Uma adolescente de 17 anos procurou a 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá-DF), na companhia da mãe, após reconhecer o homem que confessou ter matado a advogada Letícia Curado, 26 anos, e a auxiliar de cozinha Genir Sousa, 47. A jovem contou ter sido estuprada por Marinésio dos Santos Olinto, 41, em 1º de abril. Ela disse ainda que, após a violência sexual, ele tentou asfixiá-la.

A garota, que é a quarta mulher a acusar Marinésio após reconhecê-lo, já havia registrado ocorrência da violência sexual em julho. Na manhã desta terça-feira (27/8), compareceu à unidade policial para identificá-lo.

A mãe da adolescente contou que, no dia do crime, a jovem saiu do Paranoá de ônibus até a escola que frequenta, no Itapoã. Ela voltou para casa no fim do dia, após a aula, e no início da tarde retornou à região de transporte público. No contraturno da escola, ela é menor aprendiz na regional de ensino e atua como auxiliar administrativo.

Ainda de acordo com o relato da mãe, ao atravessar a rua, a adolescente foi abordada por Marinésio, que estava em um Prisma vermelho, e não na Blazer cinza utilizada nos outros crimes. Armado com uma faca, ele obrigou a adolescente a entrar no carro. “Ele passou a tarde com ela, a estuprou, e, depois, a abandonou em uma área erma da cidade. Ainda chutou a perna dela para sair do carro e apertou o pescoço da minha filha”, contou a mãe, de 47 anos.

Sequelas psicológicas

A mulher recorda que a filha só chegou em casa por volta das 16h. Ela chorava, mas não contou o que tinha acontecido. “Após o episódio, minha filha parou de usar maquiagem, tentou tirar a própria vida em 28 de maio e duas outras vezes, em junho e julho, quando finalmente disse o que aconteceu”, disse a mãe.

Depois do crime, a adolescente faz tratamento psicológico e é acompanhada por uma equipe na escola. “Nós registramos ocorrência ainda em julho e hoje (terça-feira) viemos na delegacia para reconhecer o homem que fez tudo isso”, confirmou.

A adolescente toma três remédios controlados pela manhã e três à noite. “É um desespero. Minha filha tinha uma vida normal, estudava, trabalhava, se arrumava. Depois disso ela não quer nem tomar banho. Ficou com trauma. É muito triste tudo o que aconteceu com ela”, frisou. 

Segundo a mãe, a adolescente tem certeza de que é Marinésio o homem que a estuprou. “Ela tem certeza, sem medo de errar. Quando ela a viu, começou a tremer, a chorar. Ela passou mal hoje na escola, precisou ser socorrida, e levada para casa”, destacou.

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Assassinatos cometidos

Depois de ser preso e confessar os assassinatos da advogada Letícia Curado e da auxiliar de cozinha Genir Sousa, Marinésio foi apontado por quatro mulheres como o autor de ataques que elas sofreram. A primeira a acusá-lo procurou a polícia na segunda-feira (26/8) à noite. As outras três – duas irmãs, que sofreram o ataque no último sábado, um dia após a morte de Letícia – e a adolescente procuraram a polícia nesta terça.

Marinésio foi preso na última segunda-feira, depois de a Polícia Civil do DF coletar diversas provas que o ligavam à morte de Letícia. Ele acabou confessando o crime, levou os policiais ao corpo da advogada e também revelou ter matado Genir. Ao se pronunciar sobre as mortes, Marinésio confirmou que matou as duas mulheres e não disse por que cometeu os crimes. “Quando vi, já tinha acontecido”, afirmou.

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O homicídio de Letícia

O corpo da advogada Letícia Sousa Curado Melo, 26 anos, foi encontrado na tarde desta segunda-feira (26/8) perto de uma estrada de Planaltina (DF) que leva ao Vale do Amanhecer. Funcionária do Ministério da Educação (MEC), Letícia estava desaparecida desde a manhã de sexta-feira (23/8), quando saiu para trabalhar, por volta das 7h30, do bairro Arapoanga, em Planaltina, onde vivia com o marido e o filho de 3 anos. 

 

Por volta das 15h30 desta segunda, o pai e o marido de Letícia chegaram chorando na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina), escoltados por policiais. Perguntado se tinha alguma informação sobre o caso, Kaio respondeu: “Mataram a minha mulher”. O irmão chegou em seguida, também desesperado. 

Do lado de fora da unidade policial, era possível ouvir gritos de desespero e choro alto dos familiares. 

Foto: Reprodução/Instagram – Polícia Civil