumentará consideravelmente e é possível tornar viável outros tipos de melhorias compensatórias. O que importa, daqui para frente é manter abertura para o diálogo”, pontua Damiani.